A inclusão de deficientes visuais na Índia

O projeto Retratos:

Depois de desenvolver essa idéia abaixo, foi que O Cosmopolita resolveu registrar algumas situações com pessoas aleatórias e ilustrar com um retrato:

Quero sair por aí e olhar as pessoas sem julgar. Quero olhar no olho de cada um e enxergar nossas semelhanças, enxergar um semelhante. Olhar de igual pra igual. Olhar nos olhos e reconhecer que cada um tem suas qualidades. Quero estar sempre pronto para dar atenção devida para as pessoas. Vou sorrir para as pessoas sem esperar retorno. Até para as pessoas que são julgadas como as mais insignificantes. Afinal, insignificante de verdade é o orgulhoso, o vaidoso. Eu? Eu preciso aceitar que não sou melhor que ninguém. Vou distribuir afetos sem pedir nada em troca. Quero vencer o orgulho. Quero vencer a vaidade. Quero vencer meu ego e suas armadilhas.

Só quando eu chegar lá, vou voltar para casa. Minha guerra é interna.


 

“Nasmastê sir, how are you?”, “I’m fine”, costumavam ser uma das poucas frases que Lakul sabia em inglês, em nossos curtos diálogos durante alguns segundos no elevador.

Na Índia, a questão da falta de saúde é bem evidente. Os idosos são obesos e têm muita dificuldade de andar, em lugares turísticos é comum ver pedintes sem alguns membros…

Porém, uma coisa positiva e interessante da Índia é que eles conseguiram resolver um problema de forma simples, incluíram os deficientes visuais com a seguinte ocupação: assistente de elevador. 

Ou seja, em muitos prédios, fica um deficiente visual que leva as pessoas até o andar desejado. No bloco do prédio que morei em Ahmedabad, o responsável por essa tarefa era Lakul, da foto abaixo, que eu convivi quase que diariamente durante 8 meses no elevador do prédio em que morei.

DSC_0037
Foto bem representativa: Lakul no seu ambiente de trabalho. Lente: 50mm Exposição: 1/125s Abertura: f/2 ISO: 400

Existe uma associação de deficientes visuais que creio que se responsabiliza por transportá-los até seus respectivos locais de trabalho.

Lakul, sempre de bom humor, durante nossas convivências em seu ambiente de trabalho, o elevador do prédio, ele sempre estava aberto a uma curta conversa que tentávamos fazer mesmo com a barreira do idioma e adorava quando eu trazia chai tea ou amendoim da rua para ele.

A foto é meio cabreira porque o assunto não deixa de ser delicado. Pedi para tirar essa foto dele antes de me mudar para registrar esse choque cultural que marcou para mim. Entre muitos problemas de um país com menos infra-estrutura como a Índia, está aí uma iniciativa interessante, uma forma de incluir e gerar renda aos deficientes visuais.

O Cosmopolita

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