Toda história tem graça quando é passado

Foi na volta do meu primeiro trekking na Índia. Estávamos descendo os Himalaias. Éramos apenas eu e o Chris, Chris e eu, alemão que trabalha comigo. Chris teve que me aturar durante 5 dias.

Melhor que Batman & Robin e Sherlock & Watson

Nunca tinha viajado com outro fotógrafo. Dois amantes da fotografia. Foi bom que dessa vez eu não fiquei para trás do grupo tirando fotos, já que meu grupo era só eu e outro fotógrafo.

Creio que nossas personalidades fizeram uma boa dupla. Um, pró-ativo, organizou a trip, mais comunicativo na hora de interagir com as pessoas e negociar preços. Outro, quieto mas parceiro, topa qualquer parada, e firme nas suas posições na hora de tomar uma decisão.

A volta do Kheer Ganga

Na ida até o Kheer Ganga demoramos 4h. Confesso que a última hora de trilha foi difícil com a mochila pesada. Eu havia julgado a capacidade física do Chris, mas já na ida ele me surpreendeu puxando nosso bonde. Agregou muito. A volta é sempre só alegria, sempre, impressionante. Fizemos em 3 horas e pouco com o sorriso no rosto, parando para tirar foto e tudo mais. Foi ao chegar às primeiras casas da vila de Nakthan que fica no caminho, que um garotinho com menos de 10 anos surgiu do nada.

“Toca aqui?!”

Ele parou, e estendeu a mão para o Chris pedindo um cumprimento. Chris, alemão educado, foi humildemente apertar a mão dele, enquanto eu, ofegante e com mochila pesada nas costas, parei para assistir a cena. Foi aí que o moleque recuou a mão e deu aquele famoso “deixa que eu toco sozinho” no Chris e saiu correndo.

Ficamos ambos surpresos! Chris ficou tão vermelho quanto faz um bom trabalho no escritório, já eu, fui gargalhando alto até uma lanchonete no centro da vilinha de Kheer Ganga depois da cena que havia presenciado.

Na próxima vez que algum moleque vier me cumprimentar nessa viagem, eu que vou tirar onda.

Olhando para trás

Toda vez que eu encontrar o Chris por esse mundão, vou fazer questão de lembra-lo dessa história do “olé” épico. Mas nessa próxima vez, vamos rir juntos.

Tudo bem que essa foi uma situação irrelevante em nossas vidas e felizmente essa viagem foi 100% de acordo com o planejado. Mas refletindo agora, mesmo os maiores apertos, a gente consegue ver graça quando estão no passado.

Então fica o questionamento: por que se preocupar tanto se no final vai ficar tudo bem?

(vou voltar nessa questão depois)

dsc_0289
Não consegui uma foto do moleque para o Projeto Retratos já do mesmo jeito que ele surgiu, desapareceu. Mas tirei essa foto de Nakthan logo na sequência. (Lente 18-55mm Exposição: 1/4000s Diafragma: f/6.3 ISO 400)

O Cosmopolita

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: