Sentado da areia

Saiu a nova escalação e o time já está em campo. Agora somos aqui nesse apartamento eu, o cara da Indonésia, dois gaúchos, um egípcio, e, um chinês no sofá da sala. As pessoas se reciclam. O técnico já avisou que vai mexer no time outra vez no mês que vem.

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Tenho vivido com atenção. As experiências são compartilhadas, o coração sente e a mente registra. Eu dou valor. É tão bonito de observar cada detalhe igual observar o mar se mexendo, sentado da areia. Apegos e expectativas exigem cautela. Cada pessoa segue seu rumo em direção à sua missão de vida assim como um rio desce a montanha em direção ao mar. O caminho é cheio de curvas, mas flui naturalmente. Cheio de encontros e desencontros, cheio de erros e acertos, cheio de oportunidades aproveitadas e desperdiçadas. A palavra “acaso” não está no meu dicionário. Sentado da areia eu observo atento… E abro um sorriso. As pessoas vêm e vão, a arte dos encontros, fica.

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“…eu observo atento… E abro um sorriso”

Exposição: 1/400s Diafragma: f/28 ISO 800 Horário: 18h30

O Cosmopolita

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As cidades coloridas do Rajastão 1/3: Jaisalmer

A cidade dourada

Primeiro post da série “cidades coloridas do Rajastão”. Jaisalmer, é a cidade “dourada” por ter um forte de tijolo e as casas ao redor também serem feitas por tijolos.

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Exposição: 1/2000 Diafragma: f/4 ISO 100 Horário: 12h-13h
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Jaisalmer está ali, bem próximo da fronteira com o Paquistão

Destino clássico de turistas na Índia devido a sua peculiaridade, Jaisalmer foi fundada em 1156 quando foi construído um forte para um rei chamado Jaisal. Logo, Jaisalmer significa “o forte do monte de Jaisal”.

Atualmente, 1/4 da população da cidade ainda vive dentro das muralhas, sendo o total da população da cidade cerca de 78.000 pessoas.

Jaisalmer hoje em dia gira basicamente ao redor do turismo. Dentro do forte, além de restaurantes nos rooftop’s (cobertura) com vista para a cidade e diversas lojas com artigos interessantes, tem um passeio dentro do palácio que o rei morava antigamente que tem até um serviço de guia em fone de ouvido para ouvir em inglês, espanhol e outras línguas falando sobre o palácio e o forte.

Entrada no palácio: 500 rúpias = 25 reais

Liberação para tirar fotos: 500 rúpias = 25 reais

O deserto Thar

Jaisalmer fica bem no meio do deserto de Thar que ocupa metade to Rajastão e praticamente delimita a divisa com o Paquistão.

O que atrai os turistas para Jaisalmer além do forte, é um passeio de camelo até o deserto para passar a noite lá, muito parecido com o que eu vejo o pessoal fazendo no Marrocos.

Uma noite no deserto

Esse é o tipo de passeio para fazer em grupo.

A agência do passeio busca o pessoal, e depois de fazer uma pausa nas ruínas de um antigo vilarejo, leva até um determinado ponto onde os camelos e os caras que guiam eles (é, não é você que guia o camelo, rs!) estão esperando e depois de um passeio de 1h chega até umas dunas pouco antes do pôr do sol.

Depois do astro rei se retirar, é servido uma janta, também é possível levar bebida. Em seguida tem uma apresentação de um grupo musical e se dorme em colchões na areia.

No dia seguinte, acordamos naturalmente com o sol, um dando risada do outro já que cada um acordou mais coberto de areia que o outro. Depois, é servido um café da manhã seguido do passeio de volta de camelo (outra uma hora) e o transporte até o hostel.

Ter contato por tanto tempo com os camelos foi definitivamente uma experiência singular e muito interessante. E estar em um grupo grande de jovens amigos, não teve tempo ruim mas vou fazer duas considerações negativas:

  • Grande maioria das mulheres do nosso grupo reclamaram do desconforto do banco do camelo depois de 15min (o passeio é de 1h)
  • Supostamente eles iam armar tendas para a gente dormir, mas era só colchão no chão, durante a noite ventou muita areia no rosto e todos tiveram que dormir com o rosto coberto igual a foto.

Passeio: 1500 rúpias = 75 reais

Incluso: transporte de carro + passeio de camelo + jantar + apresentação de música + café da manhã

Além disso

Vistei mais dois lugares:

  1.  Bada Bagh: tumba antiga
  2.  Gadsisar Sagar Lake: lago escavado em 1367 para abastecer a demanda de água da cidade

 

O Cosmopolita

Um novo rumo está por vir

Coisa de louco

Foi na minha primeira trip aqui na Índia. Foi em Diu, cidade litorânea colonizada pelos portugueses na época das grandes navegações. No final das contas, entre um grupo de 19 amigos estrangeiros, fiquei aleatoriamente no quarto de hotel com dois caras que trabalham comigo, são eles: Christopher da Alemanha e Luke da China.

No fim de tarde do primeiro dia nos reunimos espontaneamente na mesa do quarto de frente para sacada com vista pro mar em uma conversa descontraída. Ou seja, lá estava eu, com um alemão e um chinês em um hotel com nome em português no litoral da Índia. Coisa de louco. Beleza. Papo vai, papo vem, começamos a falar de política.

Duplipensando

Eu e Chris começamos a interrogar o Luke sobre como é viver em um país com limite de informação e muitas outras imposições. Veja bem, éramos 3 jovens com bagagens culturais diferentes mas o mais importante ali foi o respeito e a curiosidade. Luke contou como foi a era do Mao Tse Tung e chegou a fazer uma comparação com o Grande Irmão (Big Brother) de 1984 de George Orwell devido a algumas semelhanças, também explicou a forma como os chineses encaram a China sob o ponto de vista das 3 religiões mais praticadas por lá: budismo, taoísmo e o confucionismo (filosofias de Confúcio).

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Imagem de Mao Tse Tung em um estabelecimento comercial. Segundo Luke, antigamente era necessário fazer um tipo de reverência para essas imagens

Aproveitei para explicar brevemente a situação no Brasil, que é uma democracia recente, que houve uma politização da população brasileira depois dos “20 centavos” de 2013, expliquei a bipolarização PT x oposição que parece muito com Democratas x Republicanos nos EUA, expliquei também a falta de tolerância de ambas as partes, o discurso de ódio e terminei pegando um gancho no “dois minutos de ódio” de 1984, que apesar de eu ser do outro lado do globo, também li.

Chris escutou tudo atentamente e como vem de um país que passou por turbulências políticas maiores (como a crise pós primeira guerra, um governo fascista, divisão entre Alemanha ocidental e oriental), sabia do que eu estava falando.

Diplomacia com compaixão

Fim de papo, fomos procurar o resto do pessoal. Não foi a conferência dos BRICS em Goa, mas essa foi uma situação inusitadíssima e uma conversa enriquecedora. Se O Cosmopolita é aquele que se considera de todas as nações, o respeito e a curiosidade para entendê-las são muito importantes.

Apesar da atual falta de tolerância e discurso de ódio, sou otimista. Situações como essa me fazem sentir que quando o bastão for passado para nossa geração, as coisas serão diferentes. Se todos olharmos nos olhos das pessoas das outras nações para entendê-las, ver que são pessoas como nós, quebrar os pré-conceitos e caminharmos juntos, esse planeta tomará um novo rumo sentido à prosperidade.

“Nossa época dá a possibilidade da colaboração entre homens de diferentes países, num espírito fraterno e compreensivo. Antigamente os povos viviam sem se conhecerem mutuamente, tinham receio uns dos outros ou até mesmo odiavam-se reciprocamente. Que o sentimento de compreensão fraterna lance cada vez maiores raízes nos povos”

Carta de Einstein à seus alunos japoneses

O Cosmopolita

Diu: uma antiga colônia portuguesa na Índia

Dando início a categoria turismo aqui do blog. Já era hora de começar a falar de viagens, né?! É que demorei 2 meses para fazer essa primeira viagem e achei legal compartilhar algumas vivências e choques culturais antes de começar a falar de turismo.

Apesar do litoral extenso, o forte da Índia realmente não é praia mas apareceu um convite, e abracei a oportunidade de ir dar um mergulho no mar arábico. Fui com um grupo grande de amigos para Diu, no litoral do estado de Gujarat, onde moro.

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Além de Goa (que devo fazer um post mais para frente), Diu é uma praia bem conhecida pelos indianos aqui de Gujarat. Assim como Goa, foi colônia portuguesa na época das grandes navegações, então uma curiosidade é que muitos estabelecimentos tem nome em português.

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Rua da praia, muito simpática entre os coqueiros e barracas

Lente 18-55mm Exposição: 1/640s Diafragma: f/9 ISO: 500 Horário: 12h 

A praia em si não é nada demais (para os padrões brasileiros), mas foi válido um final de semana na praia entre amigos e um banho de água salgada para curar.

Demos um pulo no forte feito pelos portugueses, confere aí os registros:

O Cosmopolita

5 conclusões sobre ser um expat na Índia

Os indianos tem uma vida MUITO diferente dos ocidentais, a maioria esmagadora dos jovens mora com a família, mulheres tem que estar em casa até meia noite, os relacionamentos funcionam de outra forma por causa dos casamentos arranjados (vou explicar isso em outro post), e como moro em um dry state, bebida é proibida e ai de um indiano de chegar em casa bêbado. Em outras palavras, eles levam a vida de um pré-adolescente brasileiro, a diferença entre os estilos de vida é gritante.

Então é inevitável a identificação e aproximação entre os estrangeiros, estamos todos no mesmo barco. Um ajuda o outro, formamos um grande grupo de amigos, além de um grupo de viagem, se conhece gente de todo o mundo, com diferentes costumes e pontos de vista. E ainda, ganha estadias ao redor do mundo e um motivo a mais para viajar pelo mundo.

Na verdade, um dos maiores méritos do serviço da Aiesec é juntar os estrangeiros. Em uma cultura totalmente diferente da nossa, faz toda a diferença poder conversar com alguém que está passando pelas mesmas coisas que você. É tipo uma válvula de escape. Pelo que percebi, isso é algo que sempre acontece nos intercâmbios da Aiesec.

Logo observei 5 coisas em comum entre essas pessoas. Segue a lista:

1) Muitos já moraram fora de seu país de origem antes de vir para a Índia

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Andersson (Colombia) e Mattia (Itália) em uma viagem à Pushkar/Rajastão
Lente 50mm Exposição: 1/500s Diafragma: f/2.2 ISO 400

Não que seja um pré-requisito para morar na Índia mas imagine alguém na Índia sem falar inglês fluente e sem ter tido a experiência de se virar no exterior. Sério, a Índia é um dos maiores choques culturais que se pode ter.

2) Poucos estão 100% satisfeitos com seu trabalho

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Rim (Marrocos) em uma partida de Uno (da série jogos universais)

Como disse aqui, as condições de trabalho e o clima organizacional das empresas na Índia não costumam ser dos melhores mas só a experiência de morar na Índia é muito válida. Então acaba que a experiência é mais pessoal, é o dia a dia, os choques culturais, as viagens. E no lado profissional, se desenvolve apenas algumas competências.

3) Todos querem viajar pra c@r@|#0

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Christopher (Alemanha) fotografando o teto de uma tumba muçulmana em Delhi, no caminho para o Kheer Ganga
Lente 18-55mm Exposição: 1/800s Diafragma: f/4.5 ISO: 400

A Índia é um país muito diverso e rico culturalmente. Quem vem pra cá guardou dinheiro durante um bom tempo para viajar. Então, companhia para viajar, não falta.

4) A relação com a Índia oscila

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Aslihan (Turquia)

Tem dias que você ama, tem dias que você odeia. Essa regra se aplica a todos. Mas com o passar dos meses você se adapta à Índia e aprende a lidar com as dificuldades.

5) Todos já tiveram food poison

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Oumar (Senegal), Kaito (Japão) e Diego (Brasil)
Lente 50mm Exposição: 1/60s Diafragma: f/1.8 ISO: 6400 Luz: de Natal + notebook

É, como disse no item 3 desse post, arriscaria dizer que cerca de 90% dos estrangeiros que vem para a Índia tem problemas com intoxicação alimentar, chamada de food poison por aqui ou em outras palavras é a famosa caganeira! A comida indiana usa temperos diferentes e pesados, então o organismo demora para se acostumar.

Os brasileiros

(Quem já morou no exterior vai se identificar com  isso aqui)

Já reparou que todo mundo que vai morar no exterior, seja pra fazer high school, estudar através do ciência sem fronteiras, work and travel, curso de inglês no Canadá, na Irlanda… Que seja! Anda com bastante brasileiros?!

Aí você vê o fulano que mora no exterior postando foto no Facebook, tá marcado uns 3 nomes de brasileiro e você pensa:

“P0rr@, fulano foi pra PQP só pra andar com brasileiro?!?!”

Pois é, isso também já me passou pela cabeça. Tudo bem que como disse aqui, meu objetivo ao me mudar pra Índia não é desenvolver meu inglês. Mas a questão é que brasileiro se identifica MUITO um com o outro, desde a forma de encarar as coisas até a forma de se relacionar. A identificação é muito grande, e consequentemente os brasileiros se aproximam. 

Claro, recomendo para quem está indo morar no exterior para aprender inglês, o famoso conselho “fuja dos brasileiros!” Mas não vai ser fácil, os brasileiros estão em todo lugar, aceite. Quem diria que em Ahmedabad na Índia (wtf?!) conheceria 9 brasileiros?! Entre o pessoal da Aiesec, fomos a nacionalidade com maior representatividade em 2016. Quando fui intercambista no high school dos EUA, não foi diferente.

Fazer amigos do mundo inteiro é muito enriquecedor e se aprender muito com os pontos de vista e as personalidades. Mas se tratando de uma cultura tão diferente quanto a Índia, faz bem ter alguém do seu lado com o mesmo raciocínio. Entre 12 pessoas que passaram pelo apartamento que moro, 4 foram brasileiros.

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Nordestinos, cariocas, paulistas e gaúchos. Troca boa! Esse foi o grupo de brasileiros em Ahmedabad em 2016, com exceção do cara de vermelho. Fiz amizades para levar para sempre comigo, já estamos até combinando os encontros anuais.

O Cosmopolita

Um convite para a troca de afetos

Eles comemoraram comigo

Foi pouco depois das 22h. Atravessei o portão do prédio que moro, os porteiros olharam um para cada do outro, olharam para mim e Jashabai apontou para seu relógio de pulso. Retornou o olhar para mim, eu já tinha aberto um sorriso, ele retribuiu com outro. Havia ficado quase dois meses trabalhando no turno da madrugada que como disse aqui, costumava voltar lá pelas 4h da matina. Perguntou o que aconteceu que eu tinha chegado mais cedo e eu *expliquei que tinha mudado para o turno do dia. Meu sorriso não omitia minha felicidade, *expliquei para eles que estava com sérias dificuldades de administrar meu tempo trabalhando de madrugada e preferia trabalhar durante o dia. Eles continuaram surpresos e no final estávamos os 3 exaltados e abraçados, falando alto e comemorando entusiasmados com a idéia. Segui meu rumo para casa.

O lado frio do indiano

Apesar das qualidades do povo indiano, eles não tem a cultura de cumprimentar o próximo. Infelizmente por aqui é normal as pessoas se olharem no elevador sem dar bom dia, o gerente chegar no trabalho e não olhar na cara de ninguém, só quando precisa pedir algo.

Todos os dias voltando do trabalho cruzo com quatro porteiros até entrar no elevador do bloco B3. Não consigo passar pelos caras sem dar um salve. Café. Eu faço e levo meu cafézinho sagrado todos os dias para o trabalho, já que no trabalho só tem café indiano (café com leite) e aquela pausa clássica para o chai tea. Vez ou outra trago de volta para casa o que restou do meu café com alguns copinhos descartáveis furtados do escritório (me perdoe, Senhor) e no silêncio das 4h da manhã, sirvo os porteiros que acostumados com o chai tea, acham café preto muito forte.

Ou seja, foram gestos singelos, foi o café, foi os esforço pela comunicação, foram os sorrisos. Foi uma falta de julgamento, foi olhar de igual para igual, foi o respeito, e nesse convite para uma troca de afetos, foi estabelecido um laço. Isso aconteceu numa quarta-feira, até sábado os porteiros estavam comemorando comigo minha volta pro turno do dia toda vez que voltava do trabalho.

A vida é um eco

Você recebe o que transmite, e chegar mais cedo do trabalho feliz da vida e ainda ser presenteado com esses sorrisos, não tem preço. Girei a chave da porta de casa com um sorriso de orelha a orelha ainda contagiado com aquele abraço. Os momentos de felicidade estão nos afetos, e gestos singelos, podem fazer toda a diferença.

*Acredite ou não, toda essa conversa foi feita sem falar o mesmo idioma, eles falando gujarati (idioma local do estado que moro, vou entrar na questão dos idiomas mais pra frente) e eu falando inglês, nós com umas palavras soltas do idioma do outro e muita linguagem corporal.

Diálogo ao nascer do sol

É muito louco isso. Voltei do trabalho 4h da manhã, varei a noite no escritório, fui alocado pro turno da madrugada nessas próximas semanas. Sempre chego em casa sem sono e fico acordado varadão até umas 7h. Fui tomar uma água e dei de cara com Udin, o cara da Indonésia que mora comigo, achei estranho porque ele só entra no trabalho mais tarde. Já havia percebido que ele tinha esse hábito matutino e foi ali, no silêncio das primeiras horas iluminadas de um dia aleatório que resolvi interrogar o cara. Aí que ele me explicou que de acordo com a religião muçulmana, é preciso fazer umas orações bem cedo, logo entramos na conversa de religião e em 10min já estávamos filosofando sobre provações de vida e a vida após a morte, interessante que tínhamos algumas opiniões em comum só que em uma perspectiva diferente.

Enfim, admiro sua determinação na espiritualidade pra acordar tão cedo pra orar, um grande exemplo e muito bom ter o cara por perto, me contagia. Voltando pro Brasil quero estar meditando todos os dias depois de acordar e antes de dormir para encarar cada situação com a mente equilibrada. Amanhã chegando do trampo já vou meditar e quando o Udin acordar pra orar eu já vou estar bem zen servindo uma água pra ele.

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Udin, em uma viagem que fizemos para o deserto de Thar, em Jaisalmer no estado do Rajastão

O Cosmopolita