A feira de camelos de Pushkar

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Grupo de camelos para passeio. Lente 18-55m Exposição 1/1000s Abertura f/4.5 ISO 500

Distrito da cidade de Ajmer no Rajastão e destino de muitos mochileiros pela Índia, Pushkar é sede de uma feira anual de camelos que acontece todo ano durante uma semana durante o período de outubro-novembro.

pushkar

Localizado entre Jaipur e Jodhpur, não existe ônibus/trem desses lugares direto para Pushkar, somente Ajmer, de onde sai ônibus circular a cada 15min-30min que leva algo entre 30min e 40min até Pushkar.

Apesar de ser uma cidade pequena (principalmente no padrão Índia) com uma população de 14 mil habitantes, Pushkar é uma das cidades mais antigas da Índia, não se sabe exatamente quando foi sua origem mas é considerada uma cidade sagrada devido à lenda hindu que diz que o lago principal foi criado a partir de lágrimas de Shiva, deus hindu, depois que sua esposa morreu. 

O fato da cidade ser sagrada torna a venda de bebidas alcoólicas proibida. Porém, a venda de bolos e shakes (bhang lassi) feito com maconha é liberada nos restaurantes e cafés, já que como disse aqui, Shiva fazia uso de cannabis.

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Lago de Pushkar. Lente 18-55mm Exposição 1/3200s Abertura f/8 ISO 500

Não há muito o que fazer em Pushkar, tirando dois templos, Pushkar se resume basicamente em ficar relaxando nos restaurantes e hostels (albergues) com rooftop (cobertura) com vista para o lago e fazer compras, já que a rua que contorna o lago é cheia de lojas com roupas e artesanatos para turistas.

Por isso, entre os mochileiros, Pushkar é conhecido como aquele lugar para sossego e descanso. Além de ser o principal destino para celebrar o Holi (o festival das cores) na região noroeste da Índia.

A feira de camelos

A feira de camelos acontece anualmente em um período de uma semana entre os meses de outubro e novembro, a data vai de acordo com o calendário hindu que segue a lua. Durante essa feira, além de camelos, outros animais como cavalos são levados a Pushkar para serem negociados, onde são enfeitados para chamar atenção e tudo mais. É como se fosse a famosa exposição de animais que acontece em muitas cidades do interior do Brasil.

Além disso, teoricamente, durante essa feira, acontece uma série de atividades como corrida de camelos, show de dança e música, passeio de balão, competição de melhor barba (barba e bigode são muito valorizados entre os homens no Rajastão) e por aí vai…

A experiência do Cosmopolita

Tive uma experiência negativa.

Fui com um grupo de amigos para Pushkar apenas em um final de semana para a feira de camelos. Resolvemos ir em cima da hora sem hostel reservado nem nada. No caminho pesquisamos lugar para ficar e devido ao grande evento, a diária dos hostels estava super inflacionada então optamos por ficar em um hotel bem meia boca em Ajmer, cidade que não merece uma parada, é feia, cheia de mendigo, e não há nada lá que não se vê nos outros lugares da Índia.

Ter que ir e voltar de Ajmer para Pushkar todo o dia foi cansativo e a feira de camelos não é nada daquilo que esperava, não achamos nada do que tinha na programação (shows, corrida de camelos, passeio de balão, competições peculiares), apenas os shows que começaram a noite.

O que vimos foi a cidade extremamente lotada e o evento em si se resumia em um parque de diversões que foi feito para as famílias. Nada de muitos camelos, apenas uns grupos isolados indianos tentando negociar um passeio de camelo até um local com uma vista para pôr-do-sol onde é possível chegar a pé, incomparável com o passeio de camelo de Jaisalmer.

Porém…

Depois de experiência, mochilei pelo Rajastão e pude perceber que os mochileiros adoram Pushkar porque como disse acima, é um bom lugar para sossego e descanso, e repito: é o  melhor lugar para celebrar o Holi na região noroeste da Índia.

Então, apesar da minha experiência negativa, ainda recomendo uma passada em Pushkar (que não seja durante a feira de camelos!!! rs!) para quem estiver mochilando pelo Rajastão pois pelo que ouço do pessoal, todos adoram.

Além disso

Além disso, ainda encontrei algumas personalidades interessantes pelo caminho e fiz uns registros com a 50mm (que não entraram para o Projeto Retratos), olha aí:

O Cosmopolita

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A inclusão de deficientes visuais na Índia

O projeto Retratos:

Depois de desenvolver essa idéia abaixo, foi que O Cosmopolita resolveu registrar algumas situações com pessoas aleatórias e ilustrar com um retrato:

Quero sair por aí e olhar as pessoas sem julgar. Quero olhar no olho de cada um e enxergar nossas semelhanças, enxergar um semelhante. Olhar de igual pra igual. Olhar nos olhos e reconhecer que cada um tem suas qualidades. Quero estar sempre pronto para dar atenção devida para as pessoas. Vou sorrir para as pessoas sem esperar retorno. Até para as pessoas que são julgadas como as mais insignificantes. Afinal, insignificante de verdade é o orgulhoso, o vaidoso. Eu? Eu preciso aceitar que não sou melhor que ninguém. Vou distribuir afetos sem pedir nada em troca. Quero vencer o orgulho. Quero vencer a vaidade. Quero vencer meu ego e suas armadilhas.

Só quando eu chegar lá, vou voltar para casa. Minha guerra é interna.


 

“Nasmastê sir, how are you?”, “I’m fine”, costumavam ser uma das poucas frases que Lakul sabia em inglês, em nossos curtos diálogos durante alguns segundos no elevador.

Na Índia, a questão da falta de saúde é bem evidente. Os idosos são obesos e têm muita dificuldade de andar, em lugares turísticos é comum ver pedintes sem alguns membros…

Porém, uma coisa positiva e interessante da Índia é que eles conseguiram resolver um problema de forma simples, incluíram os deficientes visuais com a seguinte ocupação: assistente de elevador. 

Ou seja, em muitos prédios, fica um deficiente visual que leva as pessoas até o andar desejado. No bloco do prédio que morei em Ahmedabad, o responsável por essa tarefa era Lakul, da foto abaixo, que eu convivi quase que diariamente durante 8 meses no elevador do prédio em que morei.

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Foto bem representativa: Lakul no seu ambiente de trabalho. Lente: 50mm Exposição: 1/125s Abertura: f/2 ISO: 400

Existe uma associação de deficientes visuais que creio que se responsabiliza por transportá-los até seus respectivos locais de trabalho.

Lakul, sempre de bom humor, durante nossas convivências em seu ambiente de trabalho, o elevador do prédio, ele sempre estava aberto a uma curta conversa que tentávamos fazer mesmo com a barreira do idioma e adorava quando eu trazia chai tea ou amendoim da rua para ele.

A foto é meio cabreira porque o assunto não deixa de ser delicado. Pedi para tirar essa foto dele antes de me mudar para registrar esse choque cultural que marcou para mim. Entre muitos problemas de um país com menos infra-estrutura como a Índia, está aí uma iniciativa interessante, uma forma de incluir e gerar renda aos deficientes visuais.

O Cosmopolita

Elephanta Caves – Mumbai

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Guardiões da Elephanta Caves. Lente 50mm Exposição: 1/100s Abertura: f/2.8 ISO 2000

Considerado um patrimônio mundial da Unesco, as Elephanta Caves formam um conjunto de 7 cavernas localizado no sul de Mumbai na Elephanta Island, ilha que leva o mesmo nome.

Para chegar lá precisa pegar uma balsa que leva cerca de 1h a partir do Gate of India, cartão postal de Mumbai. O serviço das balsas começa as 9 horas da manhã, funciona de 10 em 10 minutos e a última balsa volta 5:30 da tarde. Considerando que se gasta umas horinhas lá, é bom chegar cedo.

A balsa te leva até o cais e as cavernas ficam no topo da ilha, no caminho tem uma boa escadaria com comerciantes vendendo todo tipo de lembrança.

As cavernas de Elephanta Caves são impressionantes porque são montanhas de pedras onde escavaram a caverna através de “cortes” precisos (wtf!?) e esculpiram pilastras e grandes esculturas contando a história de Shiva, deus da religião hindu.

Para ser mais claro: fizeram uma(s) caverna(s) gigante, com teto e pilastras regulares, além de grandes esculturas, ISSO TUDO EM UMA SÓ PEDRA, e à muito tempo atrás:

Deu para entender porque é patrimônio da Unesco?

História

Não se sabe ao certo quem nem quando as cavernas foram feitas. Existem algumas teorias sobre o povo autor das cavernas e determinaram sua data em algo entre os séculos 5 e 8 D.C.

Esse conjunto de cavernas leva esse nome porque durante as grandes navegações dos portugueses (os livros de história dizem que eles foram parar no Brasil por causa das especiarias da Índia, lembra?), eles dominaram essa região aproximadamente em 1534 e na frente de uma das cavernas tinha uma estátua de um elefante.

Por algum motivo, essa estátua foi levada à um parque/zoológico chamado Jijamata Udyaan em Mumbai:

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Estátua do elefante que deu nome às cavernas no zoológico Jijamata Udyann

Vale ressaltar que diferente de Alexandre, o Grande, entre os portugueses não havia respeito perante as outras religiões e muitas das esculturas dentro das cavernas estão danificas por tiros de portugueses.

A caverna principal

A caverna principal é a que se dá de cara logo que passa pela compra do ticket de entrada. Ela tem um saguão enorme com muitas pilastras, uma sala com uma representação de Shiva e da fertilidade, 9 esculturas nas paredes de cerca de 5m de altura contando a história de Shiva, além dos “guardiões” esculpidos.

Detalhe: tudo isso esculpido na mesma pedra.

Tive a sensação de estar em filme do Indiana Jones andando no meio daquelas esculturas.

Trimurti

Localizada de frente para a entrada principal dessa caverna está a escultura de Trimurti, que chama muita atenção. Trimurti é a tríade de 3 deuses hindus: Brahma, Vishnu e Shiva, que significam respectivamente a criação, a conservação e a destruição.

Gastos

Trem da linha oeste até a estação Gateaway: 10 rúpias = R$0,50

Balsa até Elephanta Island: 180 rúpias = 9 reais

Entrada na Elephanta Caves para estrangeiro: 500 rúpias = 25 reais

O Cosmopolita

Tudo sobre como andar de trem em Mumbai

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Estação Andheri. Lente 50mm Exposição: 1/800s Abertura: f/2.5 ISO: 250

Tudo bem que São Paulo é uma das cidades mais populosas do mundo e quem já pegou metrô lotado em hora de rush sabe como é se sentir dentro de uma lata de sardinha mas ainda assim, o trem de Mumbai tem suas peculiaridades.

Uma das heranças inglesas positivas, a ferrovia. O trem é um meio de transporte muito usado aqui na Índia, mais pra frente vou fazer um post sobre como é viajar de trem pela Índia mas este aqui é sobre o trem municipal de Mumbai.

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Isso mesmo, Mumbai é uma península!

Operando desde 1853 e atualmente com 6 linhas de trem na cidade, o trem urbano de Mumbai tem 465 km de trilhos, e funciona diariamente entre 4h da manhã até 1h da manhã do dia seguinte, levando em média 7.5 milhões de pessoas diariamente. Considerando que só tem uma linha de metrô que foi inaugurada em 2014.

Herança inglesa

Até o padrão do símbolo das estações, os ingleses passaram para os indianos, reparem a semelhança do símbolo nas estações de Londres e Mumbai.

Divisão dos vagões

Os vagões do trem são divididos em masculino e feminino sendo que ambos tem primeira e segunda classe. Os tickets para segunda classe variam entre 5 e 10 rúpias (R$0,25 a R$0,50) e os tickets para primeira classe variam entre 50 e 100 rúpias (R$2,50 e R$5,00).

A necessidade de separar entre masculino e feminino vai primeiramente da cultura indiana de não ter muito contato entre homens e mulheres e depois porque as mulheres podem ficar desconfortáveis nas lotações encostadas em vários homens, além de correr o risco de sofrer abuso.

Não existe nenhuma diferença na estrutura do trem entre a primeira e segunda classe, mas o fato da primeira classe ser mais cara deixa ela mais vazia e é uma opção para quem quer evitar o empurra-empurra da segunda classe.

O ticket

Curiosidade 1: teoricamente existem 2 filas para cada guichê da venda de tickets, uma da primeira e outra da segunda classe mas como quase ninguém vai de primeira classe, sobra apenas a fila da segunda classe.

Portanto, quem for compra o ticket da primeira classe, parece que corta a fila lá na frente. Então, caso você for comprar ticket de trem em Mumbai e ver alguém cortando fila direto no guichê, não se estranhe, é alguém comprando de primeira classe.

Curiosidade 2: não é cobrado ticket para entrar no trem, ou seja, qualquer um pode dar de malandro e usar esse transporte de graça, mas os indianos em geral são bem honestos nesse sentido e não costumam andar sem ticket.

Alguns fiscais passam pelos vagões do trem fiscalizando se todos tem o ticket correto, caso uma pessoa não tenha, se paga uma multa, que vai de acordo com o bom humor do fiscal.

Solução indiana

Pelas fotos já dá para perceber que não existe portas nos vagões do trem, o que chega a ser bizarro ver as pessoas penduradas na porta, mas é muito comum. Creio que foi uma solução boa para fluxo tão grande de pessoas.

O terminal Chhatrapati Shivaji (CSTM)

Não dá pra falar de trem em Mumbai sem falar do CSTM. Não faz parte da malha ferroviária de transporte local mas considerada um patrimônio histórico da Unesco, a CSTM opera desde 1888 quando foi construída por ingleses sob uma arquitetura gótica, continua ativa até hoje onde chega e partem trens para toda a Índia.

Ataque terrorista

Devido aos conflitos entre Índia e Paquistão, em 2008, dois terroristas do Paquistão fizeram um ataque entre 21h30 e 22h40 onde entraram na estação, jogaram granadas e atiraram com metralhadoras do tipo AK-47, 58 pessoas morreram e 104 ficaram feridas. Um terrorista morreu, outro foi pego e foi executado sob sentença de morte.

O Cosmopolita