Expandindo a bolha

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Cena do filme O Show de Truman, com Jim Carrey

Se definirmos “bolha” como um limite de informações com que cada um vive sua vida, cada um tem uma bolha, cada uma de um tamanho.

Estamos sempre expandindo nossa bolha pessoal, nosso limite de informações. Estamos sempre adquirindo novas informações de diversas áreas de conhecimento, seja ele técnico, filosófico, espiritual, político, atualidades, hobbies… Etc. Ou seja, estamos sempre adquirindo novas informações conforme vamos atrás delas ou através de vivências.

Porém, apesar de atualmente vivermos na era da informação, existe tanta informação disponível que de fato, a grande maioria das pessoas tem dificuldade de sair do seu mundinho e expandir sua bolha.

Porque você tá falando disso?

Esse é um blog de viagens, certo?!

Sem dúvidas, viajar é uma ótima forma de expandir sua bolha, ter vivências em outras culturas é possível sair da zona de conforto, se colocar em situações fora de controle, situações inusitadas, perrengues. E, por fim, compreender novos pontos de vista.

Como escrevi aqui, esse é um dos principais motivos para eu ter ido morar na Índia.

O Show de Truman

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No filme, O Show de Truman. O personagem principal interpretado por Jim Carrey, após sentir que a vida era mais do que aquilo que vivia, resolveu ir ver os limites da vida que levava, velejou pelo mar e descobriu o limite da “bolha” onde nasceu e foi criado como personagem de um reality show durante toda sua vida.

Cada um de nós é o personagem principal do seu próprio show, onde diversos fatores externos te forçam a ser de um determinado jeito, de seguir um determinado caminho.

É… Esse filme dá margem para muita interpretação.

Onde você quer chegar?

Reflita sobre as seguintes perguntas:

  • O quão pequena é a sua bolha?
  • Você é como gostaria de se expor? Seja na forma de agir, de se vestir, etc.
  • O curso que você faz ou sua profissão é aquilo que você realmente se vê fazendo? Sinceramente, você segue seu coração?
  • Até que ponto que você vai atrás de informações relevantes?
  • Até que ponto você se coloca em situações que pode aprender algo relevante? Pense em 3 situações passadas.
  • O que você sabe sobre você?
  • Até que ponto você se coloca em situações para se conhecer melhor? Pense em 3.

Não que você precise ir morar na Índia para expandir sua bolha e se conhecer 100% mas não se limite, busque sair da bolha, busque ser você. SIGA SEU CORAÇÃO!

Na imagem, Truman tinha acabado de quebrar um paradigma na sua vida. Vá além, seja o Truman e faça da sua vida um verdadeiro show.

The Truman Show (1998)

“Se a gente não se ver, bom dia, boa tarde e boa noite!”

Truman Burbank

O Cosmopolita

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O bastão será passado

“Sabe a Primavera Árabe?! Então, tomei um tiro de bala de borracha no rosto, esse dente aqui foi bater no céu da boca, tive uma rachadura no crânio e tive que fazer algumas cirurgias”

Me disse Mahmoud (em inglês), o cara do Egito que se mudou para o apartamento que eu morava, depois que eu perguntei de um sinal que ele tem no rosto.

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Nascido em Barém, pequeno país no Oriente Médio e criado com orgulho no Egito, Mahmoud, 24 anos, é muçulmano praticante e ainda mais jovem foi ativista político durante a Primavera Árabe no Egito em 2010.

Mahmoud chegou a acampar na  praça principal de Cairo, capital do Egito, onde fez parte de uma multidão de um milhão de manifestantes que exigiam reforma política e em uma das manifestações, foi atingido por uma bala de borracha na boca.

A Primavera Árabe começou na Tunísia e se espalhou por todos os países árabes do norte da África e muitos no Oriente Médio onde os manifestantes lutavam pelo fim de longas ditaduras com graves casos de corrupção.

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, renunciou ao cargo em 2011 após 30 anos no poder, foi condenado à 3 anos de prisão e teve que pagar uma multa de milhões de dólares por desvios de dinheiro e outros processos que foi julgado.

A Primavera Árabe foi em 2010, as manifestações no Brasil dos “20 centavos” foram em 2013 que creio ter sido um despertar no Brasil, onde a partir de então passou a se falar de política na jovem democracia brasileira.

Se o Brasil está do jeito que queríamos?! Nesse momento está claro que não mas apesar de toda a revira-volta política dos últimos anos e dos retrocessos do atual governo interino, creio que no passinho de formiga, pouco a pouco a coisa vai melhorando.

A Primavera Árabe começou em 2010, os protestos na Espanha foram em 2011, os “20 centavos” foram em 2013 e na Índia, um presidente foi eleito em 2014 depois que um mesmo partido ficou no poder desde a independência da Índia em 1947.

É o século XXI, é o despertar, gosto de ver o mundo com otimismo, creio que a humanidade mesmo que lentamente, caminha rumo a prosperidade, a nova geração já não pensa como as anteriores e logo logo o bastão será passado, seremos aqueles que votam, aqueles que estão lá nos cargos políticos, além de diretores de empresas privadas e organizações públicas. O bastão será passado.

O Egito aturou Mubarak por 30 anos e seu caso já nos faz lembrar alguns políticos que foram presos na Lava Jato. Mahmoud disse que o atual presidente tem muita cautela nas decisões que toma depois desse grande levante popular.

Quero acreditar que seguiremos um novo rumo. Egito e Índia trocaram de líderanças políticas depois de muito tempo, depois das manifestações na Espanha, novos partidos políticos como o Podemos surgiram e assim creio que o Brasil vai mudar, demandamos uma nova política.

Claro que a nova geração não tem 100% de mérito nessas mudanças mas conhecendo pessoas como Mahmoud, e apesar de não concordarmos em tudo, sei que o mundo estará em boas mãos no futuro. O bastão será passado.

O Cosmopolita