Índia?! O que você vai fazer na Índia???

Foi a pergunta que muitos me fizeram quando tomei a decisão.

“Formei, e agora?” Acho que toda mudança de fase é difícil, e a resposta para essa pergunta vai determinar todo um novo rumo da sua vida.

Se você terminou a faculdade e não está engajado em um estágio para ser efetivado, as opções costumam ser:

            A) Procurar emprego/ prestar trainee

            B) Fazer mestrado e seguir carreira acadêmica

            C) Estudar para concurso público

            D) Empreender? Arrumar um trabalho autônomo?

Eu já havia morado nos Estados Unidos anteriormente, tive a oportunidade de fazer High School lá, onde morei entre meus 16-17 anos… Durante a faculdade já estava sentindo a necessidade de mais uma grande experiência internacional antes de mergulhar no mercado de trabalho pra valer.

Apesar de toda experiência ser válida, senti que o ocidente não tinha tanto a me oferecer e queria ir pro oriente… Sei lá, me aventurar na Ásia. Senti que precisava experimentar o diferente, senti que queria conhecer novos pontos de vista, senti que queria passar por situações diferentes, senti que queria aprender com outras culturas e com outros tipos de pessoas. Ou seja, eu queria fazer tipo um sabático para me testar e me conhecer melhor através de provações de vida e choques culturais.

Senti que precisava disso para estar 100% formado como pessoa e a partir daí, saber que rumo dar à minha vida.

Durante uns 2-3 anos eu mentalizei esse sonho, lembro certinho de contar para alguns amigos próximos:

“Eu quero é andar de elefante, conversar com monges em um mosteiro no alto do Himalaia, nadar na praia da “A praia” na Tailândia, fazer um retiro em um ashram, andar de canoa pelas florestas de bambu do Vietnã, passar um tempo em uma sociedade de subsistência, experimentar comidas diferentes…”

Tenho meu lado capricorniano sistemático (não me julguem!) que pra certas coisas, já começo a pensar nelas certinho (em detalhes) bem antes de colocar na prática. Foi tipo a lei da atração explicada em “O Segredo” mesmo, incrível quando as coisas acontecem com a força do pensamento e a mão na massa.*

Então estava decidido. Acabando a faculdade eu já sabia bem o que eu queria: VIAJAR! E aquele era o momento ideal: sem emprego, sem pagar aluguel, sem estar fazendo nenhum curso, sem namorada ou qualquer tipo de apego que me prendesse a um lugar. Jovem e com disposição para certos perrengues e loucuras que certamente não terei depois dos meus 30.

Fui atrás desse sonho. Abri a cabeça para todas as oportunidades que as empresas de intercâmbio ofereciam para um jovem recém graduado, não lembro ao certo, mas as opções eram praticamente essas:

           A) Work & travel (arrumar uns bicos nos EUA e viajar)

           B) Fazer um curso de inglês no exterior e viajar

           C) Fazer uma pó$

A minha situação era a seguinte: sem necessidade de me aprofundar no inglês por já ser fluente, sem vontade de fazer uma pós-graduação logo de cara porque não sei até que ponto o conteúdo de uma pós no exterior pode ser aplicado no mercado de trabalho no Brasil.

O que eu queria mesmo era sair de mochila por aí e me virar, mas conversando com meus mentores, orientadores, exemplos, sábios…PAIS, foi que chegamos à conclusão que o melhor para mim era continuar trabalhando na área e viajar (para a Ásia)! Ou seja, uma espécie de “sabático trabalhando”!

E nesse caso, só UMA empresa de intercâmbio oferece esse serviço, a Aiesec! Estava fácil, dentro da minha faculdade, no departamento que eu estudava, dois andares abaixo do corredor do curso de Administração e eu já sabia bem como funcionava.

A Aiesec tem vagas de trabalho para graduandos e recém graduandos no MUNDO INTEIRO (é sério!)! É um banco de dados gigante de vagas pelo mundo!

Beleza. E agora, quais países que eu tenho a moral de morar?

Legal, já estava decidido, era Ásia que eu queria. Não dá para ir para um país que não fale inglês, né? Pelo menos eu não estava disposto, creio que não seja muito válido para o futuro aprender uma língua aleatória tipo o que se fala na Tailândia, ou no Indonésia por exemplo. Então fiquei com Índia, Singapura e China.

Ok, vendi todos meus móveis, voltei para a casa dois meus pais, passei meses no portal da Aiesec, algumas entrevistas por Skype em inglês à meia noite e sou chamado para duas vagas: uma de analista de CRM de um aplicativo de jogo em Shenzen na China e uma de analista em uma empresa de pesquisa de mercado em Ahmedabad, na Índia.

A decisão foi tomada com meus mentores mais uma vez. Já estava idealizando essa oportunidade a tanto tempo que quando virou não foi nenhuma surpresa, passo a passo e com paciência, eu estava cada vez mais próximo. Bom, não sou muito (para não dizer “nada”) dos jogos de vídeo game então optei em ir trabalhar com pesquisa de mercado! ÍNDIA!

Agora vamos lá, preparativos:

Contratos, visto indiano por correio, maratona de check-up em médicos, estudar a Índia, fazer mala para UM ANO…

A vida não é feita só de flores, meus caros

Pensa que foi fácil arrumar essa oportunidade?

Foram 5 meses formado e desempregado correndo atrás para fazer acontecer (pensa na bad que foi depois que passou o carnaval e ainda não tinha nada certo!?), o apoio da família foi fundamental! E 3 semanas antes de embarcar, caí de skate e tive uma fratura no ombro esquerdo, por pouco não foi caso de cirurgia, o que poderia ter encerrado o meu Projeto Sabático/Trampo (alguns amigos acompanharam esse drama). E além disso, cheguei na Índia sem um lugar para ficar. Só com um endereço de um brasileiro do meu trabalho, um cara da Aiesec que me confirmou que me buscaria no aeroporto e o telefone dos dois.

Beleza, relendo esse texto até aqui, o processo pareceu de certa forma, simples. E ainda que não considere que fiz algo muito absurdo, até por achar a idéia de vir pra cá, dentro dos meus limites. Pensando agora, tenho certo mérito da coragem de topar esse desafio de “meter o louco” e vir trabalhar na Índia. Tem até uma frase do Ayrton Senna que me identifico nesse sentido:

“Não sei dirigir de outra maneira que não seja arriscada. Quando tiver de ultrapassar vou ultrapassar mesmo. Cada piloto tem o seu limite. O meu é um pouco acima do dos outros.”

Ayrton Senna

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Adalaj Stepwell em Gandhinagar, Índia

Voltando ao íncio: Índia?! O que você vai fazer na Índia?

Pois ééé… Qual a graça de viver sem correr riscos? Hora de sair da zona de conforto!

Próxima postagem vou dizer como foi adaptação e as primeiras dificuldades!

O Cosmopolita

*Não desistam desse blog porque mencionei signos e “O Segredo”! Hahaha!

5 comentários em “Índia?! O que você vai fazer na Índia???

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  1. Você, além de coragem, tem o dom da escrita. Te invejo por não ter tido essa oportunidade, hoje o ir e vir é bem mais fácil e mesmo acho que não teria essa sua determinação.
    Espero te ver na volta um homem mais corajoso ainda e um “cosmopolita” sábio como os monges locais. Um grande abraço e um ano auspicioso.

    Curtido por 1 pessoa

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