Como é andar de tuk tuk (rickshaw) na Índia

rickshaw2-2
GoPro (automático)

“O primeiro rolê de tuk tuk não se esquece. Principalmente se o motorista só falar hindi, você não tiver idéia de como chegar no seu destino, como voltar e ainda você não tiver GPS no celular. Não se esquece…”

Anotei no meu primeiro mês na Índia

Marca registrada do sudeste asiático, o tuk tuk, chamado de rickshaw aqui na Índia é um meio de transporte peculiar.

Podendo variar seus tamanhos e cores, costuma ser um veículo de três rodas, pintado de amarelo e verde, espaço para 3 pessoas atrás, aberto nas laterais, teto feito de lona, guidão ao invés de volante e com um motorzinho que mal chega à 60 km/h e pena para subir a rampa dos prédios.

rickshawfull.jpg
É, nem sempre vão só 3 pessoas em um rickshaw por vez. O record que presenciei, contei 9 pessoas

Além de alguns terem uma caixa de som atrás, também tem essas imagens de filmes de Bollywood:

IMG_6271-3.jpg

Eles estão por toda a parte, só nesse vídeo onde fiquei 7min parado no meio do trânsito, contei 58 rickshaws, o que dá uma média de cerca de 8 rickshaws por minuto nesse local. Então, falta de transporte não falta, certo?

A cada lugar movimentado, seja um condomínio de prédio, um prédio comercial ou um shopping, se instala um ponto de rickshaws na frente. Percebi que é uma forma barata para homens de baixa renda empreender e ter uma ocupação autônoma.

Uma corrida de 15min de rickshaw dá algo entre 80 e 120 rúpias (moeda indiana), o que seria algo entre 4 e 6 reais e uma corrida rápida de coisa de 3-6 quarteirões, é só 20 rúpias, o que equivale à 1 real. Ridiculamente barato, não?! Pois é, além de estar em todo lugar, é bem barato. Ou seja, rickshaw é um tipo de transporte bem acessível.

dsc_0362
Lente 18-55mm Exposição: 1/400s Diafragma: f/5 ISO: 800

Os motoristas

O problema é que os motoristas de rickshaw  não tiveram uma boa educação e não falam inglês, o que dificulta explicar onde você quer ir. Além disso, muitos deles são mal-intencionados e só de olhar para sua cara de gringo, jogam o preço lá em cima, famoso overcharge. Tudo bem que eles têm uma espécie de taxímetro e uma tabela, mas poucos respeitam e não é todo dia que você está com saco para barganhar (em algumas cidades como Mumbai, os motoristas de rickshaw têm que usar o taxímetro por lei).

dsc_0392
Lente: 18-55m Exposição: 1/400s Diafragma: f/5 ISO: 800 Horário: 18h

Como andar de rickshaw?

Simples. Saiba exatamente onde você quer ir, leve celular com internet para usar o Waze e guiar o motorista e tenha dinheiro trocado pra dar o quanto você acha que vale a corrida. Se não tiver trocado, vai depender da boa vontade do motorista de aceitar um preço razoável e barganhar pode ser um verdadeiro stress.

rickshaw1-2
GoPro (automático)

Publiquei aqui 12 palavras para se comunicar em hindi, ajuda muito na hora de pegar um rickshaw.

Multidão de enrolados

Os indianos não sabem dizer “não sei” e eles são muito atenciosos com estrangeiros, então o que eles fazem quando não sabem te dar uma informação é parar mais gente para tentar te ajudar.

Isso prejudica quando você vai pegar um rickshaw quando você está sem GPS e caso o motorista não souber onde é ele vai começar a parar um monte de pessoa na rua que vão querer te ajudar mas como indiano é bem enrolado, vai aglomerar umas 5 pessoas em torno de você e só vai piorar a situação.

dsc_0366-3
Lente 50mm Exposição: 1/400s Diafragma: f/2.8 ISO: 800

Esse tipo de situação é super comum na Índia e em outras situações você só queria uma simples informação e aquilo vira um pequeno stress. Aí é com você de despistar essa “multidão de enrolados” e seguir seu caminho.

O que O Cosmopolita faz?

Só uso rickshaw para distâncias curtas, quando estou com pressa ou preguiça de andar. Para distâncias longas: Uber. Facilita a vida 😉

dsc_0363-2
Lente: 50mm Exposição: 1/400s Diafragma: f/5 ISO: 800

Confere aí o vídeo que fiz andando de rickshaw:

O Cosmopolita

Anúncios

O que você está fazendo para alcançar seu sonho?

Pausa na Índia para dica de livro.

Afinal, estimular a leitura é uma causa justa. Certo?

Acho que é mais que um consenso que ler é um bom hábito. Uma pessoa precisa de inspiração, informação de qualidade e não é diferente com O Cosmopolita. Viciado em livros, trouxe muitos livros para ler nessa viagem e resolvi abrir espaço para compartilhar umas resenhas aqui. “Manual para jovens sonhadores: algumas verdades que você sempre quis ouvir” da Nathalie Trutmann é um livro para inspirar a seguir seu sonho, viajar e empreender. Todos assuntos de meu interesse.

manual-para-jovens-sonhadores-empreendedorismo.png

Comecei a ler no Brasil por indicação de uma pessoa muito querida que me deu essa versão PDF impressa e terminei nas minhas primeiras semanas aqui. Apesar de ter um pézinho de livro profissional por se falar de carreira e empreendedorismo, confesso que antes de ler, julguei ser esses livros meio bobos que envolve conceito de introdução à administração.

Engano meu. Acabou que foi um dos livros que mais me inspirou e me identifiquei 100% com a autora. Com 132 páginas, uma linguagem bem fácil de compreender e muito didático, é aquele tipo de livro que você devora.

E não teve melhor hora para esse livro cair em minhas mãos do que algumas semanas antes de me mudar para a Índia, tipo coisa do destino. Confirmei que estava no caminho certo e me motivei mais ainda para segui-lo.

Nathalie-Trutmann (2).png

Amante de viagem, a autora conta um pouco da sua história, sua saga e obstáculos para descobrir seu sonho que é ser escritora. Nascida e criada na Guatemala, fez faculdade na Califórnia, MBA na França, já trabalhou no Sri Lanka, Nova Zelândia e hoje é casada com um brasileiro e mora no Brasil. Nathalie Trutmann é, sem dúvida, uma cosmopolita.

Ela conta como encarou aquele dilema que todos nós passamos:

o que eu realmente quero fazer da vida x o que vão pensar de mim

A autora diz que tentamos ser iguais aos outros, que também estão tentando ser aceitos e na verdade não há muito espaço para valorizar e atender as nossas diversidades. Além da falta de informação para conhecer as profissões, requer muita coragem para peitar os pais e a sociedade caso a profissão que você quer ter seja menos prestigiada ou tenha menor retorno financeiro.

“Se ainda não sabemos do que gostamos, precisamos, segundo Jobs, continuar procurando incansavelmente até descobrir a nossa paixão. Por nenhuma razão devemos nos conformar com qualquer coisa. A verdade é que nosso trabalho é uma extensão de nós mesmos, e vamos passar grande parte dos nossos dias trabalhando. Não podemos simplesmente nos conformar com algo que pague as contas” p.38

 A paixão de trabalhar com o que gosta

Ela explica melhor que eu:

“A diferença é que quem começa o caminho fazendo algo de que realmente gosta, encarando o medo e a insegurança que podem surgir, (…) desenvolve o que de mais importante podemos ter dentro de nós para conseguir realizar os sonhos: a autoconfiança de saber que, apesar de não podermos enxergar aonde a nossa decisão vai nos levar, estamos seguros de estarmos seguindo a nossa verdade, e não a verdade de alguém mais” p.41

“A única coisa que vai segurá-lo em sua jornada é a paixão pelo que faz: a felicidade e o ânimo que sente ao acordar, a emoção com cada pequeno passo que dá. (…) Isso tem um sentido, e não vai existir relógio, fim de semana ou fim do mês, já que seu trabalho é uma direta expressão de quem ele é” p.25

Para finalizar:

“Alguém que realizou seu sonho tem outro tipo de energia, de felicidade e não precisa demonstrar ou se vangloriar das suas conquistas. Alguém que conquistou seus sonhos deu o sentido para sua vida que queria dar e não se deixou influenciar pelas verdades dos demais” p.130

Ok. Onde viajar entra nisso tudo?

No livro diz que ao viajar, conhecer e entender novos costumes percebe-se que nossa forma de viver e/ou pensar são aleatórias e consequência da cultura que nascemos e carregamos.

Percebendo que certas coisas que valorizamos não valem NADA em outras partes do mundo, é que nos livramos de certas expectativas que a sociedade que nascemos nos impõe e aprendemos a ser “LIVRES para o que quisermos ser, já que tudo é válido nesse mundo tão diverso e maluco” (p.84).

O Cosmopolita

 

Como atravessar a rua na Índia

DSC_0198.jpg
Lente: 18-55mm Exposição: 10s Diafragma: f/32 ISO: 100

Foram três semanas. Eu demorei três semanas para encarar um desafio que estava procrastinando: atravessar uma avenida. Aqui na Índia, de fato, precisa-se olhar para os dois lados da rua. Nunca se sabe quando vem um lóki na contra-mão.

Esse vídeo ilustra bem a dificuldade de um ocidental atravessar a rua na Índia:

Como eu disse no item 3 desse post, o mais incrível desse trânsito caótico é que FUNCIONA!

A impaciência indiana

Antes de falar sobre a lógica do trânsito, preciso explicar algo sobre o indiano: apesar de serem um povo pacífico, eles não tem paciência nenhuma para esperar. Acho que nisso eles acabam encontrando um equilíbrio, tipo um lado ying, outro yang. De um lado, a tranquilidade, do outro, a impaciência.

4 situações claras da impaciência indiana:

  1. Campainha: eles não tocam a campainha, estupram-a.
  2. Banheiro lotado: marque um minuto para alguém vai bater na porta.
  3. Elevador: quando abre a porta é aquele estouro da boiada, cada um por si se esbarrando para sair. Eles devem estar sempre atrasados, só pode.
  4. Fila: Encoxadas e fungadas no cangote são frequentes. Além deles terem outra noção de espaço (devido ao tamanho da população), eles ficam mais aliviados a cada passo que dão na fila. Nessa situação não adianta querer criar caso, é algo bem enraizado na cultura deles.

Se “organizar” direitinho, todo mundo anda

Como indiano não sabe esperar e aqui é tudo desorganizado, cada um vai seguindo seu caminho mesmo que não precise seguir a faixa e às vezes até a mão certa da rua. Ou seja, a lógica é: não se para. Como tem tanto veículo na rua, não se anda rápido, raramente se ultrapassa 50km/h. Aí fica fácil de evitar um acidente.

O Cosmopolita = aquele que se adapta aos costumes estrangeiros

Seis meses já se passaram e O Cosmopolita entrou no jogo. Então logo antes da esquina, já olho para os dois lados da rua, vou passando no meio dos carros, sinalizando para parar com a mão igual o indiano do vídeo (rs!), e, tudo sem parar, claro!

Leva prática mas com o tempo pega o ritmo indiano, fiz um vídeo para ilustrar, se liga:

*Era sábado a tarde e não estava muito movimentado mas acho que já valeu

O Cosmopolita

A corrente foi passada

O projeto retratos:

Depois de desenvolver essa idéia abaixo, foi que O Cosmopolita resolveu registrar algumas situações com pessoas aleatórias e ilustrar com um retrato:

Quero sair por aí e olhar as pessoas sem julgar. Quero olhar no olho de cada um e enxergar nossas semelhanças, enxergar um semelhante. Olhar de igual pra igual. Olhar nos olhos e reconhecer que cada um tem suas qualidades. Quero estar sempre pronto para dar atenção devida para as pessoas. Vou sorrir para as pessoas sem esperar retorno. Até para as pessoas que são julgadas como as mais insignificantes. Afinal, insignificante de verdade é o orgulhoso, o vaidoso. Eu? Eu preciso aceitar que não sou melhor que ninguém. Vou distribuir afetos sem pedir nada em troca. Quero vencer o orgulho. Quero vencer a vaidade. Quero vencer meu ego e suas armadilhas.

Só quando eu chegar lá, vou voltar para casa. Minha guerra é interna.


Foi no dia que eu tirei as fotos desse post.

O Eduardo nos chamou do outro lado da rua. Já havia esquecido que no caminho de ida até a mesquita ele tinha falado que ia parar ali para comer na volta.

Atravesso a rua com a Thaís, entramos debaixo do barraco de lona e ele está sentado em uma daquelas camas indianas:

cama2.jpg

Esse tipo de cama de fio trançado é muito comum ver na Índia, principalmente nos barracos das pessoas que vivem na rua

Estava uma mulher e seus 2 filhos, Eduardo sentado comendo com um pratinho, assim que entrei com a Thaís, a mulher já abriu um sorriso, providenciou lugares para a gente sentar e humildemente, nos ofereceu comida.

A Thaís recusou com medo de pegar food poison (que de fato, é um grande risco para os estrangeiros quando não se sabe a procedência da comida), eu já fui na onda do Eduardo e resolvi correr o risco. Enquanto a mulher me servia, seu filho com um celularzinho, filmava tudo o que acontecia, eles adoram estrangeiros. Numa bobeada que ele deu, tomei o celular da mão dele e me filmei com ele fazendo tipo um selfie, tirando a maior onda com o moleque.

Comida servida, era chapati com molho de batata e outros vegetais, é tipo o arroz/feijão indiano:

chapati.jpg

Não estava como o da foto, mas estava delicioso, como uma boa comida caseira (vou fazer um post sobre comida indiana mais pra frente).

Chegou o marido dela e entre poucas palavras em comum em inglês e hindi, alguns gestos, tentamos estabelecer uma comunicação com aquela família. Apesar da barreira da comunicação, a mulher transbordou humildade e gentileza. Fomos muito bem recebidos naquele barraco à margem de uma rua movimentada do centro de Ahmedabad.

Se tem uma coisa que eu admiro no povo indiano é a disposição para ajudar o próximo e o jeito pacífico deles, ver alguém brigando na rua aqui é muito raro, conseguir ajuda aqui (principalmente sendo estrangeiro) é muito fácil. Essas qualidades do povo indiano me deixam além de intrigado e admirado, contagiado com o gesto e a vontade de retribuir a alguém. É uma corrente.

Depois que comemos, pedi para tirar uma foto daquela mulher linda e sorridente. Que atrás da lente de 50mm, inibiu levemente seu sorriso, escondendo os dentes mas seus olhos de jabuticaba denunciaram o brilho de quem tem pouco (ou quase nada), mas compartilha.

dsc_0172-2

Detalhe no teto baixo de lona

Lente 50mm Exposição: 1/400s Diafragma: f/2.5 ISO: 640

Apesar de todo o romantismo na descrição da situação, não ficamos nem 15 minutos ali. A cena foi rápida, mas marcante. Agradecemos e seguimos caminho, ainda tínhamos uns lugares que queríamos passar antes de ir pra casa. Estava corrido.

Evidentemente, eu senti a humlidade daquela familía, mas foi depois, no exercício de colocar essa vivência no papel, que senti não um dever mas uma motivação particular em repassar essa gentileza, esse ato de bondade. Gentileza gera gentileza, disse o profeta. A corrente foi passada. “You may say I´m a dreamer…” mas se reclamamos tanto desse mundo, do Brasil,  eu vejo que de pouco em pouco, de pessoa pra pessoa, de mão em mão, contagiando aqueles ao seu redor. Que se pode fazer desse mundo, um lugar melhor.

“Se todos dermos as mãos, quem sacará as armas?”

Robert Nesta

O Cosmopolita

Krishna Krishna hare hare

O projeto retratos:

Depois de desenvolver essa idéia abaixo, foi que O Cosmopolita resolveu registrar algumas situações com pessoas aleatórias e ilustrar com um retrato:

Quero sair por aí e olhar as pessoas sem julgar. Quero olhar no olho de cada um e enxergar nossas semelhanças, enxergar um semelhante. Olhar de igual pra igual. Olhar nos olhos e reconhecer que cada um tem suas qualidades. Quero estar sempre pronto para dar atenção devida para as pessoas. Vou sorrir para as pessoas sem esperar retorno. Até para as pessoas que são julgadas como as mais insignificantes. Afinal, insignificante de verdade é o orgulhoso, o vaidoso. Eu? Eu preciso aceitar que não sou melhor que ninguém. Vou distribuir afetos sem pedir nada em troca. Quero vencer o orgulho. Quero vencer a vaidade. Quero vencer meu ego e suas armadilhas.

Só quando eu chegar lá, vou voltar para casa. Minha guerra é interna.


Era meu segundo mês em Ahmedabad, ainda tudo novo e eu com um check-list de lugares para visitar na cidade. Por indicação de uma pessoa no Brasil e também por ser um lugar turístico da cidade, fui à um templo Iskcon. Também conhecido no Brasil como Hare Krishna devido ao seu principal mantra, o Iskcon é uma das principais vertentes da religião Hindu na Índia, e seus templos costumam ser muito bonitos.

(Vou fazer um post só sobre Iskon mais pra frente)

Ok. Lá estava eu indo de rickshaw (tuk tuk) para o templo, era domingo, estava sozinho e sem pressa. Chegando lá dei uma olhada com atenção na arquitetura da parte externa do templo, caminhei ao redor observando tranquilamente, o dia estava lindo.

Foi ai que conheci com essa figura:

DSC_0015.jpg

Uma dos motivos da tinta no meio da testa é ter visitado um templo no dia (detalhe na estátua de Krishna no fundo)

Lente 50mm Exposição: 1/1000s Diafragma: f/4.5 ISO: 250

Não sei o nome dele, os indianos adoram estrangeiros e as pessoas de um templo tem interesse em propagar seus dogma religioso, e eu vim pra cá também para conhecer a cultura indiana, logo, o interesse foi mútuo. Ele estava distribuindo pratinhos de arroz para os visitantes com o resto do pessoal que frequenta o templo. Aceitei, e depois ele pousou para essa foto e me levou para um tour no templo.

Me mostrou o prédio onde a comunidade mora e a sala da meditação. Entramos no templo pelos fundos sem pegar a fila do lugar para deixar o calçado, simplesmente deixamos na escada da porta dos fundos (rs!).

Templo lindo, muito colorido e cheio de pinturas sobre a história de Krishna. Fui observando uma à uma com atenção, conheço um pouco do que se trata por já ter lido um livro resumido do Gita, a “Bíblia do Iskon”.

Ele foi me acompanhando e me mostrando o templo, as pinturas, as esculturas, os pilares, o altar, os instrumentos, fazendo comentários… Até que paramos de frente para uma parede escrita no alto: Iskcon around the world (ou seja, o Hare Krishna em outros países do mundo). E lá estava foto de templos em outros países do mundo.

Ele foi me apontando alguns e eu abri um sorriso. Saquei meu celular e mostrei essas duas fotos:

IMG_5337.JPGIMG_5340.JPG

Apenas alguns meses antes eu havia visitado a Fazenda Nova Gokula em Pindamonhangaba no interior de São Paulo (onde comprei o Gita resumido), a maior comunidade Iskcon da América Latina (com pouco mais de 100 pessoas) e ainda tinhas essas fotos no celular.

Ele fez uma cara de surpresa e alegria ao mesmo tempo, quase deu um pulo pra trás!

Resultado, em alguns minutos começou o a cerimônia que canta o mantra do Hare Krishna e lá estava eu no meio da “banda” com um pratinho de percussão, marcando o tempo, cantando e pulando junto “Hare Krishna, Hare Hare Krisnha, Krishna, Krishna, Hare hare!”

Observação: o cara da foto não falava inglês, só nos comunicamos com gestos.

O Cosmopolita

O rótulo azul

Momento tenso. Primeira vez em um supermercado aqui na Índia. Lá estava eu, corredor de produtos de limpeza. Algum funcionário passa dizendo que estão fechando, ele deve estar louco pra ir pra casa, já é tarde. Estou buscando suprimentos para passar a noite fazendo a primeira faxina do apê que me entregaram sujo pra cara!#0. Ainda faltam alguns itens na minha lista. Apesar dos rótulos estarem em inglês, acredite, não é uma tarefa tão fácil quanto parece. Aqueles corredores começam a esvaziar. Qual daqueles produtos é o multi-uso? Tentativa e erro. Respiro fundo. Pego o azul. Resultado: desbotei a mesa de madeira da sala com um produto com cheiro bem forte que descobri depois ser para lavar privadas. Laranja! Era pra ter pego o de rótulo laranja! Além da mesa desbotada, agora só resta a lembrança daquela aula de marketing da faculdade sobre a relação do produto e as marcas na cabeça do consumidor. Maldito Veja.

Uns&outros

Escalação completa. Agora somos em seis aqui neste apartamento: um é paulista, outrax são cariocax, uma é norueguesa, outro é bolíviano e outro é da Indonésia. Uns são homens, outras, mulheres. São três continentes representados compartilhando um único teto. Nos comunicamos em três idiomas: inglês, português e portuñol. Um é muçulmano, outros estão estudando meditação e uns não perdem a oportunidade de interrogar os praticantes das mais diversas religiões. Uns trabalham de dia, outros varam a noite no escritório. Uns trabalham juntos, outro tenta dar um pulo em casa no intervalo do trabalho pra esfriar a cabeça. Um vai para o trabalho de moto, outros de tuk tuk, um vai a pé e outro de carona. Uns comem carne (leia-se frango aqui na Índia), outros não, mas todos já tiveram problemas de digestão com comida indiana, hahaha! As aventuras de uns nos finais de semana são compartilhadas com outros, assim como as risadas de uns sobre as situações inusitadas que outros vivenciaram. Entre uns e outros, a diversidade é mais que aceitada, é respeitada e valorizada. Apesar das diferenças, já sabemos que nossa maior semelhança é estar no mesmo barco. Então uns ajudam os outros e outros também ajudam uns. Uns aprendem com os outros e os outros também aprendem com uns, o aprendizado é constante.

A questão é que além da convivência entre uns e outros amenizar os desafios e perrengues de viver em uma cultura totalmente diferente da que se foi criado, torna tudo uma aventura prazerosa que, inevitavelmente, acaba em risadas no sofá dessa sala.

green-3.jpg

Green Acres, nome associado a nós pelos amigos por ser o nome do prédio em que moramos

O Cosmopolita