Desmistificando a comida indiana 2/4: os principais pratos indianos

Dando sequência à primeira publicação da série “desmistificando a comida indiana”, vou desdobrar aqui os tipos de comida indiana, os principais pratos e algumas curiosidades. Claro que a Índia é tão grande quanto o Brasil e a culinária varia bastante, então vou de acordo com o conhecimento que tive durante a minha experiência na Índia.

Então vamos lá, quando você vai em um restaurante na Índia, o menu costuma estar dividido em “North indian food“, “south indian food” e “chinese food“:

North indian food

O “north indian food” basicamente é o roti (chapati) com gravies (curry), esse é o “arroz com feijão” indiano, o prato clássico e básico.

Roti (ou chapati) é essa massa de trigo:

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Gravy (ou curry) é um nome genérico para molho.

Os curries são basicamente vegetais cozidos e depois amassados (igual purê) e fritos com tempero. Sendo 3 dos principais: paneer butter masala, palak paneer e aloo matar:

Tá, legal! MAS COMO COME ISSO?!

Primeiramente é importante mencionar que os indianos comem com uma mão só, a direita!

Agora vamos lá, tutorial:

Passo 1: Se apoia o dedo indicador no chapati para cortar a massa puxando com o dedão e o dedo do meio:

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Passo 2: cortado o chapati, se dobra o pedaço no meio.

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Passo 3: Mergulha ele no curry como uma colher.

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Além do chapati com curry, também tem o THALI que é a refeição completa! Costuma vir 2 chapatis, 2 curries diferentes, (normalmente o paneer butter masala e o palak paneer), arroz, butter milk pra amenizar a pimenta e um doce pra finalizar.

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Thali completo. Detalhe no copo d’água que vem de graça como disse no post anterior

Morei no estado de Gujarti que é muito famoso pela comida e não posso deixar de mencionar que lá eles têm o gujarati thali, que é um rodízio de thali com uma grande variedade de comida e os garçons não param de encher seu prato! Você praticamente sai rolando do restaurante! Rs!

Não tem como falar de north indian food sem falar do tiffin. Como qualquer cidade indiana tem mais de 1 milhão de habitantes, as pessoas costumam morar longe do trabalho e costumam levar comida de casa para o escritório. É aí que entra o tiffin, que está para a marmita assim como a Índia está para o Brasil.

O tiffin é um conjunto de cumbucas de metal que se encaixam empilhadas, onde os indianos transportam comida de casa para comer. Como a comida indiana não dá para misturar em um prato só, aí a necessidade de várias cumbucas:

Costuma levar no tiffin, principalmente chapati dobrado, aloo matar e arroz.

Além disso, existe o “tiffin service“, que entrega esse tipo de comida nos escritórios.

South indian food

A região sul da Índia é formada pelos estados de Tamil Nadu, Kerala, Andhara Pradesh e Karnataka que é uma região cercada pelo litoral. O que reflete no estilo de vida e também na comida.

No norte da Índia, o “south indian food” pode ser resumido em dosa. Bem mais leve que os roti com curry, a dosa é uma massa leve e dura, feita de arroz recheada com batata, queijo granulado e costuma ser servida com 2 molhos (branco e vermelho).

A dosa pode ser feita no formato de triângulo ou enrolada:

A dosa tem diversas variações e existem restaurantes que só cozinham dosa.

Além da dosa, também tem a versão “south indian” do thali, que variam os ingredientes sendo as principais diferenças que senti é a troca dos chapati por arroz e bastante presença de coco como ingrediente. E sim, os indianos comem arroz com a mão (essa técnica eu não tive oportunidade de desenvolver).

Em alguns restaurantes tradicionais, o south indian thali costuma ser servido em uma folha de bananeira.

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Chinese food

De acordo com um chinês que fiquei amigo na Índia, o que eles chamam de chinese food não tem muito a ver com a comida da China. Então estaria mais para “indian chinese food”. Tudo bem, a questão é que esse tipo de prato também está por todo lugar na Índia.

Chinese food na Índia pode ser resumido à arroz/miojo frito misturado com vegetais. Isso mesmo, miojo é prato vendido em restaurante não só na Índia como no sudeste asiático também.

Uma curiosidade é que a marca Maggi é tão forte no segmento de miojo na Índia ao ponto de ser muito comum os indianos chamarem miojo de Maggi.

Um acompanhamento clássico do chinese food é o manchurian! Que nada mais é do que bolas (tipo almôndegas) fritas de umas mistura de cenoura, repolho, pimentão e cebola.

No chinese food costuma vir porções pequenas mas eles usam muito óleo, então possa ser que caia de uma forma pesada.

Pav Bhaji

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Também muito comum nos restaurantes, o Pav Bhaji nada mais é do que um curry de batata, couve-flor, cenoura, ervilha, tomate e pimentão servido com pão de leite, o qual eles comem igual o chapati, cortam o pão e mergulham no curry. Apenas com a mão direita, claro.

Biryani

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O arroz biryani pode soar estranho à princípio para os brasileiros já que estamos acostumados a comer arroz com acompanhamento separado e o biryani vem um pratão “só” de arroz mas o fato é que o biryani é uma refeição completa.

Junto com o arroz cozido (não frito, como no chinese food), vai uma série de vegetais cozidos como batata, repolho, ervilha e cenoura. Mas o que torno o sabor do biryani diferenciado é que também é adicionado castanha e coentro.

O preço

Ahh… Já disse que a comida é ridiculamente barata na Índia????

Olha só:

Cheese masala dosa: 80 rúpias =  R$4

Pav bhaj: 105 rúpias = R$5,25

Veg fried rice: 110 rúpias = R$5,50

Fried manchurian noodles: 110 rúpias = R$5,50

Thali: 170 rúpias = R$8,50

Paneer butter masala + 2 chapati:  220 rúpias = R$11

 

Ok, O Cosmopolita, mas e a carne????

Os carnívoros fervorosos têm dificuldade de se adaptar à Índia por causa da comida. Vi alguns brasileiros e caras de países muçulmano como o Egito reclamarem muito da falta que a carne faz.

De fato, é uma mudança de hábito que pode ser difícil para muitos mas na verdade, pode-se encontrar restaurantes que fazem curry com frango, peixe e carneiro (eu não recomendo o peixe). Porém, deve-se tomar cuidado já que esses tipos de carne podem ser servidos meio cru, dependendo do lugar.

Além disso, em bairros de muçulmanos, existem restaurantes que vendem frango frito, assado e também há açougues (que carecem de higiene) que matam o frango na hora para você.

“E como você consegue ficar sem comer McDonald’s??”

Aquela pergunta que eu não sei se rio ou se choro.

Fiquem tranquilos, meus caros. Fiquem tranquilos.

Lembro até hoje de uma aula de marketing do segundo ano da faculdade que o professor estava ensinando sobre como as empresas têm que se adaptar às diferentes culturas e citou o fato do McDonald’s na Índia ter que adaptar o menu sem carne bovina.

Então é isso, meus caros. Com um menu de frango e peixe, o McDonald’s na Índia tem uma variedade de hambúrgueres e wraps. Apimentado, claro.

Além do Mc, também estão por toda parte na Índia o KFC, Subway e Dunkin’Donuts. Todos com cardápio com frango. Então ocidentais, fiquem tranquilos.

A experiência do O Cosmopolita

Tenho uma teoria que a relação dos estrangeiros com a comida indiana passa por 3 fases: 

1) Food poison (intoxicação alimentar):

Assim como grande parte dos estrangeiros, peguei food poison no meu primeiro mês de Índia. Isso porque os indianos não tem muita higiene na hora cozinhar, usam temperos fortes, MUITO ÓLEO e em casa de família, é comum comer gelada, a sobra de outra refeição.

Como melhorar de food poison: coma apenas comida ocidental, peça macarrão nos restaurantes, vá no Subway, cozinhe em casa. Cerca de uns 5 dias depois de ir muito ao banheiro, passa.

2) Adaptação: depois de melhorar do food poison, pouco a pouco se vai perdendo o trauma com a comida indiana e começa a se arriscar uma ou outra comida. A pimenta é muito forte e os sabores muito diferentes, então leva um certo tempo para criar gosto pela coisa… Até que:

3) Amar: … Até que você passa a amar comida indiana e chega a ficar com água na boca quando sabe que está indo almoçar um paneer butter masala e fica triste quando vai embora da Índia sabendo que vai ter que caçar restaurante indiano no Brasil.

“Não confie em pessoas que vão para Índia e não gostam de comida indiana” pensei comigo escrevendo esse post.

Conclusão sobre a comida indiana

É muito barata, muito apimentada, você provavelmente vai pegar intoxicação alimentar mas depois de pegar o gosto… VAI AMAR!

Sugestão do O Cosmopolita

Como pode-se perceber de acordo com esse e o post anterior, é difícil ser carnívoro na Índia então proponho o seguinte: dê uma chance ao vegetarianismo na Índia. Tem tanta comida gostosa e é tão fácil ser vegetariano na Índia. Ou então, coma pouca carne.

Vi muitos mochileiros fazendo isso e acho que é uma experiência interessante.

(Quem tiver interesse em saber mais informações sobre a culinária indiana tem uma série no Netflix chamada “Raja, Rasoi aur anya Kahaniyan” com 11 episódios de 45min que detalha mais a culinária indiana)

O Cosmopolita

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Desmistificando a comida indiana 1/4: uma introdução à alimentação indiana

Muito se fala sobre a comida indiana, que ela é apimentada, que as pessoas têm intoxicação alimentar e coisas do tipo.

Mas afinal, que tipo de comida se come na Índia?! Que temperos que ele usam?! Irei desmistificar a comida indiana em 4 posts para não ficar muito maçante.

Os selos VEG e NON-VEG

Vamos lá. Não dá para falar de comida na Índia sem falar dos selos “VEG” e “NON-VEG”, então creio ser o ponta-pé inicial perfeito para abordar esse assunto.

80% dos indianos são da religião hindu, que prega que a vaca é sagrada e que se deve praticar a não violência (até com os animais). Portanto, eles são vegetarianos e como já havia mencionado aqui, os alimentos na Índia são classificados com esses dois selos:

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OBS: no vegetarianismo indiano, ovo também é rotulado como “Non-veg“:

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Seguindo esse raciocínio, não entendo porque o leite é rotulado como “VEG”… Mas beleza.

E esses rótulos não param por aí, olha só:

Isso mesmo! Açúcar e até produtos de higiene pessoal não escapam desses rótulos! Pensando bem, depois que fizeram esse vídeo mostrando como é feita a jujuba, dá para entender essa preocupação dos indianos.

Os indianos levam isso muito a sério e existem pessoas na Índia que têm nojo de carne e em determinados restaurantes eles já colocam o selo de “VEG” na faixada para deixar claro que lá, além de não se preocupar se vem carne na comida, ninguém vai precisar encarar os pratos com carne da mesa do lado:

Ok. Agora já dá para entender que a vida dos carnívoros é difícil na Índia. Carne de vaca não tem, só no black market (mercado negro, sim isso existe na Índia!), a carne de frango é bem vendida, alguns lugares vendem carne de búfalo, linguiça e peixe (que é encontrado mais em cidades litorâneas).

Falando em restaurante…

Como a comida é servida nos restaurantes indianos

Quando se vai para um restaurante na Índia, se passa por alguns choques culturais que resolvi pontuar e esclarecer aqui:

1.Água

Assim que você senta na mesa, é servido água de graça com uma jarra que fica a sua disposição na mesa para você beber a vontade. Claro que ela não costuma vir gelada, aí vai de você pedir uma garrafa pet.

2. Jarros para lavar a mão

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Isso não acontece em todos os restaurantes. Apenas nos restaurantes mais chiques ou naqueles que o MENU inteiro é de comida de comer com a mão.

Nesse caso, o garçom vem até a mesa com um jarro de água MORNA e uma bacia (exatamente com a figura!) para você lavar a mão. É o tipo do momento que você se sente um rei. Haha!

3. Colher e pratos

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É meus caros, dependendo do que se pede, a comida vem servida nesse pratão que mais parece tampa de panela, e com essa cumbuquinhas onde a comida é separada.

Além disso, talher, só vem colher, então tem que se acostumar a comer de colher ou com as mãos!!! Se quiser garfo e faca, na maioria dos lugares, tem que pedir pro garçom.

4. Butter milk

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Uma espécie de iogurte salgado, é servido junto com alguns pratos para quebrar a pimenta, e realmente funciona muito bem.

Os brasileiros costumam ter grande dificuldade em lidar com o gosto do butter milk. Considero um brasileiro que gosta de butter milk muito bem adaptado à Índia, um Cosmopolita. Rsrsrs!!

5. Mouth freshener

Como se sabe, escovar os dentes depois de todas as refeições não é algo que faz parte de todas as culturas do mundo. Aliás, é bem coisa de brasileiro! Ótimo costume, por sinal. Então, esse hábito também não faz parte da cultura indiana.

É por isso que na Índia, após terminar a refeição, é servido os mouth freshener que traduzindo ao pé da letra, é o refrescante bucal. Eles são servidos na mesa ou ficam no balcão do caixa.

Os mouth freshener costumam variar entre uns 4 tipos diferentes de erva e açúcar que são misturados para tirar o gosto e hálito da refeição e por incrível que pareça, a mistura tem gosto de pasta de dente.

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Claro que não limpa igual aquela boa escovada nos dentes mas dá uma enganada…

Ok, O Cosmopolita!!! Mas o que esses indianos comem????????

Calma que isso vem na parte 2/4 desse post…..

O Cosmopolita

Porque a vaca é sagrada na Índia ? Tudo sobre as vacas na Índia

Fiquei devendo nesse post de desdobrar a questão da vaca, então lá vai!

Os hindus acreditam que a vaca é um exemplo de espiritualidade, ela é dócil e compartilha o leite.

Os Vedas, coletânea de textos religiosos em sânscrito (língua morta, assim como o latim) escritos à cerca de 1500 A.C. associam a vaca à fertilidade não erótica e pura, sustento da vida humana e mãe-natureza.

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Esculturas de vacas enfileiradas no Shore Temple em Mahabalipuram, Tamil Nadu. Templo datado de 700 D.C.

O sustento da vida – Kamadhenu

Kamadhenu é uma deusa bovina representada como uma vaca com cabeça de mulher e seios fartos (ligação do leite com o sustento da vida).

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Agora pega esse raciocínio:

Kamadhenu é considerada a mãe das vacas, podendo providenciar seu dono o que ele desejar e consideram que TODAS as vacas são encarnações de Kamadhenu. Além de  se acreditar que todos os deuses moram no corpo da Kamadhenu.

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Nas quatro pernas, estão os Himalaias, na face está a trimurti dos deuses Brahma, Vishnu e Shiva, nos olhos está o sol e a lua, e no cupim está Agni, deus do fogo.

Reparou que nas duas imagens, o leite da vaca está sendo derramado em um objeto?!

Pois é, ele se chama Lingam, que é um símbolo de Shiva que representa também a fertilidade. É um cilindro (pênis, energia masculina) em uma base chamada yoni (a vagina, o ventre, energia feminina). E acredite, esse objeto está em MUITOS TEMPLOS!

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Falando em Shiva……

A fertilidade – Shiva

Como expliquei aqui, vahana são animais usados como meio de transporte na mitologia hindu. Shiva, deus com características opostas e complementares, é um símbolo da sensualidade e seu vahana é um boi chamado Nandi, que dá a Shiva, energia sexual e fertilidade. Shiva quando anda no Nandi, fica com o poder de controlar esses impulsos.

Conclusão

  • O sustento da vida humana: Certa vez no trabalho, uma colega estava tomando um iogurte e me ofereceu com essas palavras: “Drink it, it’s milk, off course it’s healthy!” O leite é um dos maiores alimentos da culinária indiana, está até no chai. Difícil é explicar ISSO AQUI para quem foi ensinado pelos pais, e os pais pelos avós e assim por diante à milênios, que leite é saudável.
  • A fertilidade: Vou desdobrar a questão da família, relacionamento e casta em outros posts mas já adiantando: o casamento arranjado ainda é muito comum na Índia, os indianos jovens não têm uma vida sexual ativa e a questão de formar família e ter filhos é importantíssima. É aí que entra a importância da fertilidade.
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No templo Kapaleeshwarar em Chennai, Tamil Nadu, casais que querem e/ou estão com problemas para ter filhos penduram “bebês Shiva em berços” como preces usadas em cerimônia com leite das vacas do templo

Concluindo: como 80% da população indiana é hindu, e de acordo com o hinduísmo, o LEITE, além de desenvolver a fertilidade no homem, é um alimento muito nutritivo. Portanto, a vaca, provedora do leite passou a ser valorizada ao patamar de ser sagrada, principalmente, POR CAUSA DO LEITE.

Condições nas ruas

Pelo fato da vaca ser sagrada na Índia, muitas vacas ficam largadas pelas ruas circulando livremente sem nenhum controle de natalidade ou cuidados veterinários, tendo a mesma vida dos vira-latas, vagando pela cidade e revirando lixos.

Ainda assim, as vacas são respeitadas, param o trânsito e apesar de não haver nenhuma lei para quem atropele uma vaca por acidente, a pessoa corre o risco de linchamento, principalmente se for muçulmano.

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Vaca solta em Varanasi, nos ghats do Rio Ganges

Curiosidade: algumas pessoas têm um rebanho particular e fazem disso uma fonte de renda, ficam em lugares públicos vendendo capim para as pessoas alimentarem suas vacas.

É engraçado mas é verdade, as pessoas pagam para alimentar as vacas dos outros (que já serão alimentadas de qualquer jeito já que eles dão o que sobre de capim para as vacas)!!! Isso costuma acontecer apenas pela manhã e assim como alimentar os pombos, acreditam ser uma forma de boa ação, gerando karma positivo (confesso que gostei da experiência).

Exportação de carne bovina

Muito tem se falado sobre o fato da Índia ter ultrapassado o Brasil na exportação de carne bovina, sendo o atual maior exportador de carne bovina do mundo.

O aumento da demanda por carne no mercado indiano é um fato e em determinados estados indianos, os abatedouros são permitidos ou as leis em relação à essa questão são mais frouxas.

Mas a exportação de carne de vaca na Índia é ilegal, e de toda a exportação de carne bovina, apenas 5% é carne de vaca clandestina. A questão é que como disse aqui, metade dos búfalos do mundo estão na Índia e a carne de búfalo é classificada como carne bovina.

Como a carne de búfalo é mais barata e devido ao aumento da demanda por carne barata no sudeste asiático, oriente médio e norte da África, a Índia desenvolveu a exportação de carne bovina, sendo seus maiores compradores, o Vietnã (que vendem carne de forma contrabandeada para a China) e Malásia.

Questão do leite

Como mencionado anteriormente, 80% da população indiana é hindu, ou seja, carrega esse valorização do leite. Agora vamos fazer as contas, já que a população da Índia é de 1,3 bilhões de pessoas, olha só que demanda gigante por leite!

Antigamente, os indianos bebiam o leite de vacas que criavam em casa mas os tempos mudaram e para atender essa demanda, as vacas passam por grandes maus tratos nos bastidores da indústria de laticínios, ingerem muitos hormônios, tornando a fazenda leiteira algo muito cruel.

Essa é uma grande hipocrisia porque apesar da vaca ser sagrada, os indianos não procuram se informar sobre a indústria de laticínios e como ela faz para abastecer essa demanda gigante de leite.

Conheci uma jornalista brasileira que está fazendo um documentário sobre essa questão:

Quem se interessar pela causa, pode ajudar através do crowdfunding aqui.

O Cosmopolita