Um novo rumo está por vir

Coisa de louco

Foi na minha primeira trip aqui na Índia. Foi em Diu, cidade litorânea colonizada pelos portugueses na época das grandes navegações. No final das contas, entre um grupo de 19 amigos estrangeiros, fiquei aleatoriamente no quarto de hotel com dois caras que trabalham comigo, são eles: Christopher da Alemanha e Luke da China.

No fim de tarde do primeiro dia nos reunimos espontaneamente na mesa do quarto de frente para sacada com vista pro mar em uma conversa descontraída. Ou seja, lá estava eu, com um alemão e um chinês em um hotel com nome em português no litoral da Índia. Coisa de louco. Beleza. Papo vai, papo vem, começamos a falar de política.

Duplipensando

Eu e Chris começamos a interrogar o Luke sobre como é viver em um país com limite de informação e muitas outras imposições. Veja bem, éramos 3 jovens com bagagens culturais diferentes mas o mais importante ali foi o respeito e a curiosidade. Luke contou como foi a era do Mao Tse Tung e chegou a fazer uma comparação com o Grande Irmão (Big Brother) de 1984 de George Orwell devido a algumas semelhanças, também explicou a forma como os chineses encaram a China sob o ponto de vista das 3 religiões mais praticadas por lá: budismo, taoísmo e o confucionismo (filosofias de Confúcio).

maotse.jpg

Imagem de Mao Tse Tung em um estabelecimento comercial. Segundo Luke, antigamente era necessário fazer um tipo de reverência para essas imagens

Aproveitei para explicar brevemente a situação no Brasil, que é uma democracia recente, que houve uma politização da população brasileira depois dos “20 centavos” de 2013, expliquei a bipolarização PT x oposição que parece muito com Democratas x Republicanos nos EUA, expliquei também a falta de tolerância de ambas as partes, o discurso de ódio e terminei pegando um gancho no “dois minutos de ódio” de 1984, que apesar de eu ser do outro lado do globo, também li.

Chris escutou tudo atentamente e como vem de um país que passou por turbulências políticas maiores (como a crise pós primeira guerra, um governo fascista, divisão entre Alemanha ocidental e oriental), sabia do que eu estava falando.

Diplomacia com compaixão

Fim de papo, fomos procurar o resto do pessoal. Não foi a conferência dos BRICS em Goa, mas essa foi uma situação inusitadíssima e uma conversa enriquecedora. Se O Cosmopolita é aquele que se considera de todas as nações, o respeito e a curiosidade para entendê-las são muito importantes.

Apesar da atual falta de tolerância e discurso de ódio, sou otimista. Situações como essa me fazem sentir que quando o bastão for passado para nossa geração, as coisas serão diferentes. Se todos olharmos nos olhos das pessoas das outras nações para entendê-las, ver que são pessoas como nós, quebrar os pré-conceitos e caminharmos juntos, esse planeta tomará um novo rumo sentido à prosperidade.

“Nossa época dá a possibilidade da colaboração entre homens de diferentes países, num espírito fraterno e compreensivo. Antigamente os povos viviam sem se conhecerem mutuamente, tinham receio uns dos outros ou até mesmo odiavam-se reciprocamente. Que o sentimento de compreensão fraterna lance cada vez maiores raízes nos povos”

Carta de Einstein à seus alunos japoneses

O Cosmopolita

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