Um convite para a troca de afetos

Eles comemoraram comigo

Foi pouco depois das 22h. Atravessei o portão do prédio que moro, os porteiros olharam um para cada do outro, olharam para mim e Jashabai apontou para seu relógio de pulso. Retornou o olhar para mim, eu já tinha aberto um sorriso, ele retribuiu com outro. Havia ficado quase dois meses trabalhando no turno da madrugada que como disse aqui, costumava voltar lá pelas 4h da matina. Perguntou o que aconteceu que eu tinha chegado mais cedo e eu *expliquei que tinha mudado para o turno do dia. Meu sorriso não omitia minha felicidade, *expliquei para eles que estava com sérias dificuldades de administrar meu tempo trabalhando de madrugada e preferia trabalhar durante o dia. Eles continuaram surpresos e no final estávamos os 3 exaltados e abraçados, falando alto e comemorando entusiasmados com a idéia. Segui meu rumo para casa.

O lado frio do indiano

Apesar das qualidades do povo indiano, eles não tem a cultura de cumprimentar o próximo. Infelizmente por aqui é normal as pessoas se olharem no elevador sem dar bom dia, o gerente chegar no trabalho e não olhar na cara de ninguém, só quando precisa pedir algo.

Todos os dias voltando do trabalho cruzo com quatro porteiros até entrar no elevador do bloco B3. Não consigo passar pelos caras sem dar um salve. Café. Eu faço e levo meu cafézinho sagrado todos os dias para o trabalho, já que no trabalho só tem café indiano (café com leite) e aquela pausa clássica para o chai tea. Vez ou outra trago de volta para casa o que restou do meu café com alguns copinhos descartáveis furtados do escritório (me perdoe, Senhor) e no silêncio das 4h da manhã, sirvo os porteiros que acostumados com o chai tea, acham café preto muito forte.

Ou seja, foram gestos singelos, foi o café, foi os esforço pela comunicação, foram os sorrisos. Foi uma falta de julgamento, foi olhar de igual para igual, foi o respeito, e nesse convite para uma troca de afetos, foi estabelecido um laço. Isso aconteceu numa quarta-feira, até sábado os porteiros estavam comemorando comigo minha volta pro turno do dia toda vez que voltava do trabalho.

A vida é um eco

Você recebe o que transmite, e chegar mais cedo do trabalho feliz da vida e ainda ser presenteado com esses sorrisos, não tem preço. Girei a chave da porta de casa com um sorriso de orelha a orelha ainda contagiado com aquele abraço. Os momentos de felicidade estão nos afetos, e gestos singelos, podem fazer toda a diferença.

*Acredite ou não, toda essa conversa foi feita sem falar o mesmo idioma, eles falando gujarati (idioma local do estado que moro, vou entrar na questão dos idiomas mais pra frente) e eu falando inglês, nós com umas palavras soltas do idioma do outro e muita linguagem corporal.

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