12 palavras em hindi para se virar na Índia

Conforme disse no post sobre idiomas, é bem tranquilo se virar na Índia falando apenas inglês já que em geral, os indianos falam 3 línguas: hindi (nacional), língua regional (do estado) e inglês.

Mas têm algumas situações como por exemplo pegar um rickshaw (tuk tuk) ou comer na rua em que a pessoa pode não saber falar inglês então é interessante saber algumas palavras-chave em hindi para conseguir se comunicar.

Palavras-chave em hindi

Sobrevivi um ano na Índia praticamente com esse grupo seleto de 12 palavras-chave, haha! Sabendo essas 12 palavras, é possível fazer um verdadeiro diálogo dando a entender que você realmente fala hindi.

Bora lá:

1) Irmão = Bhaaya (pronúncia: báia)

Essa é uma palavra mágica! Serve tanto pra se referir a um homem tanto em ambientes formais (exemplo: falar com o balconista de um lugar formal) quanto informais (exemplo: chamar a atenção de um motorista de rickshaw na rua). Passa bastante credibilidade e faz as pessoas te darem atenção.

Além disso, bhaay é usado com um sufixo de nomes, para se referir à alguém pelo nome de forma respeitosa. Por exemplo, o nome do meu gerente no trabalho era Amit, então meus colegas muitas vezes o chamavam de “Amit-bhaay”.

Uma curiosidade é que só é usado para nomes hindus e não mulçamanos, um colega de trabalho me disse soar estranho em um nome de muçulmano (que são diferentes).

Outro detalhe é que bhaaya só é usado para homens. Afinal, significa “irmão”. Mas não se preocupe, na Índia, você interage com homens na grande maioria do tempo.

2) Tchau, partiu, vamos = Chalo (pronúncia: tchalo)

Essa é uma expressão MUITO comum entre os indianos, pode ser usada pra se despedir (tchau), ou como “estou indo, partiu!” ou até pra acelerar a galera pra ir embora (vamo!).

3) Chega, suficiente = Bas (pronúncia: bãs)

Outra expressão MUITO comum, pode ser usada tanto pra alguém parar de colocar comida no seu prato quanto para o motorista do rickshaw (tuk tuk) encostar o tuk tuk imediatamente.

4) Sim = Haan (pronúncia: rã)

Essa é bem fácil, é tipo um AHAM sem o primeiro “A”, ficando só o “HAM”, ela é bem compreensível por brasileiros devido essa assimilação. Nós tendemos a achar falta de educação quando você está contando alguma coisa e um indiano fica “ham! ham! ham!”, parecendo que ele está duvidando de você! Haha! Mas ele está concordando!

5) Não = naheen (pronúncia: nem)

Assim como o haan, essa também é bem fácil de aprender devido a assimilação com o “NEM”.

6) Quanto custa? = Kith-naa? (Quanto?) (pronúncia: kítina)

Essa é interessante saber já que muitos vendedores ambulantes não falam inglês e você sabendo falar isso, pula aquele parte de apanhar tentando se expressar com alguém que não entende inglês.

Quanto aos números, na grande maioria das situações na Índia, se fala em inglês. No ano que morei lá, passei por pouquíssimas situações que a pessoa não sabia os números em inglês. E ainda tem essas moedas pra facilitar:

2 cents

7) Água = pani (pronúncia: pãni)

Esse é tipo de palavra que você só vai precisar usar caso ninguém saiba falar inglês mas lembro de uma situação no meu primeiro mês na Índia que fiquei uns 2min tentando comprar água numa barraquinha na rua pedindo “water” com inglês americano (pronúncia: uórêr). Saber falar “água” no idioma local é sempre bom, e pani é bem fácil de decorar.

8) Olá = namaste (pronúncia: namastê)

Provavelmente a palavra mais famosa em hindi mas ao contrário do que muitos pensam, namaste não significa “obrigado”. Namaste é uma saudação bem formal e respeitosa. Claro que se você usar namaste como obrigado e as mãos juntas, os indianos vão achar fofo e responder com outro namaste, mas não, namaste não significa obrigado, namaste é uma saudação. E sinto muito frustá-los, é bem pouco usada, eles dizem mais “hello” que namaste.

9) Esquerda = Baanyee (pronúncia: bánia)

10) Direita = Daaye (pronúncia: dáia)

11) Reto = seedaa (pronúncia: sida)

Essas palavras são muito úteis para dar ou receber direção de um lugar, principalmente com motoristas de rickshaw (tuk tuk) que normalmente não falam NADA de inglês. Claro que você pode apontar mas saber essas palavras pode ajudar.


Acredite se quiser, é possível fazer verdadeiros diálogos só com essas palavras-chave e palavras da situação que você estiver como querendo ir à algum lugar ou comprar alguma coisa na rua.

E algumas expressões como “bhaaya”, “chalo”, “haan” e “naheen” pode dar grande credibilidade para você em situações como barganhando alguma coisa e evitar um golpe já que parece que você fala hindi e supostamente sabe se virar bem na Índia.

12) Um pouquinho = tora tora (pronúnica: tóra tóra)

Ao pé da letra, “tora” significa “pouco”. Repetida duas vezes, significa “um pouquinho”. Pelo que pude perceber, isso se repete em outros idiomas asiáticos. Enfim, essa expressão pode ter pouca utilidade mas tem uma utilidade importante. Quando você faz um diálogo com um local só usando as palavras ensinadas acima e um indiano te perguntar em inglês: “do you speak hindi?” e você responder “tora tora”, vai ganhar bastante credibilidade.

Não, eles não puxam conversa em hindi a partir dessa resposta. A conversa morre ali e o indiano sai com cara de bunda. Rs!

Com ou sem esse vocabulário, caso você tenha dificuldade de se comunicar em algum lugar na Índia, procure o primeiro jovem que passar por perto que é bem provável que ele fale inglês.

Mas já aviso: na Índia eles têm um orgulhinho de não saber responder “eu não sei”, o que muitas vezes podem te dar uma informação errada ou então essa pessoa parar uma outra pra te ajudar e quando você for ver já vai ter uma multidão de pessoas enroladas que não conseguem te ajudar e só vão tornar a situação ruim. Então vai de você identificar quando isso estiver para acontecer e fugir dali! Haha!

Chalo 😉

O Cosmopolita

 

Anúncios

Introdução à religião na Índia

Estava ansioso para escrever sobre espiritualidade aqui. Todo mundo sabe que a Índia é um país que a religião tem um papel importante na vida das pessoas, de fato é um dos choques culturais da Índia e confesso que foi um dos motivos para eu ter me mudado para a Índia foi desenvolver meu lado espiritual.

Mas afinal, os indianos são tão espiritualizados assim?

Uma das primeiras perguntas que os indianos fazem é: “Qual sua religião?” Cheguei a ter que responder essa pergunta até em formulários. Bom, além do hinduísmo, são praticadas outras religiões na Índia e na verdade, esse país abriga várias religiões, muitas delas foram criadas lá e no Brasil temos pouquíssimas informações sobre esse assunto.

DSC_0018.jpg
Torres de templo hindu. Muito fácil de identificar e estão em todo lugar

Olha a porcentagem de cada religião na população indiana de acordo com o censo de 2011:

grafico

Nesse gráfico, fica bem claro que a grande maioria é hindu, seguida dos muçulmanos que têm uma porcentagem relevante, 14% dos indianos são muçulmanos. Ou seja, a cada 10 indianos, pelo menos 1 é muçulmano. Bastante coisa, não?

Muçulmanos e hindus não se dão muito bem na Índia e existem bairros só de muçulmanos. O próprio Taj Mahal, é uma construção muçulmana, sabia? Mas não é um templo, é uma tumba! Isso mesmo, tem gente enterrada lá!

DSC_0212
Manhã no Taj Mahal

As outras religiões em termos quantitativos parecem irrelevantes mas não são, cheguei a conhecer alguns cristãos e ver sikhs (religião dos homens de turbantes) por toda a parte.

sikhs
Sihks, religião dos homens de turbante

Um dado curioso desse gráfico é que sim, apesar do budismo ter sido criado na Índia, apenas 0,7% da população é budista, tendo  um número menor de adeptos até do que o cristianismo!

Assim como a umbanda e o santo daime são religiões 100% brasileiras, do gráfico do começo do post tem 4 religiões indianas: o hinduísmo, o jainismo, o budismo e o sikhismo (ou siquismo).

Pensei em falar de todas aqui mas ficou um post MUUUUITO grande então resolvi que irei fazer um post para cada uma mais pra frente.

Porém, achei interessante adiantar os conceitos básicos e principais práticas que essas religiões têm em comum, principalmente o hinduísmo, jainismo e budismo.

Conceitos básicos

Tomando como ponto de partida a reencaranção, esse é o conceito que os ocidentais têm maior dificuldade de aceitar, por serem católicos/evangélicos ou ateus e é muito comum ver pessoas tratando esse tema com deboche.

Então vamos lá, levantando algumas religiões do mundo todo: católica, proteste, espírita, islã, candomblé, umbanda, hindu, budista e sikh. Apenas 3 dessas 9 religiões não acreditam em encarnação: católica, protestante e o islã. Então deixe o pré-conceito de lado e dê uma atenção aqui.

De acordo com essas religiões, estamos todos sujeitos à um ciclo de morte e renascimento chamado samsara que só é superado quando se atinge a iluminação (ou nirvana ou moksha).

Na maioria das vezes, é tido como uma condição a ser superada. Outras vezes, o termo samsara também é usado como uma forma geral para os pecados do mundo material, como se fosse o termo “Babilônia” dos rastafaris. O termo samsara também é muito usado no livro Siddhartha de Herman Hesse, autor do O Lobo das Estepes.

Ok. Mas aí você supera esse ciclo e vai pra onde?

O caminho para a iluminação é um caminho muito longo que se alcança após inúmeras vidas desenvolvendo a espiritualidade. A iluminação é a superação do sofrimento, do ego e dos apegos da vida, é um estado de total equilíbrio, pureza e paz interior. 

Alcançada a iluminação, não se encarna mais, ficando no outro plano em eterno estado de equilíbrio e paz interior.

E como alcança esse estado?

O dharma é o caminho a ser seguido, a conduta ideal para levar a vida e que leva à iluminação. Cada uma dessas religiões tem o seu dharma, um conjunto de filosofias e práticas para seguir.

Falando em conduta, tenho que mencionar o karma, que nada mais é do que a lei da atração, causa e efeito, o que você faz ou pensa terá efeito no futuro. Boas intenções geram bons frutos, más intenções geram maus frutos. Já viu isso antes? Sim, esse é o conceito básico do livro “O Segredo”.

E através de gerar karma positivo, no ciclo das encarnações, você nasce cada vez com mais condições para atingir a iluminação.

Obs: Claro que essas religiões divergem com esses conceitos, tentei explicar de uma forma básica e geral.

Principais práticas

No mundo ocidental vemos a meditação como algo muito distante. Por onde começar? Onde aprender? Que tipo de meditação seguir? Na Índia, a meditação faz parte dessas religiões e é uma forma de acalmar os anseios e ficar equilibrado (conceito da iluminação). É uma ótima prática para levar a rotina com equanimidade e consciência  (conceito do dharma).

Existem dois tipos de meditação, a com objeto e a sem objeto. A com objeto você pratica o karma, o que quer atrair. Por exemplo, meditar na gratidão, é um sentimento positivo e você certamente atrairá coisas positivas.

A meditação sem objeto é aquela idéia ocidental de meditação que não se pensa em nada. Na verdade você foca em observar sua respiração, as sensações do corpo e dessa forma, esvazia a mente de pensamentos. Uma técnica muito popular desse tipo de meditação é o vipassana, que vou fazer um post mais pra frente.

Mas a prática da meditação também não é só a idéia ocidental que temos de ficar sentado paradinho. Existem outras práticas com os mesmo benefícios da meditação como cantar mantras ou fazer yoga.

DSC_0213.jpg
Essa é uma prática budista em que as pessoas caminham concentradas rolando esses “prayer wheels” (rodas de reza) com o mantra “Om Mani Padme Hum” escrito em sânscrito

Mantras são poemas religiosos cantados repetidamente com o intuito de esvaziar a mente e focar na meditação. Os mantras têm mensagem positiva e também são contados com os coquinhos de um colar chamado mala. Muitos mantras usam a palavra “Ohm”.

 

Identificou algo? Pois é, é a mesma prática de rezar “Pai nosso” ou “Ave Maria” contando no terço.

Existem vários tipos de yoga, mas o hatha yoga por exemplo, aquele das posturas que vem a nossa mente quando pensamos em yoga no ocidente, é muito além de um alongamento físico. É uma forma de esvaziar sua mente prestando atenção na respiração e sensações do corpo durante o alongamento.

DSC_0819.jpg
Indianos praticando yoga ao amanhecer de frente para o rio Ganges em Varanasi

Para finalizar, o vegetarianismo, praticado nessas religiões é uma consequência do ahimsa, um princípio ético-religioso que consiste em não cometer violência física e verbal à outros seres.

Obs: samsara, nirvana, moksha, dharma, karma, mantra, yoga e ahimsa são todas palavras do sânscrito.

Religiões estrangeiras (islamismo e catolicismo)

Bom, voltando ao gráfico do começo do post, além das 4 religiões indianas, existe uma grande população de muçulmanos, além dos cristãos.

O islamismo chegou à Índia no séc.VII através de comerciantes árabes que chegaram através de navios nas costas dos estados de Kerala e Gujarat para fazer negócios. A partir do séc.VIII, reinos ao norte da Índia foram conquistados por árabes e turcos tendo ápice no séc.XIV, convertendo parte da população.

O cristianismo também chegou pelo mar através de comerciantes, só que portugueses (e franceses) que também foram pra Índia (lembra que eles chamaram os nativos brasileiros de “índios” porque achavam que estavam na Índia?!). Então a maior concentração de cristãos está ao sul e no litoral, nos estados de Goa, Kerala e Tamil Nadu.

Detalhe que essas são duas religiões que não admitem as outras e se impõem como absolutas. Então, quando chegando à um lugar, tende a ter grande influência devido aos esforços para converter os outros e se impor sobre as outras religiões.

Religião x espiritualidade

Apesar de todas essas religiões e termos a imagem de que os indianos são todos espiritualizados. Sinto informá-los que não, os indianos de forma geral não são espiritualizados. O Brasil é um país extremamente cristão, você acha o brasileiro, espiritualizado e/ou honesto?! Pois é…

As religiões hinduísmo, jainismo e o budismo pregam o vegetarianismo e hoje em dia, grande parte dos jovens comem carne, ou seja, não levam a religião à risca. Também apesar do hinduísmo estar por toda a parte e eu ser curioso e interessado pelo assunto, tive MUITA dificuldade de entender e conseguir explicações claras, principalmente vinda dos jovens, que manjam MUITO POUCO.

Mas pensei bem e se um asiático fosse ao Brasil com curiosidade sobre o cristianismo, creio que também teria dificuldades de ter explicações aprofundadas vindo de um jovem, não é? Afinal, apesar do Brasil ser um país cristão, pense no seu círculo de amigos, quantos têm um conhecimento aprofundado sobre a Bíblia?! Pois é…

A questão é a que as religiões estão perdendo força em todo o mundo e creio que isso é algo positivo porque dá espaço para as pessoas interessadas nesse assunto buscarem a espiritualidade de diversas maneiras e oscilarem por diversas religiões.

Não entendeu? Bom, é o seguinte: religião é um dogma e a espiritualidade aceita toda as interpretações entre as pessoas e o que pode ser divino e entende como bem vinda todas as práticas para se desenvolver como pessoa nesse sentido.

Nesse vídeo do Jornalista da Nova Era, ele esclarece melhor:

Voltando ao começo do post, quando me mudei para a Índia, tive grande dificuldade de responder a pergunta: “Qual a sua religião?”. Cada hora eu dava uma reposta diferente, haha.

Creio estar bem claro um despertar nos jovens hoje em dia para o lado espiritual, interesse em yoga, meditação, livros de budismo, espiritismo, umbanda e diferentes práticas para se espiritualizar. A espiritualidade é a religião da nova era!

A espiritualidade é um chamado pessoal e tenho um grande interesse em compartilhar essas informações aqui para contribuir com esse caminho na vida de outras pessoas!

Então aguardem, nas próximas publicações, vou desdobrar alguns deuses hindu, gurus e religiões!

O Cosmopolita

Como barganhar na Ásia em 7 passos

Já tinha listado “barganhar” como uma das 11 coisas para se acostumar na Índia, pegando um gancho no post anterior que dei umas dicas de como se comunicar em hindi e sabendo que barganhar é declarado pelos brasileiros como uma das coisas chatas de viajar pela Ásia, achei interessante compartilhar aqui como barganhar na Ásia.

Primeiramente, barganhar é algo da cultura oriental. Precisei barganhar da Índia até o Vietnã e vou compartilhar aqui uma “metodologia” que desenvolvi de como barganhar em 7 passos.

A barganha acontece principalmente em situações informais e que envolve dinheiro vivo, como comer street food, comprar um presente, pegar um tuk tuk mas pode acontecer também em agências de turismo. E só de olhar sua cara de gringo, é comum jogarem o preço lá em cima.

Claro que esse não é o único jeito de barganhar ou a forma “oficial” pra fazer isso. É só uma forma que eu pessoalmente desenvolvi depois de muita negociação e alguns prejuízos. Hehe.

DSC_0167-2.jpg
Vendedor de loja de temperos no centro de Ahmedabad

Então, bora lá:

1) Conhecimento prévio do preço do produto/serviço

Bom, o objetivo da barganha é pagar um preço justo, certo?! Na barganha você vai tentar chegar aproximadamente até esse preço, então é importante antes de começar a negociar, saber quanto realmente é cobrado por aquele serviço/produto.

Então, antes de pegar um tuk tuk ou fechar um passeio turístico, pergunte onde você estiver hospedado, quanto geralmente é cobrado por isso. Ou conforme o tempo passar durante a sua estadia, você saberá quanto é cobrado em média em uma corrida de 10min de tuk tuk, quanto custa uma porção de pakora na Índia ou um pad thai na Tailândia.

2) O primeiro lance do vendedor

Ok, chegou a hora de perguntar quanto custa. Bhaaya,kith-naa? O vendedor vai olhar pra sua cara de gringo e vai jogar o preço lá em cima. Claro que quem vem da europa, Austrália, Inglaterra (libra!), pra eles é tudo ridiculamente barato e creio que muitos devem pagar o primeiro lance do vendedor sem hesitar.

A barganha é aquela situação pra você abusar da sua malandragem brasileira. Aqui está valendo fazer um teatrinho na hora que o vendedor dizer o preço absurdo. Dê risada, usar palavras em hindi dão credibilidadeNaheen, bhaaya, naheen!”, dê tapinha nas costas… Tudo com bom humor. Um teatrinho a mais sempre cria pressão em cima do vendedor.

DSC_0293
Vendedor de um doce chamado jelebi no centro de Ahmedabad

3) O segundo lance é seu

Agora é sua hora de dizer não e fazer o seu lance. Lembre, não será o último lance, então jogue o preço lá em baixo. 

NUNCA. Mas, NUNCA dê o preço final logo de cara. Você vai perder margem de negociação já que os próximos lances serão desse preço pra cima.

4) O terceiro lance (do vendedor)

Ok. Você jogou o preço lá em baixo. Agora é a vez do teatrinho do vendedor. Ele vai dar risada, comentar com os vendedores do lado dando risada e tudo mais. Tente levar no bom humor, não fique sem graça, faz parte do “jogo”.

Então ele vai fazer outro lance, diminuindo pouco o primeiro lance que ele fez. Sendo ainda mais caro do que o preço ideal daquele produto/serviço.

DSC_0066.jpg
Vendedor em feira no centro de Ahmedabad

5) TRUCO! Lance final!

Ok, o vendedor já diminui o preço. Você sabe que aquele valor é flexível e o preço que ele jogou já está mais próximo do ideal. “Naheen, bhaaya, naheen!”Agora é sua vez de trucar a brincadeira e propor o preço ideal.

Arriscaria dizer que 80% dos casos, a barganha acaba aqui. Você pode forçar no teatrinho pra bater o pé do seu lado e fechar o negócio.

Você ainda pode ter a ousadia de nesse ultimo lance fechar por um preço abaixo do que você espera. Pode dar certo, também pode resultar em um outro lance do vendedor.

6) Mostre o dinheiro trocado

É possível que o vendedor não abra mão do último lance dele. Nesse caso, o que costumo fazer, é mostrar em dinheiro trocado o quanto quero pagar. Mostrou o dinheiro vivo certinho na frente do vendedor, a brincadeira sai do mundo das idéias e o cara desiste da barganha já que muitas vezes eles barganham só por hábito.

Se você não tiver o dinheiro trocado nesse momento, você perde esse poder de barganha.

Me lembro de conferir antes de sair de casa se tinha dinheiro trocado na carteira só pra barganhar no rickshaw (tuk tuk).

7) Vá ao próximo vendedor

Se mesmo assim, o vendedor não abrir mão do último lance dele, tem algo que também ajuda:

Você provavelmente vai estar em um ambiente com muitos outros vendedores ambulantes que vendem a mesma coisa bem ao lado. Então, mostre pro vendedor que você vai tentar no cara do lado, alguns voltam atrás. Caso, ele não voltar atrás, é bem capaz do próximo aceitar o preço que você está disposto a pagar.

Exemplo

Vamos supor que quero pegar um rickshaw (tuk tuk).

dsc_0362
Ponto de rickshaw em Ahmedabad

Passo 1: Sei que o trajeto demora cerca de 10min e que em geral, custa 80 rúpias.

Passo 2: Digo onde quero ir e o motorista do tuk tuk propõe me levar por 180 rúpias.

Passo 3: Dou risada da cara dele e digo que estou disposta a pagar 50 rúpias.

Passo 4: Ele dá risada da minha cara e diz que pode me levar por 100 rúpias.

Passo 5, TRUCO: Digo que pago 80 rúpias.

Passo 6: Ele insiste em querer fazer a corrida por 100 rúpias. Tiro da carteira 80 rúpias trocado e mostro pra ele que diz pra eu entrar no tuk tuk.

Passo 7: Se ele não abrir mão e eu fazer muita questão de pagar aquele preço, vou até o motorista de tuk tuk do lado, que provavelmente escutou toda a negociação e deve estar disposto a me levar por aquele preço.


Claro que você não vai precisar barganhar em tudo, claro que muitas coisas tem o preço bem tabelado, claro que muitas coisas tem o preço tão baixo que não vale a pena perder tempo pra economizar tão pouco e claro que não é todo dia que você está com bom humor pra gastar toda essa energia barganhando.

Mas fica aqui o jeito que aprendi a barganhar.

Comentem aqui se conseguirem colocar isso na prática ou se já fazem de alguma forma similar.

Boas negociações 😉

O Cosmopolita

 

Que idioma ( língua ) se fala na Índia ?

No senso indiano de 2001 foram catalogados cerca de 1600 línguas e dialetos na Índia. A Índia é um dos países com a maior variedade linguística. Apesar desse número impressionante de línguas, são 22, as principais línguas faladas nesse país:

Assamese, Bengali, Bodo, Dogri, Gujarati, Hindi, Kannada, Kashmiri, Konkani, Maithili, Malayalam, Marathi, Meitei, Nepali, Odia, Punjabi, Sânscrito, Santali, Sindhi, Tamil, Telugu e Urdu.

Olha o mapa da língua mais falada, por região:

 

 

 

Comparando os dois mapas acima, repare que alguns estados têm sua própria língua, como em Gujarat se fala o gujarati, em Punjab se fala punjabi, na Kashemira se fala kashemir, em Maharastra se fala marathi, em Karnataka se fala kannada, em Tamil Nadu se fala tamil, na Bengala Ocidental se fala bengali, além de no Rajastão se falar rajasthani, no Nepal se falar nepali e por aí vai.

Isso aconteceu porque até os europeus chegarem na Índia, toda a região conhecida como subcontinente indiano, formada por Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão (Sri Lanka e ilhas Maldivas) era feudal.

 

 

 

Isso mesmo, até 70 anos atrás toda essa região era recortada por reinos (muitos com muralhas, palácios e tudo!). E a falta de um estado nacional durante toda a história da Índia, facilitou a invasão dos mongóis e a chegada dos portugueses, ingleses e franceses. Na verdade, a Índia só se unificou pela primeira vez depois da independência da Inglaterra, quando era um conjunto de 641 reinos.

muralha.jpg
Resquício de muralha no centro de Ahmedabad, cidade em que morei

Enfim, a questão é que a explicação para tantos idiomas na Índia é que o subcontinente indiano era todo recortado por reinos que desenvolveram seu próprio idioma.

Espera, vamos voltar mais no tempo pra você entender melhor essa história…..

O sânscrito: a língua morta

Assim como o latim, o sânscrito é uma língua morta, ou seja, as pessoas não se comunicam mais em sânscrito, apesar dele estar na lista dos 22 idiomas oficiais da Índia devido sua importância para estudos.

O sânscrito é a língua ancestral do subcontinente indiano, surgiu cerca de 1500 A.C. sendo uma das línguas mais antigas do mundo, existem mais documentos em sânscrito do que em latim somado com grego antigo. Entre essa literatura em sânscrito está os Vedas, que é um conjunto de 4 livros que são as primeiras escrituras sagradas do hinduísmo.

O sânscrito é conhecido entre os estudiosos como uma língua refinada e a princípio era uma maneira aperfeiçoada de se falar e usado principalmente para funções religiosas pelas castas mais altas.

E onde aquele papo de reinos entra no sânscrito?

Bom, assim como o latim se espalhou e conforme o tempo foi se derivou em: italiano, francês, espanhol, português, catalão e o romeno. O mesmo aconteceu com o sânscrito, que foi ficando informal, recebeu influências de idiomas estrangeiros devido às invasões, se espalhou e derivou em diversas línguas como o hindi em Délhi, o nepali no Nepal, o bengali na região de Bangladesh e Bengala Ocidental (estado de Calcutá), o urdu no Paquistão, entre outras.

Curiosidade 1: chacra, carma, mandala, yoga, guru, avatar, mantra e suástica são todas palavras em sânscrito.

O hindi

Idioma derivado do sânscrito na região de Délhi, além de ser o único idioma falado em Uttar Pradesh, estado mais populoso da Índia. O hindi é falado por 70% dos indianos, sendo a quinta língua mais falada do mundo e depois da independência da Índia, foi declarado pelo governo indiano como a língua nacional.

Assim como brasileiros conseguem entender espanhol, os idiomas derivados do sânscrito têm muita coisa em comum, o que facilita a comunicação e fica mais fácil de aprender o hindi. 

Então, além do idioma do estado, o hindi, idioma nacional, é ensinado para os indianos. Porém, existem estados como Tamil Nadu, no sul, onde o idioma tamil não se parece EM NADA com hindi. Houve até um movimente anti-hindi em Tamil quando o governo declarou o hindi como língua nacional.

Tive a oportunidade de visitar Tamil e praticamente só se fala tamil por lá. Cheguei a ver uma cena interessante: indianos de outras regiões da Índia tendo que se comunicar em inglês com os locais de Tamil.

Falando em inglês……

O inglês

O inglês creio ser uma parte boa da herança inglesa para os indianos em um mundo globalizado. Hoje em dia, as faculdades na Índia são todas em inglês! Além de algumas escolas também oferecerem essa opção. Ou seja, os indianos praticam bastante inglês!

Portanto, os jovens indianos que tem acesso à curso superior falam inglês. Ou seja, grande parte dos jovens na Índia falam inglês fluente. Isso chegou ao ponto do inglês ser um grande pré-requisito para emprego na Índia.

E digo mais! De acordo com um censo de 2001, a Índia tem 125 MILHÕES de pessoas que falam inglês, sendo o segundo país do mundo depois dos EUA com maior número de pessoas que falam inglês.

Claro que não era assim no passado então não são todos os adultos que falam inglês, os que aprenderam costumam ter um certo poder aquisitivo ou trabalham diretamente com turistas e aprenderam na raça.

Curiosidade 2. Expressões em inglês com significado diferente na Índia:

  • Good morning: eles usam em qualquer hora do dia.
  • Holiday: não é necessariamente feriado mas sim um dia de folga, como a maioria das pessoas lá trabalha de segunda à sábado. Logo, domingo é um “holiday”.
  • High: também é usado para bêbado, não só drogado. O que soa extremamente estranho um cara dizer “I was so high last night”, aí você acha que o cara usou alguma coisa e na verdade ele só bebeu.

Conclusão!!!

Na maioria dos estados, os indianos falam 3 línguas: a língua local, hindi (língua nacional) e os jovens ainda são ensinados inglês. E o mais doido: eles se comunicam entre eles usando 3 línguas. Acho que cada forma de se expressar, eles se sentem mais confortáveis com uma das 3 línguas. Olha só:

Esse é um filme de Bollywood de 2016 chamado Dear Zindagi estrelado por Shahrukh Khan, o ator mais famoso da Índia. Esse filme teve uma grande repercussão no seu lançamento e entre os temas abordados, fala sobre o “tabu” que é fazer terapia. Creio estar disponível no Netflix (fica a dica).

Enfim, voltando para a questão dos idiomas. Reparem que no meio do diálogo, tem frases soltas em inglês como “is tall and handsome”, “short and strange”, “also tall”, “you are trying to say that there is lots of men, right?! If you’re trying to say it, just say it”, “no, come on, seriously”, “exaclty my point” e o trecho final.

Loucura, né?!

Apesar do hindi ser uma língua que soa muito bem, ao falar inglês, por algum motivo, os indianos tem um sotaque MUITO FORTE:

Nesse vídeo, é desdobrado algumas peculiaridades do inglês indiano:

E que língua você falava na Índia?

Bom, apesar de não ser todo mundo que fala inglês na Índia, dá pra se virar bem só com o inglês. No ano que morei lá, vi pouquíssimos estrangeiros falando hindi. Tive interesse em fazer aula mas não era uma prioridade e acabou que não fiz. Isso é algo que me frustrou na época :/

Então, sim. É tranquilo se virar com inglês na Índia. Mas muitas vezes você vai precisar se comunicar com pessoas que não falam nada de inglês, como por exemplo, motoristas de rickshaw (tuk tuk) e não adianta querer formular frases elaboradas em inglês nessas situações. Então creio ser interessante saber algumas palavras-chave soltas de hindi pra se virar, vou fazer um post só sobre isso para esse não ficar muito longo.

Curiosidade 3: escrita do hindi

Para encerrar essa postagem, vou compartilhar algumas curiosidades interessantes de como funciona a escrita do hindi:

hindi.gif

  • Repare que as letras são conectadas por uma barra horizontal, essa barra separa as palavras.
  • O alfabeto usado no hindi, é um alfabeto silábico, ou seja, cada letra representa uma sílaba!
  • Reparou nos traços acima das barras? Esses são os acentos! Olha um exemplo de como eles variam:

hindi2.jpg

O Cosmopolita

 

A questão da água na Índia

Pegando o gancho nas postagens sobre comida, outro choque cultural que eu senti na Índia é a questão da água. A relação do indiano com a água é uma moeda de dois lados:

Por um lado…

Essas bombas são usadas principalmente por pessoas das castas baixas, como os untouchables que vivem na rua. Eles utilizam essa água para beber e também para tomar banho, já que moram em acampamentos sem banheiros.

Cidades que vi essa bomba: Ajmer (Rajastão), Jaipur (Rajastão), Varanasi (UP).

  • Muitas cidades têm lagos represados/artificiais em parques e também era um símbolo de ostentação antigamente.
DSC_0023-2
Lake Pichola em Udaipur, Rajastão, represado em 1362 para que a população da cidade tivesse água para beber e irrigar as plantações. Além de ser uma enorme ostentação em um lugar seco como o Rajastão, o rei ter esse lago na frente de seu palácio
  • A água também tem ligação com algumas tradições hindu

DSC_0044

Esse lugar da foto, por exemplo, é um pequeno templo “submerso”. Descendo as escadas, a água chega a bater até a cintura onde tem um corredor estreito com um lingam no final onde os hindus fazem preces.

  • Algo muito interessante e que chama atenção pela arquitetura na Índia são os ghats.

Os ghats são escadas com degraus que podem chegar a ser do tamanho de arquibancadas, que descem até a água, normalmente em lagos ou rios sagrados. Ghats servem para a prática de cerimônias religiosas ou apenas para que as pessoas possam tomar banho pra se purificar. Em outras palavras, tirar a zica.

ghats.jpg
Ghat do lago de Pushkar. Reparem no homem de tolha que provavelmente acabou de tomar banho ali. Essa foto não é minha, é proibido tirar foto nesse lugar.
  • Além dos hindus, os muçulmanos costumam ter no centro das mesquitas, fontes de água para purificar também.
DSC_0481.jpg
Muçulmanos se banhando na Jama Masjid, maior mesquita da Índia. Localizada em Délhi
  • Existem stepwells (poços com escadas) GIGANTES. Os stepwells eram muito usados no passado como reservatório de água, hoje em dia são mais atrações turísticas. Assim como os ghats, os stepwells tem uma arquitetura fascinante!
DSC_0349.jpg
Stepwell de Jodhpur

Cidades com stepwell: Gandhinagar (Gujarat), Johpur (Rajastão), Jaipur (Rajastão).

Mas por outro lado…..

DSC_0736.jpg
Lago seco em Ahmedabad. Os indianos me disseram que esse lago costuma encher com a chuva durante as monções. Não aconteceu no ano que morei lá.

No verão seu corpo pede para se hidratar toda hora já que a temperatura fica variando ao redor de 40ºC. Uma curiosidade é essa embalagem de água muito comum de se ver, o water pouch (bolsa d’água), parecido com aqueles sacos de leite, só que de água. São ridiculamente baratos.

pouch.jpg

  • Apesar de não ter conta de água, é muito comum que determinados bairros e comunidades fiquem sem água durante parte do dia (na maioria, comunidades de baixa renda).
  • Os indianos não sabem nadar (!!!), talvez por falta de estrutura e é comum casos de pessoas morrerem afogados em praias ou lagos. Exemplo: Quando visitei o stepwell de Jodhpur (fota lá em cima), uma pessoa morreu afogada na semana anterior.

Cheguei a ver algumas vezes a seguinte cena em rios ou na praia: um indiano no raso dando o braço pra um amigo no fundo pra garantir que ele não vai se afogar.

  • Apesar de algumas tradições hindu estarem ligadas à água, assim como o lixo, os indianos não têm noção de limpeza. Então, em festivais como o Ganesh Chaturthi (muito tradicional em Mumbai) que é celebrado agora entre agosto e setembro, imagens gigantes de Ganesha são feitas e caminham pelas multidões (igual bloco de carnaval) cantando músicas e mantras até serem levadas à rios ou praias, para afundar e desintegrar na água, onde acredita-se que Ganesha volta para seu pai, Shiva, que vive nas montanhas dos Himalaias.

O problema é depois, quando os lagos e praias ficam sujos com as imagens de Ganesha e sujeira da cerimônia.

Conclusão

Por um lado, a água parece ser abundante, na mesa dos restaurantes, nas bombas públicas, sem conta de água nas casas e nas cerimônias religiosas. Mas a verdade é que os indianos tem pouco intimidade com ela, só chove durante 3 meses do ano, falta água em muitos lugares, poucos indianos sabem nadar e eles não têm consciência de manter água limpa.

Éé… Como disse, a relação entre os indianos e a água é uma moeda de dois lados. 

Têm algumas perguntas e curiosidades clássicas sobre a água na Índia que pontuei e achei interessante esclarecer. Bora lá:

Verdade ou mito?

1. Tomar água da torneira nem pensar né?

Verdade. A água não vem filtrada pra torneira dos lugares.

2. Não pode escovar dente com água da torneira?

MITO! Pode sim, fique tranquilo. Não precisa dessa paranóia toda. O máximo que pode acontecer é você engolir um pouco de água e creio que você precisa de enormes quantidades para ficar mal.

3. Dá pra aceitar água servida de graça nos restaurante? Pedir gelo nem pensar, né?

Olha, creio ser relativoEvite tomar água de restaurante bem fuleiros, os arrumadinhos dá pra tomar sim mas depende do seu nível de frescura. O mesmo vale pro gelo, mas já adianto: você vai ver pouco gelo na Índia, nem cerveja, eles tomam gelada.

Uma coisa interessante que se vê bastante nos restaurantes lá, é isso:

IMG_6600.jpg
Separação de torneira de água filtrada e torneira de água não filtrada para lavar as mãos

4. Não pode tomar água das bombas de água pública né?

Verdade. É a mesma água que chega na torneira. Não arrisque.

5. Ouvi dizer que tem um “golpe” que vendedores enchem garrafas com água da torneira. Precisa conferir se garrafas d’água estão lacradas? 

MITO! A maioria das garrafas na Ásia (em geral) vêm com um lacre, mas sinceramente isso não é algo que exige preocupação. Se preocupe em não pagar mais de 20 rúpias em uma garrafa grande! Rs!

6. E o water pouch, dá pra confiar? É plastico né? Será que é limpo?

Pode confiar sim. Assim como as garrafas, a água dos pouch também é filtrada e nunca ouvi falar de ninguém que passou mal por causa de sujeira da embalagem. Claro que se estiver suja, vale a pena limpar.

ESCLARECENDO: Água filtrada não tem gosto, água suja tem. Você vai saber diferenciar logo na hora e o que pode acontecer caso você tome um copo ou mais de água não filtrada é sentir seu estômago dando uma reclamada e talvez tenha um mal estar por parte do dia. Morei em um apartamento sem água filtrada e muitas vezes bebia água da torneira com preguiça de ir comprar no mercado, rs! Não é nada absurdo assim, apesar de não indicar para quem está viajando já que dependendo do seu organismo, pode prejudicar sua viagem. Mas não é nada comparado com o perrengue que é intoxicação alimentar. O foda era tomar aquela água de ressaca! Rs!

7. E aquele rio famoso?! É bem poluído né?!

Ahhh… Você deve estar pensando no Rio Ganges em Varanassi, né?! Esse aqui:

DSC_0850.jpg

Vou escrever sobre ele mais pra frente……

Caso tenham mais alguma dúvida, mandem nos comentários!

E quem já foi pra Índia?! Tem alguma cidade com bomba de água ou stepwell que deixei passar? Já foram no Ganesh Chaturthi? Gostariam de acrescentar algo?

O Cosmopolita

Desmistificando a comida indiana 3/4: As 11 principais comidas de rua

Beleza, no post passado desdobrei as principais comidas indianas mas muita gente que foi pra Índia deve ter pensado: péra… tá faltando coisa aí! Cade o street food????

Viajando a low cost e/ou para mergulhar na cultura local, é interessante comer na rua (e não estou falando de food truck!!!). Então vou listar aqui as principais comidas indianas que se vendem na rua. Ou seja, os principais street food.

Claro que assim como disse no post anterior, a Índia é muito grande e a gastronomia varia também. Então fiz essa lista de acordo com minha experiência, lugares que passei e pesquisas na internet. Bora lá:

1) Samosa

Samosa é o mais clássico, está em toda Índia. Samosa é um salgado feito de uma massa recheada com batata temperada com vegetais. Tem esse formato de triângulo e é “gordinho” de recheio.

As samosas são fritas e como indiano exagera no óleo, em determinados lugares ou situações, não cai bem.

2) Pani puri

O pani puri tem que estar no top 3 também, ele está por toda a parte.

O pani puri é tipo um biscoito de polvilho servido com um tempero verde (temperatura ambiente).

Na rua, costuma ser vendido nessas barraquinhas:

O pani puri é servido em uma cumbuca descartável de alumínio onde você vai pegando quantos quiser, o tiozinho vai jogando o molho em cima e no final você paga a quantidade total de biscoitos que comeu.

Eu via bastante gente comendo pani puri no intervalo do trabalho e por algum motivo é rotulado como comida de mulher. Não consegui descobrir o motivo.

3) Momos

Comida originalmente tibetana que se espalhou pelo Nepal e norte da Índia, então quem viaja entre Delhi, Varansi, Rajastão e Himachal Pradesh, vê muito momo na rua.

O momo é um salgado feito de um massa que pode ser nesse formato de bolinho (que parece um suspiro) ou “pastel” recheado com repolho, cenoura, pimentão, cebola, alho e feijão verde servido com um molho apimentado. Também tem momo de frango.

(O recheio é frito e depois de colocado na massa é cozido à vapor)

4) Vada pav

O vada pav, apesar de não ser tradicional na Índia inteira, é MUITO tradicional em Mumbai. Então, quem for pra lá, provavelmente vai ver esse salgado na rua que nada mais é do que um sanduíche de purê de batata com coentro à milanesa servido com  um molho de pimenta.

5) Veg puff

Localizado próximo das samosas nas lanchonetes, o veg puff nada mais é do que um folheado de vegetais como cenoura, ervilha e batata.

6) Pakora

Também na sessão de frituras nas lanchonetes, está o pakora que nada mais é do que salgadinho de vegetais a milanesa, sendo os principais de cebola, espinafre e couve-flor:

7) Amendoim, salada de amendoim (peanuts salad) e nozes

Outra comida de rua que está por toda a Índia.

São vendidos em carrinhos que o cara já deixa uma boa porção esquentando e servido à mão em cones dobrados de páginas de revistas ou jornais. Isso mesmo, jornal! Hahaha… A falta de higiene é gritante… Mas os amendoins continuam deliciosos! Haha!

A salada de amendoim (peanuts salad) é uma porção de amendoim com alguns vegetais como tomate, cebola e coentro podendo ser servido no cone de jornal ou nessas cumbucas de alumínio. Também mais comum no norte da Índia.

8) Poha

SIM!!! Essa comida gera muita piada entre os brasileiros pelo seu nome! HAHAHA!

Mas essa poha da Índia (rs!) é um arroz achatado que é muito comum ser vendido na rua servido em pequenas porções com amendoim e vegetais.

9) Barraca de ovo

Também estão por todo lugar. Eles fazem ovos de todo o tipo, cozido, frito, etc… Lembrando que como escrevi na parte 1 dessa série de posts, ovo é rotulado como “non-veg” na Índia.

10) Sanduíche vegetariano (veg grilled sandwich)

Famoso sanduíche natural feito nos George Foreman grill da vida, com a diferença que eles colocam green chili, claro.

11) Pipoca!

Nenhuma novidade. Afinal, quem não gosta de pipoca?

Mas confesso que fiquei levemente surpreso por ver pipoca sendo vendida nas ruas da Índia e duas coisas me chamaram a atenção:

  1. Eles fazem a pipoca e ela fica ali… Imagino que muitas vezes deve ser vendida murcha. E também vendem pipoca já estourada em sacolinhas nos mercados (wtf?).
  2. Cheguei a ver várias vezes em templos, pipoca como oferenda para os deuses hindu.

Chegamos ao fim

É isso aí meus caros, está aí a lista das 11 principais comidas de rua da Índia de acordo com O Cosmopolita. Claro que também poderia entrar nessa lista o pav baji e dosa mas como na maioria das vezes eles são vendidos em restaurantes como refeição completa, acabei agrupando no post anterior.

O Cosmopolita, você recomenda comer street food? E quanto à intoxicação alimentar?

Como grande parte dos estrangeiros pegam intoxicação alimentar (de vários níveis) na Índia, é bem provável que se pegue de qualquer jeito devido à falta de higiene (até nos restaurantes), quantidade de óleo usado no preparo das comidas e temperos fortes que você não está acostumado como os chillis.

Claro que com 1 ano de Índia e umas 3 intoxicações no currículo eu já estava comendo de tudo, conforme você vai pegando intoxicação, seu organismo vai calejando e já dá pra ir arriscando certas comidas.

Mas chegando do zero para visitar a Índia, de acordo com minha experiência sugiro o seguinte: 

  • Dê uma analisada na higiene da barraquinha, lanchonete ou o que seja para ver se tem algum nível de higiene para aquele tipo de comida.
  • Cuidado com o exagero nas frituras como samosa, pakoras e vada pav. Seu paladar pode gostar muito dessas comidas mas se você não tiver acostumado, vá de leve. Se essas comidas vierem pingando óleo, pense bem…
  • Cuidado com os temperos que acompanham a comida. Esses chilis de todo o tipo podem te fazer mal.
  • Pani puri: Experimente um e veja se seu paladar gosta e se vale a pena continuar comendo mais. Eu, particularmente não gosto, achei suspeito o molho com temperatura ambiente
  • Amendoim no jornal: Não é higiênico e tem certos riscos, mesmos que pequenos. Então, cara. Vai bem de você e do seu nível de frescura…
  • Selo “O Cosmopolita” de aprovação: momos, veg puff, poha (rs!), veg grilled sandwich (principalmente!!!), e claro, pipoca. Nesses, pode ir fundo! Minhas primeiras 2 semanas na Índia foram à base de veg grilled sandwich e Subway!

 

Certo?! Bom apetite! Com cautela, claro! Rs

O Cosmopolita

 

Desmistificando a comida indiana 2/4: os principais pratos indianos

Dando sequência à primeira publicação da série “desmistificando a comida indiana”, vou desdobrar aqui os tipos de comida indiana, os principais pratos e algumas curiosidades. Claro que a Índia é tão grande quanto o Brasil e a culinária varia bastante, então vou de acordo com o conhecimento que tive durante a minha experiência na Índia.

Então vamos lá, quando você vai em um restaurante na Índia, o menu costuma estar dividido em “North indian food“, “south indian food” e “chinese food“:

North indian food

O “north indian food” basicamente é o roti (chapati) com gravies (curry), esse é o “arroz com feijão” indiano, o prato clássico e básico.

Roti (ou chapati) é essa massa de trigo:

chapati.jpg

Gravy (ou curry) é um nome genérico para molho.

Os curries são basicamente vegetais cozidos e depois amassados (igual purê) e fritos com tempero. Sendo 3 dos principais: paneer butter masala, palak paneer e aloo matar:

Tá, legal! MAS COMO COME ISSO?!

Primeiramente é importante mencionar que os indianos comem com uma mão só, a direita!

Agora vamos lá, tutorial:

Passo 1: Se apoia o dedo indicador no chapati para cortar a massa puxando com o dedão e o dedo do meio:

comocomer1.jpg

Passo 2: cortado o chapati, se dobra o pedaço no meio.

comocomer2

Passo 3: Mergulha ele no curry como uma colher.

comocomer3

Além do chapati com curry, também tem o THALI que é a refeição completa! Costuma vir 2 chapatis, 2 curries diferentes, (normalmente o paneer butter masala e o palak paneer), arroz, butter milk pra amenizar a pimenta e um doce pra finalizar.

IMG_5642.JPG
Thali completo. Detalhe no copo d’água que vem de graça como disse no post anterior

Morei no estado de Gujarti que é muito famoso pela comida e não posso deixar de mencionar que lá eles têm o gujarati thali, que é um rodízio de thali com uma grande variedade de comida e os garçons não param de encher seu prato! Você praticamente sai rolando do restaurante! Rs!

Não tem como falar de north indian food sem falar do tiffin. Como qualquer cidade indiana tem mais de 1 milhão de habitantes, as pessoas costumam morar longe do trabalho e costumam levar comida de casa para o escritório. É aí que entra o tiffin, que está para a marmita assim como a Índia está para o Brasil.

O tiffin é um conjunto de cumbucas de metal que se encaixam empilhadas, onde os indianos transportam comida de casa para comer. Como a comida indiana não dá para misturar em um prato só, aí a necessidade de várias cumbucas:

Costuma levar no tiffin, principalmente chapati dobrado, aloo matar e arroz.

Além disso, existe o “tiffin service“, que entrega esse tipo de comida nos escritórios.

South indian food

A região sul da Índia é formada pelos estados de Tamil Nadu, Kerala, Andhara Pradesh e Karnataka que é uma região cercada pelo litoral. O que reflete no estilo de vida e também na comida.

No norte da Índia, o “south indian food” pode ser resumido em dosa. Bem mais leve que os roti com curry, a dosa é uma massa leve e dura, feita de arroz recheada com batata, queijo granulado e costuma ser servida com 2 molhos (branco e vermelho).

A dosa pode ser feita no formato de triângulo ou enrolada:

A dosa tem diversas variações e existem restaurantes que só cozinham dosa.

Além da dosa, também tem a versão “south indian” do thali, que variam os ingredientes sendo as principais diferenças que senti é a troca dos chapati por arroz e bastante presença de coco como ingrediente. E sim, os indianos comem arroz com a mão (essa técnica eu não tive oportunidade de desenvolver).

Em alguns restaurantes tradicionais, o south indian thali costuma ser servido em uma folha de bananeira.

souththali.jpg

Chinese food

De acordo com um chinês que fiquei amigo na Índia, o que eles chamam de chinese food não tem muito a ver com a comida da China. Então estaria mais para “indian chinese food”. Tudo bem, a questão é que esse tipo de prato também está por todo lugar na Índia.

Chinese food na Índia pode ser resumido à arroz/miojo frito misturado com vegetais. Isso mesmo, miojo é prato vendido em restaurante não só na Índia como no sudeste asiático também.

Uma curiosidade é que a marca Maggi é tão forte no segmento de miojo na Índia ao ponto de ser muito comum os indianos chamarem miojo de Maggi.

Um acompanhamento clássico do chinese food é o manchurian! Que nada mais é do que bolas (tipo almôndegas) fritas de umas mistura de cenoura, repolho, pimentão e cebola.

No chinese food costuma vir porções pequenas mas eles usam muito óleo, então possa ser que caia de uma forma pesada.

Pav Bhaji

pav.jpg

Também muito comum nos restaurantes, o Pav Bhaji nada mais é do que um curry de batata, couve-flor, cenoura, ervilha, tomate e pimentão servido com pão de leite, o qual eles comem igual o chapati, cortam o pão e mergulham no curry. Apenas com a mão direita, claro.

Biryani

veg biryani super.jpg

O arroz biryani pode soar estranho à princípio para os brasileiros já que estamos acostumados a comer arroz com acompanhamento separado e o biryani vem um pratão “só” de arroz mas o fato é que o biryani é uma refeição completa.

Junto com o arroz cozido (não frito, como no chinese food), vai uma série de vegetais cozidos como batata, repolho, ervilha e cenoura. Mas o que torno o sabor do biryani diferenciado é que também é adicionado castanha e coentro.

O preço

Ahh… Já disse que a comida é ridiculamente barata na Índia????

Olha só:

Cheese masala dosa: 80 rúpias =  R$4

Pav bhaj: 105 rúpias = R$5,25

Veg fried rice: 110 rúpias = R$5,50

Fried manchurian noodles: 110 rúpias = R$5,50

Thali: 170 rúpias = R$8,50

Paneer butter masala + 2 chapati:  220 rúpias = R$11

 

Ok, O Cosmopolita, mas e a carne????

Os carnívoros fervorosos têm dificuldade de se adaptar à Índia por causa da comida. Vi alguns brasileiros e caras de países muçulmano como o Egito reclamarem muito da falta que a carne faz.

De fato, é uma mudança de hábito que pode ser difícil para muitos mas na verdade, pode-se encontrar restaurantes que fazem curry com frango, peixe e carneiro (eu não recomendo o peixe). Porém, deve-se tomar cuidado já que esses tipos de carne podem ser servidos meio cru, dependendo do lugar.

Além disso, em bairros de muçulmanos, existem restaurantes que vendem frango frito, assado e também há açougues (que carecem de higiene) que matam o frango na hora para você.

“E como você consegue ficar sem comer McDonald’s??”

Aquela pergunta que eu não sei se rio ou se choro.

Fiquem tranquilos, meus caros. Fiquem tranquilos.

Lembro até hoje de uma aula de marketing do segundo ano da faculdade que o professor estava ensinando sobre como as empresas têm que se adaptar às diferentes culturas e citou o fato do McDonald’s na Índia ter que adaptar o menu sem carne bovina.

Então é isso, meus caros. Com um menu de frango e peixe, o McDonald’s na Índia tem uma variedade de hambúrgueres e wraps. Apimentado, claro.

Além do Mc, também estão por toda parte na Índia o KFC, Subway e Dunkin’Donuts. Todos com cardápio com frango. Então ocidentais, fiquem tranquilos.

A experiência do O Cosmopolita

Tenho uma teoria que a relação dos estrangeiros com a comida indiana passa por 3 fases: 

1) Food poison (intoxicação alimentar):

Assim como grande parte dos estrangeiros, peguei food poison no meu primeiro mês de Índia. Isso porque os indianos não tem muita higiene na hora cozinhar, usam temperos fortes, MUITO ÓLEO e em casa de família, é comum comer gelada, a sobra de outra refeição.

Como melhorar de food poison: coma apenas comida ocidental, peça macarrão nos restaurantes, vá no Subway, cozinhe em casa. Cerca de uns 5 dias depois de ir muito ao banheiro, passa.

2) Adaptação: depois de melhorar do food poison, pouco a pouco se vai perdendo o trauma com a comida indiana e começa a se arriscar uma ou outra comida. A pimenta é muito forte e os sabores muito diferentes, então leva um certo tempo para criar gosto pela coisa… Até que:

3) Amar: … Até que você passa a amar comida indiana e chega a ficar com água na boca quando sabe que está indo almoçar um paneer butter masala e fica triste quando vai embora da Índia sabendo que vai ter que caçar restaurante indiano no Brasil.

“Não confie em pessoas que vão para Índia e não gostam de comida indiana” pensei comigo escrevendo esse post.

Conclusão sobre a comida indiana

É muito barata, muito apimentada, você provavelmente vai pegar intoxicação alimentar mas depois de pegar o gosto… VAI AMAR!

Sugestão do O Cosmopolita

Como pode-se perceber de acordo com esse e o post anterior, é difícil ser carnívoro na Índia então proponho o seguinte: dê uma chance ao vegetarianismo na Índia. Tem tanta comida gostosa e é tão fácil ser vegetariano na Índia. Ou então, coma pouca carne.

Vi muitos mochileiros fazendo isso e acho que é uma experiência interessante.

(Quem tiver interesse em saber mais informações sobre a culinária indiana tem uma série no Netflix chamada “Raja, Rasoi aur anya Kahaniyan” com 11 episódios de 45min que detalha mais a culinária indiana)

O Cosmopolita