Os principais deuses do hinduísmo (parte 2/3): Vishnu, seus avatares e Hanuman

Dando continuidade a parte 1 desse post, já falei de Brahma, Shiva e sua família. Seguindo com os 3 deuses da Trimurti, sobrou Vishnu:

Vishnu

Vishnu significa a essência que está em tudo e todos. Ele só é citado em apenas 5 hinos dos Vedas escrito à 2000 A.C., onde diz que ele mora no lugar para onde vão as almas e ele protege e separa o céu e a Terra.

Assim como Shiva e Ganesha, Vishnu só ficou popular posteriormente. O “vishnaísmo” só surge nos textos Puranas, como o Mahabharata (que contém o famoso Bhagavad Gita) e  o Ramayana, datado de 500 à 100 A.C.

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Vishnu é representado com uma serpente com várias cabeças mas sua marca registrada é estar segurando em uma das mãos, um disco, e em outra, uma concha. Essa é a forma mais fácil de identificá-lo, veja essa imagem abaixo:

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Estátua de Vishnu no museu de Bangkok, na Tailândia. Atenção no disco e na concha. Apesar da Tailândia ser um país budista, era hindu antes disso e portanto, tem muitos artefatos hindus

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Assim como os deuses que apresentei na primeira parte deste post, Vishnu também tem uma esposa, Lakshmi, e frequentemente eles são representados dessa forma:

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Imagem de Vishnu no Iskon Temple de Delhi

Deusa da fortuna e prosperidade, Lakshmi é citada uma vez nos Vedas e faz parte da tríade de devi’s (deusas) chamada tridevi que tem um dos livros Upanishads dedicado só pra elas, a tríade é formada também por Parvati (citada na parte 1 desse post) e Saraswati.

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Pesquisei o significado de Lakshmi estar lavando (ou massageando) os pés de Vishnu e achei diversas explicações diferentes. Como disse anteriormente, assim como a Índia, o hinduísmo também é caótico e muita vezes tem diversas interpretações de algo então fica difícil achar uma “certa”.

O que achei interessante é que em todas as explicações reforçava que essa questão não tem relação com o sistema patriarcal e machismo mas sem dúvida, reflete a sociedade indiana (que é muito machista), principalmente da época, já que se fala nesses deuses antes mesmo de Cristo.

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Vishnu dormindo, praticando o yoga nidra, o yoga de relaxamento profundo. Detalhe nas cobras acima da cabeça e Lakshmi ao lado de seus pés. Ruínas de Mahalipuram, Tamil Nadu, esculpidas entre os sécs. XI e XII

Conceito de avatar

Avatar é uma palavra do sânscrito que significa uma encarnação de um deus na Terra. Assim como Jesus é filho de Deus e veio para espalhar as palavras de Deus, os deuses do hinduísmo também encarnam na Terra, até mais de uma vez, com um determinado propósito.

Curiosidade: Mas o que o filme e o desenho chamados “Avatar” têm a ver com isso?

No filme Avatar, o personagem principal assume através da tecnologia, um corpo de alienígena do planeta que está sendo explorado. Já no desenho da Nickelodeon, o personagem principal é uma alma com determinados poderes mas ele não é um deus encarnado e não está livre do samsara, o ciclo de encarnações. Ambos tocam na questão de corpo ou encarnação mas nenhum dos dois segue o conceito hindu de avatar.

Entendido o conceito de avatar, Vishnu teve 9 avatares, dos quais 2 são os mais estudados dentro do hinduísmo: Krishna e Rama. Vou falar sobre 4 deles, começando com Narasimha:

Narasimha

Não tem como falar dos avatares de Vishnu e não falar de Narasimha, afinal a ilustração dele matando um demônio com as garras chama muita atenção nos templos e ruínas:

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Imagem de Narasimha matando demônio, do templo Iskon de Delhi

Descrito como tendo cabeça de leão e corpo de homem, Narashimha é o quarto avatar de Vishnu.

Em um de seus avatares anteriores, Vishnu matou um demônio chamado Hiranyaksha. O irmão desse demônioHiranyakashipu (sim, essas nomes são muito difíceis!) era muito ambicioso e determinado. Então, ficou durante muito tempo meditando em nome de Brahma até que ele o atendesse com um pedido.

O demônio queria ser imortal, mas como ele era uma criatura mortal e Brahma não podia dar imortalidade à ele, o demônio fez meio que uma charada: pediu que não poderia ser morto por nenhuma entidade criada por Brahma (o criador), não poderia ser morto nem de dia, nem a noite, não poderia ser morto nem dentro, nem fora de nenhuma residencia, não seria morto por nenhum demônio, semideus ou animal, não poderia estar no chão, nem no ar, nem em nenhuma das quatro direções.

Brahma concedeu seu pedido e o demônio ficou tão poderoso que conquistou o submundo, a Terra e o céu e todos tinham que se submeter a ele. Porém, quando Hiranyakashipu estava meditando para Brahma, seu filho Prahlada nasceu e foi criado por um brahmin (sacerdote hindu) que o educou para ser devoto de Vishnu e cantava para Vishnu sempre, deixava seu pai furioso e insistia em não abandonar sua fé.

Hiranyakashipu mandou matarem seu filho Prahlada de diversas formas mas sua fé era perfeita e Vishnu sempre o ajudava.

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Mesma imagem de Narasimha matando o demônio, na Ellora Caves em Aurangabad, feita entre os sécs.VII e X

Em um certo dia, Hiranyakashipu mandou Prahlada abandonar sua fé, caso contrário ele mesmo iria matá-lo naquele momento. Prahlada não se intimidou e Vishnu se manifestou como Narasimha, saindo de uma das pilastras e lutaram até o final da tarde.

Já não era dia ou noite, Narasimha que não era nenhuma criatura criada por Brahma, animal, demônio, humano ou semideus, sentou-se no meio da abertura da janela, onde não se pode dizer que está dentro, que é o mesmo lugar onde não se pode dizer que está fora. Colocou Hiranyakashipu em seu colo, onde Hiranyakashipu não estava no ar, nem estava no chão, muito menos estava virado para qualquer uma das quatro direções (voltava-se para cima), e então, tendo quebrado todas as condições da benção de Brahma, o estripou com suas garras.

Rama

Sétimo avatar de Vishnu, Rama é muito admirado por ser uma pessoa de conduta exemplar. Tem um livro inteiro chamado Ramayana (com edições de 500 e 600 págs) que é dedicado à sua história, contando sua epopéia mitológica em versos e de fato é muito interessante.

Vou dar uma atenção a mais para Rama para contar sua história aqui:

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Rama nasceu em uma cidade no norte da Índia chamada Ayodhya, no estado de Uttar Pradesh (“UP“), próximo à Delhi e ao Nepal. Filho do rei e com 3 irmãos, entre eles, Lakshman, que será seu fiel escudeiro durante toda a vida. Rama foi educado com os Vedas e treinado para ser um guerreiro onde desenvolveu suas habilidades com arco e flecha, característica muito forte dele. Rama também é descrito como uma pessoa reservada.

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O torneio pela mão de Sita: o arco de Shiva

O rei de uma região que era chamada de Mitila, no norte da Índia propôs um torneio pela mão da princesa Sita, ganhava quem conseguisse levantar e armar o arco de Shiva. Vários príncipes da região compareceram ao torneio mas o arco era muito grande e pesado. Rama levantou o arco e na hora de armá-lo, quebrou o arco, ganhando o torneio.

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Rama com o arco quebrado em mãos, Sita e o rei de Mitila ao fundo

Na tradição indiana, quando um casal casa, a mulher se muda para a casa do marido. Então, Sita volta com Rama para Ayodhya. Sita é vista como um avatar de Lakshmi.

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Estátua de Rama em Rishikesh, a “capital do yoga”. Detalhe no arco e flecha

O exílio de Rama:

Rama era muito querido em Ayodhya e seria coroado rei. Mas uma das esposas de seu pai, chamada Kaikeyi,  influenciada por terceiros, fez com que isso não acontecesse.

Kaikeyi tinha cuidado dos ferimentos do rei no campo de batalha durante uma guerra e prometeu realizar 2 favores para ela que até então nunca tinha pedido. Kaikeyi então pede para que o rei nomeie seu filho (e irmão de Rama) Bharata rei e que Rama seja exilado nas florestas por 14 anos.

Contra a vontade de seu pai e do povo de Ayodhya que tinha grande carinho por Rama, ele parte para seu exílio com Sita e seu irmão Lakshman, sem rancor algum de seu pai pela decisão.

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Rama foi então com sua esposa e seu irmão viver em ashrams (“lugar onde vive um guru”) nas margens de um rio entre os estados de UP e Madhya Pradesh onde viveram de forma humilde no meio da natureza.

O sequestro de Sita:

Os três migraram para a região de Panchavati, próximo a Mumbai. Foi quando irmã do demônio Ravana ficou cativada por Rama, e disfarçada de uma bela mulher, se ofereceu em casamento para Rama. Rama disse já ser casado com Sita, então Shurpanakha, a demônia(?), ataca Sita. Lakshman, para protegê-la, ataca a demônia, cortando seu nariz fora (espero não ter complicado com tantos nomes!)

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Panchavati, no estado de Maharashtra

Ravana, o demônio, vai em busca de Rama para vingar o ocorrido com sua irmã mas fica atraído por Sita e a sequestra. Rama e Lakshman partem em busca de Sita até que encontram Hanuman e os varanas, raça de macacos humanóides da mitologia hindu.

Os varanas habitavam uma montanha chamada Rishyamukha onde acredita-se ser em Hampi, no sul da Índia.

Rama ajuda o rei dos varanas a retomar o seu reino e este em troca, promete ajudar a encontrar Sita. Grupos de varanas são enviados por toda a Índia até que o grupo do sul, liderado por Hanuman, descobre que Ravana morava no reino de Lanka, que hoje é a ilha de Sri Lanka.

Hanuman

Não dá pra falar de Rama sem falar de Hanuman. Além de Vishnu, Shiva também teve avatares, sendo um dos mais relevantes, Hanuman.

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Estátua de Hanuman no templo de Batu Caves em Kuala Lumpur na Malásia

Shiva encarnou como Hanuman para auxiliar Rama a derrotar Ravana. Durante a história, Hanuman demonstra o poder de mudar de tamanho e também de voar.

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É muito comum nas imagens, Hanuman estar abrindo o peito e dentro dele a figura de Rama e Sita. Isso aconteceu quando ele rejeitou um colar de diamentes de Sita e mostrou que o que importava para ele era carregar os dois no peito.

A chegada à Sri Lanka:

Rama queria não só libertar Sita como o povo escravizado pelos demônios e por isso precisava atravessar o mar até Sri Lanka com o exército dos varanas. Sem saber como atravessar, Rama faz preces para o deus do mar que lhe diz que para fazer uma ponte de pedras com seu nome escrito porque dessa forma suportaria o peso de qualquer criatura viva.

Curiosamente, existe de fato uma conexão de 50 km de pedras de calcário que liga o sul da Índia ao Sri Lanka que varia até 10m de profundidade, o que torna impossível andar da Índia ao Sri Lanka hoje em dia mas dizem ter sido possível até o séc. XV. Essa conexão é chamada de ponte de Adam e também é conhecida como ponte de Rama.

Hanuman vai aos Himalaias:

Outra parte interessante dessa história é que em determinado momento da guerra, grande parte dos soldados a favor de Rama estão machucados, então se pede a Hanuman (que tem a habilidade de voar e de mudar de tamanho) para ir à uma montanha nos Himalaias chamada Dronagiri já que lá tem uma planta medicinal capaz de curar ferimentos.

Hanuman vai e volta com a montanha inteira! Essa montanha existe de verdade e só a título de curiosidade, um vôo do Sri Lanka até o aeroporto mais próximo da montanha Dronagiri dura cerca de 6h30.

Final feliz:

Desculpa pelo spoiler mas assim como esperado, depois de uma longa batalha, Rama mata o demônio Ravana, a guerra é vencida e  Sita resgatada. Depois da guerra, Rama, sua esposa e seu irmão voltam para Ayodhya onde Rama é coroado rei e vivem felizes até o final de suas passagens.

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Rama derrotando Ravana

Toda a história do livro do Ramayana está muito bem ilustrada nesse desenho:

 

A ponte Lakshman Jhula

Lakshman, esse nome é bem familiar pra quem já foi pra Índia né?

Jhula significa “ponte” em sânscrito, então “a ponte de Lakshman” é a ponte mais famosa de Rishikesh (a “capital do yoga”) e que atravessa o rio Ganges, que separa a cidade foi construída em 1929 e acredita-se que Lakshman atravessou o Ganges por cipós aproximadamente naquela altura.

3ª e última parte desse post

No próximo post vou falar de Krishna, Buda, os demônios e esclarecer algumas dúvidas pertinentes sobre os deuses do hinduísmo.

Até a próxima!

O Cosmopolita

 

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Os principais deuses do hinduísmo (parte 1/3): Trimurti, Brahma, Shiva e Ganesha

Retomando as publicações sobre espiritualidade na Índia depois desse post. Pensei em começar por diversos pontos mas é inevitável começar com um post esclarecendo quais são os principais deuses do hinduísmo já que vou acabar citando eles.

O hinduísmo é uma religião politeísta, ou seja, se acredita em mais de um deus. Na verdade, além dessa religião ser famosa por considerar a vaca sagrada, tem uma conta que chega em 330 MILHÕES DE DIVINDADES!!!!!! Para ter uma noção, o Brasil inteiro tem 207 milhões de pessoas. Ou seja, tem mais deuses no hinduísmo do que pessoas no Brasil.

Mas afinal quais são os principais deuses?

Trimurti

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Bom, toda a questão da vaca eu já desdobrei aqui e Trimurti é a trindade de 3 deuses hindus: Brahma, Vishnu e Shiva, que representam respectivamente a criação, a conservação e a destruição.

É isso mesmo, Brahma e Shiva no oriente NÃO SÃO NOMES DE BEBIDA, e sim de deuses.

 

Mas espera… Destruição??? Como pode ser bom um deus gerar destruição?

O papel de Shiva nessa trindade é destruir para que se possa ser recriado, é o fim de um ciclo. É uma destruição positiva… Construtiva! A destruição abre caminho para uma nova criação, uma nova oportunidade… Um novo ciclo! Sem a destruição, não há recomeçoIsso pode ser interpretado como destruir uma fase ruim, destruir uma fraqueza, uma fase da humanidade… Tudo em nome do progresso. Por isso, além de ser o destruidor, Shiva também é o transformador.

Enfim, essa trindade é frequentemente representada por um ser de 3 cabeças (apesar de como vou mostrar mais pra frente, só o Brahma já tem 4 cabeças) e poucos são os templos que dedicam adoração à essa trindade como as ruínas de Elephanta Caves em Mumbai que tive a oportunidade de visitar:

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Escultura da Trimuti nas ruínas de Elephanta Cave em Mumbai

Shiva, Vishnu e seus avatares (vou explicar esse conceito na parte 2 desse post) são muito cultuados e adorados, o hinduísmo assim como qualquer outra religião tem diferentes vertentes. Vishnuísmo e o shivaísmo são as vertentes dos adoradores de Vishnu e Shiva, respectivamente. Ambas possuem muitas ramificações.

Bom, hora de falar de cada um desses três deuses:

Brahma

BRAHMA

Brahma representa a força criadora do universo, essa é sua função em todos os ciclos após a destruição de Shiva. Brahma tem 4 cabeças e é o criador dos 4 Vedas, a primeira  literatura hindu. De acordo com a mitologia, as cabeças ficam recitando os vedas.

Explicando as 4 cabeças:

Brahma é representado com 4 cabeças e de acordo com a mitologia, Brahma inicialmente tinha apenas uma cabeça e criou a partir de seu próprio corpo uma mulher chamada Satrupa com quem ficou apaixonado e criou mais 3 cabeças para vê-la onde quer que fosse. Envergonhada, Satrupa voou e Brahma criou uma quinta cabeça para vê-la nos céus. Os dois formaram um casal e Shiva cortou a quinta cabeça de Brahma após Brahma ter mentido sobre um desafio com Vishnu.

Simbolismo da imagem:

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A mala também simboliza a marcação do tempo e a água na jarra é o elemento vital, essencial para a vida

Curiosamente, com o passar do desenvolvimento do hinduísmo, a importância de Brahma caiu, sendo poucas suas passagens importantes na literatura hindu. Fazendo com que Brahma não seja adorado, é apenas aceito como a força criadora do universo.

São pouquíssimos os templos devotados à Brahma, apesar de pequeno, o mais famoso fica na cidade sagrada de Pushkar:

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Templo de Brahma, em Pushkar no Rajastão

Shiva

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Imagem de Shiva em Rishikesh, a capital do yoga

O nome de Shiva não aparece nos Vedas, a literatura mais antiga dos hindus. Porém, um deus chamado Rudra, aparece nos Vedas com as mesmas características de Shiva como ser uma divindade destrutiva e usar um touro como meio de transporte. Então, muitos estudiosos creem que ambos são o mesmo deus.

O nome Shiva aparece inicialmente na literatura “pós-védica”, no livro Shvetashvatara Upanishad escrito entre 400 a 200 A.C (vou fazer um post sobre esses livros depois), identificado como criador dos cosmos e o libertador das almas do ciclo de encarnações.

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Imagem de Shiva no Iskon Temple de Delhi

Considerado o Grande Yogi, muitos dos textos de yoga sobre as práticas e filosofia estão escritos em seu nome como o Isvara Gita (“música de Shiva”). Além disso, Shiva é conhecido por ser o deus das dualidades, ele possui características opostas e complementares, como ser o destruidor e pacificador ao mesmo tempo.

O shivismo é uma vertente do hinduísmo que acredita que Shiva é o ser supremo, ele é tudo e está em tudo. Essa vertente também tem suas divisões.

Representação de Shiva:

shiva

É possível reconhecer os deuses hindu facilmente de acordo com algumas características peculiares. Shiva, sempre está com seu tridente, um tambor, uma serpente enrolada no pescoço, água saindo da cabeça e frequentemente está meditando nos Himalaias nas imagens.

  • Tridente: chamado de trishula, o tridente de Shiva é a arma que ele tem para destruir a ignorância da humanidade. Suas 3 pontas representam a inércia, o movimento e o equilíbrio.
  • Tambor: O tambor em forma de ampulheta é chamado de damaru e representa o som da criação do universo, que no hinduísmo, brotou a partir da sílaba “ohm“.
  • Serpente: Shiva tem uma naja enrolada no pescoço, ela é a serpente mais mortal de todas, o que significa que ele dominou a morte e é imortal. No yoga, ela também representa kundalini, a energia de fogo que reside adormecida na base da coluna. Quando despertamos essa energia, ela sobe pela coluna, ativando os chakras (centros de energia), despertando um estado de consciência expandida.
  • Posição de meditação: como dito anteriormente, Shiva é um ícone do yoga e em muitas imagens ele está sentado em posição de meditação.
  • Himalaias: Muitas imagens em que ele aparece meditando, ele está nos Himalaias, especificamente no Monte Kailasha (localizado no Tibet) onde se crê que ele leva uma vida ascética (crescimento espiritual).
  • Água saindo da cabeça: O jorro d’água na verdade é o Rio Ganges. Vou contar essa história em outro post.

Além disso, outras imagens representam Shiva:

Nataraja: Senhor da dança.

 

Lingam: Shiva também é representado na forma de um lingam, que é um símbolo formado por um cilindro (pênis, energia masculina) em uma base chamada yoni (a vagina, o ventre, energia feminina). Esse símbolo está ligado à questão da fertilidade, e em muitos templos hindus, prestam devoção à este símbolo (considerem que a questão da família e de ter filhos é importantíssima na Índia).

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Família de Shiva

Assim como Jesus é filho de José e Maria, os deuses do hinduísmo também têm sua família. Shiva tem sua mulher, Parvati e dois filhos, Ganesha (famoso deus com cabeça de elefante) e Kartikeya (o deus da guerra). Portanto, Ganesha e Kartikeya são representados como crianças ou bebês em muitas imagens.

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Parvati é uma devi (deusa em sânscrito), considerada a filha de Himavat (um deus personificação dos Himalaias). Parvati também está representada na parte yoni do lingam.

Assim como o nome de Shiva não aparece nos Vedas, Parvati também não mas ela é associada as devis Uma e Ambika, citadas nos Vedas. O nome Parvati aparece inicialmente nos livros Ramayana e Mahabharata como esposa de Shiva.

Como Shiva é um deus ascético, que vive isolado em função do desenvolvimento espiritual e Parvati é a filha dos Himalaias, eles vivem nos Himalaias e ainda existe uma região específica chamada de Parvati Valley (o vale de Parvati) no estado de Himachal Pradesh (“território Himalaia” em hindi) onde fica a vila de Kasol, próximo de Manali, muito famosa pelo turismo e trilhas.

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Shiva e Parvati nos Himalaias

Reparem bem nessa foto abaixo. Na montanha que acampei, na vila de KheerGanga (onde eu contei tudo aqui), o nome do primeiro restaurante se chama “Shiva Place”, ou seja, o lugar de Shiva. Acredita-se que Shiva meditou nessa montanha durante 3000 anos.

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Kartikeya é o deus da guerra, muito cultuado na era Védica (tendo imagens nas ruínas de Elephanta Caves e Ellora Caves), hoje, ele é mais cultuado nos estados do sul da Índia e no Sri Lanka. Kartikeya é conhecido por ser um guerreiro filósofo que matou o demônio Taraka.

 

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Estátua de Kartikeya na Batu Caves em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Muitos indianos da região sul da Índia migraram para a Malásia. Essa estátua mede 42,7m sendo maior que o Cristo Redentor (30m + 8m do pedestal)

Ganesha

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Ganesha no templo Kapaleeshwarar em Chennai

Primeiro filho de Shiva e Parvati, Ganesha é considerado removedor de obstáculos. Também considerado o deus da boa fortuna, é muito comum de estar em pequenos altares em salas de escritório, para que os negócios prosperem ou os hindus cantem os mantras de Ganesha antes de reuniões/decisões/assuntos de negócios importantes.

Assim como Shiva, seus nome não está nos Vedas, as primeiras referências nos livros hindu sobre Ganesha como “o cabeça de elefante” ou “o de uma presa” aparecem no Veda Yajurveda datado de 1.200 à 1.000 A.C mas o nome Ganesha de fato só aparece no Mahabharata que acredita-se ter sido escrito entre os sécs. 900 à 400 A.C. onde é explicado o porque dele possuir apenas uma presa.

Porque Ganesha só tem uma presa?

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Ganesha escrevendo com sua presa o poema ditado por Vyasa

De acordo com o Mahabharata, um sábio Brahmin (casta dos sacerdotes) chamado Vyasa pediu para Ganesha escrever um poema que ele iria ditar. Ganesha disse que só aceitaria caso Vyasa ditasse sem interrupções/pausas. Durante o ditado, Ganesha quebrou o instrumento que estava usando para escrever, então quebrou uma de suas presas e continuou a escrever com ela.

Ascensão de Ganesha

Os Brahmins determinaram entre os sécs. VI e XIII D.C. que Ganesha seria uma das 5 principais divindades e nesse período, escreveram narrativas mais detalhadas e com mais informações sobre Ganesha nos livros chamados Puranas, como a explicação da sua cabeça de elefante. Foi nesse período que Ganesha passou a ser mais cultuado e usado em cerimônias e suas primeiras imagens só surgiram nos sécs. IX e X D.C.

Porque Ganesha tem uma cabeça de elefante?

De acordo com a escritura Shiva Purana, Shiva ficou muitos anos meditando fora de casa e em determinado momento, Parvati foi tomar banho. Antes disso, ela criou um menino, seu filho Ganesha e o ordenou que não permitisse que ninguém entrasse na casa.

Shiva, chegando em casa, sem conhecer seu filho e sendo desafiado por ele, ficou impaciente e decapitou o garoto. Quando Parvati voltou e viu o garoto morto, disse para Shiva dar vida de volta à ele. Como a cabeça do garoto tinha voado longe, Shiva trouxe a cabeça do primeiro animal que viu, um elefante, e colocou em Ganesha, trazendo-o de volta a vida.

Prefere que desenhe? Lá vai:

Por causa dessa explicação da cabeça de Ganesha, frequentemente é colocada uma imagem de Ganesha nas portas de templos e casas como proteção.

Mushika: o rato vahana (veículo) de Ganesha

No hinduísmo, os deuses possuem um vahana, que é um animal que faz o papel de meio de transporte. Por isso, muitos animais têm grande valor cultural (Escrevi sobre isso aqui).

Enfim, algo que soa estranho para nós ocidentais, é que o vahana de Ganesha, o deus elefante, é um rato! Mas na verdade, existem interpretações interessantes por trás disso.

Uma delas é que como rato é um animal sujo, que tem uma vida clandestina, ele é negativo, representa algo dominado pelo samsara (pecados da vida terrena). Ganesha, montando, guiando o rato, significa o domínio dessas tendências e uma orientação à luz interior e do conhecimento.

 Ganesh Chaturthi: o feriado de Ganesha

Uma coisa que definitivamente é valorizada na Índia são os festivais e feriados sendo um dos maiores, o Ganesh Chaturthi, um festival de 10 dias que acontece entre os meses de agosto e setembro para adorar Ganesha. Vou fazer um post só sobre festivais no futuro.

Simbolismo da imagem:

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O número de braços de Ganesha costuma variar entre 2 e 4. Em algumas imagens, ele está segurando sua presa quebrada na mão inferior direita, outras está com um gesto de proteção.

Ganesha também é relacionado ao Ohm e ao primeiro chackraMuladhara, base da espinha.

No próximo post

Na continuação desse post, vou falar sobre Vishnu, seus avatares e Hanuman, além de contar a epopéia do Ramayana.

O Cosmopolita

 

 

 

Introdução à religião na Índia

Estava ansioso para escrever sobre espiritualidade aqui. Todo mundo sabe que a Índia é um país que a religião tem um papel importante na vida das pessoas, de fato é um dos choques culturais da Índia e confesso que foi um dos motivos para eu ter me mudado para a Índia foi desenvolver meu lado espiritual.

Mas afinal, os indianos são tão espiritualizados assim?

Uma das primeiras perguntas que os indianos fazem é: “Qual sua religião?” Cheguei a ter que responder essa pergunta até em formulários. Bom, além do hinduísmo, são praticadas outras religiões na Índia e na verdade, esse país abriga várias religiões, muitas delas foram criadas lá e no Brasil temos pouquíssimas informações sobre esse assunto.

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Torres de templo hindu. Muito fácil de identificar e estão em todo lugar

Olha a porcentagem de cada religião na população indiana de acordo com o censo de 2011:

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Nesse gráfico, fica bem claro que a grande maioria é hindu, seguida dos muçulmanos que têm uma porcentagem relevante, 14% dos indianos são muçulmanos. Ou seja, a cada 10 indianos, pelo menos 1 é muçulmano. Bastante coisa, não?

Muçulmanos e hindus não se dão muito bem na Índia e existem bairros só de muçulmanos. O próprio Taj Mahal, é uma construção muçulmana, sabia? Mas não é um templo, é uma tumba! Isso mesmo, tem gente enterrada lá!

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Manhã no Taj Mahal

As outras religiões em termos quantitativos parecem irrelevantes mas não são, cheguei a conhecer alguns cristãos e ver sikhs (religião dos homens de turbantes) por toda a parte.

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Sihks, religião dos homens de turbante

Um dado curioso desse gráfico é que sim, apesar do budismo ter sido criado na Índia, apenas 0,7% da população é budista, tendo  um número menor de adeptos até do que o cristianismo!

Assim como a umbanda e o santo daime são religiões 100% brasileiras, do gráfico do começo do post tem 4 religiões indianas: o hinduísmo, o jainismo, o budismo e o sikhismo (ou siquismo).

Pensei em falar de todas aqui mas ficou um post MUUUUITO grande então resolvi que irei fazer um post para cada uma mais pra frente.

Porém, achei interessante adiantar os conceitos básicos e principais práticas que essas religiões têm em comum, principalmente o hinduísmo, jainismo e budismo.

Conceitos básicos

Tomando como ponto de partida a reencaranção, esse é o conceito que os ocidentais têm maior dificuldade de aceitar, por serem católicos/evangélicos ou ateus e é muito comum ver pessoas tratando esse tema com deboche.

Então vamos lá, levantando algumas religiões do mundo todo: católica, proteste, espírita, islã, candomblé, umbanda, hindu, budista e sikh. Apenas 3 dessas 9 religiões não acreditam em encarnação: católica, protestante e o islã. Então deixe o pré-conceito de lado e dê uma atenção aqui.

De acordo com essas religiões, estamos todos sujeitos à um ciclo de morte e renascimento chamado samsara que só é superado quando se atinge a iluminação (ou nirvana ou moksha).

Na maioria das vezes, é tido como uma condição a ser superada. Outras vezes, o termo samsara também é usado como uma forma geral para os pecados do mundo material, como se fosse o termo “Babilônia” dos rastafaris. O termo samsara também é muito usado no livro Siddhartha de Herman Hesse, autor do O Lobo das Estepes.

Ok. Mas aí você supera esse ciclo e vai pra onde?

O caminho para a iluminação é um caminho muito longo que se alcança após inúmeras vidas desenvolvendo a espiritualidade. A iluminação é a superação do sofrimento, do ego e dos apegos da vida, é um estado de total equilíbrio, pureza e paz interior. 

Alcançada a iluminação, não se encarna mais, ficando no outro plano em eterno estado de equilíbrio e paz interior.

E como alcança esse estado?

O dharma é o caminho a ser seguido, a conduta ideal para levar a vida e que leva à iluminação. Cada uma dessas religiões tem o seu dharma, um conjunto de filosofias e práticas para seguir.

Falando em conduta, tenho que mencionar o karma, que nada mais é do que a lei da atração, causa e efeito, o que você faz ou pensa terá efeito no futuro. Boas intenções geram bons frutos, más intenções geram maus frutos. Já viu isso antes? Sim, esse é o conceito básico do livro “O Segredo”.

E através de gerar karma positivo, no ciclo das encarnações, você nasce cada vez com mais condições para atingir a iluminação.

Obs: Claro que essas religiões divergem com esses conceitos, tentei explicar de uma forma básica e geral.

Principais práticas

No mundo ocidental vemos a meditação como algo muito distante. Por onde começar? Onde aprender? Que tipo de meditação seguir? Na Índia, a meditação faz parte dessas religiões e é uma forma de acalmar os anseios e ficar equilibrado (conceito da iluminação). É uma ótima prática para levar a rotina com equanimidade e consciência  (conceito do dharma).

Existem dois tipos de meditação, a com objeto e a sem objeto. A com objeto você pratica o karma, o que quer atrair. Por exemplo, meditar na gratidão, é um sentimento positivo e você certamente atrairá coisas positivas.

A meditação sem objeto é aquela idéia ocidental de meditação que não se pensa em nada. Na verdade você foca em observar sua respiração, as sensações do corpo e dessa forma, esvazia a mente de pensamentos. Uma técnica muito popular desse tipo de meditação é o vipassana, que vou fazer um post mais pra frente.

Mas a prática da meditação também não é só a idéia ocidental que temos de ficar sentado paradinho. Existem outras práticas com os mesmo benefícios da meditação como cantar mantras ou fazer yoga.

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Essa é uma prática budista em que as pessoas caminham concentradas rolando esses “prayer wheels” (rodas de reza) com o mantra “Om Mani Padme Hum” escrito em sânscrito

Mantras são poemas religiosos cantados repetidamente com o intuito de esvaziar a mente e focar na meditação. Os mantras têm mensagem positiva e também são contados com os coquinhos de um colar chamado mala. Muitos mantras usam a palavra “Ohm”.

 

Identificou algo? Pois é, é a mesma prática de rezar “Pai nosso” ou “Ave Maria” contando no terço.

Existem vários tipos de yoga, mas o hatha yoga por exemplo, aquele das posturas que vem a nossa mente quando pensamos em yoga no ocidente, é muito além de um alongamento físico. É uma forma de esvaziar sua mente prestando atenção na respiração e sensações do corpo durante o alongamento.

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Indianos praticando yoga ao amanhecer de frente para o rio Ganges em Varanasi

Para finalizar, o vegetarianismo, praticado nessas religiões é uma consequência do ahimsa, um princípio ético-religioso que consiste em não cometer violência física e verbal à outros seres.

Obs: samsara, nirvana, moksha, dharma, karma, mantra, yoga e ahimsa são todas palavras do sânscrito.

Religiões estrangeiras (islamismo e catolicismo)

Bom, voltando ao gráfico do começo do post, além das 4 religiões indianas, existe uma grande população de muçulmanos, além dos cristãos.

O islamismo chegou à Índia no séc.VII através de comerciantes árabes que chegaram através de navios nas costas dos estados de Kerala e Gujarat para fazer negócios. A partir do séc.VIII, reinos ao norte da Índia foram conquistados por árabes e turcos tendo ápice no séc.XIV, convertendo parte da população.

O cristianismo também chegou pelo mar através de comerciantes, só que portugueses (e franceses) que também foram pra Índia (lembra que eles chamaram os nativos brasileiros de “índios” porque achavam que estavam na Índia?!). Então a maior concentração de cristãos está ao sul e no litoral, nos estados de Goa, Kerala e Tamil Nadu.

Detalhe que essas são duas religiões que não admitem as outras e se impõem como absolutas. Então, quando chegando à um lugar, tende a ter grande influência devido aos esforços para converter os outros e se impor sobre as outras religiões.

Religião x espiritualidade

Apesar de todas essas religiões e termos a imagem de que os indianos são todos espiritualizados. Sinto informá-los que não, os indianos de forma geral não são espiritualizados. O Brasil é um país extremamente cristão, você acha o brasileiro, espiritualizado e/ou honesto?! Pois é…

As religiões hinduísmo, jainismo e o budismo pregam o vegetarianismo e hoje em dia, grande parte dos jovens comem carne, ou seja, não levam a religião à risca. Também apesar do hinduísmo estar por toda a parte e eu ser curioso e interessado pelo assunto, tive MUITA dificuldade de entender e conseguir explicações claras, principalmente vinda dos jovens, que manjam MUITO POUCO.

Mas pensei bem e se um asiático fosse ao Brasil com curiosidade sobre o cristianismo, creio que também teria dificuldades de ter explicações aprofundadas vindo de um jovem, não é? Afinal, apesar do Brasil ser um país cristão, pense no seu círculo de amigos, quantos têm um conhecimento aprofundado sobre a Bíblia?! Pois é…

A questão é a que as religiões estão perdendo força em todo o mundo e creio que isso é algo positivo porque dá espaço para as pessoas interessadas nesse assunto buscarem a espiritualidade de diversas maneiras e oscilarem por diversas religiões.

Não entendeu? Bom, é o seguinte: religião é um dogma e a espiritualidade aceita toda as interpretações entre as pessoas e o que pode ser divino e entende como bem vinda todas as práticas para se desenvolver como pessoa nesse sentido.

Nesse vídeo do Jornalista da Nova Era, ele esclarece melhor:

Voltando ao começo do post, quando me mudei para a Índia, tive grande dificuldade de responder a pergunta: “Qual a sua religião?”. Cada hora eu dava uma reposta diferente, haha.

Creio estar bem claro um despertar nos jovens hoje em dia para o lado espiritual, interesse em yoga, meditação, livros de budismo, espiritismo, umbanda e diferentes práticas para se espiritualizar. A espiritualidade é a religião da nova era!

A espiritualidade é um chamado pessoal e tenho um grande interesse em compartilhar essas informações aqui para contribuir com esse caminho na vida de outras pessoas!

Então aguardem, nas próximas publicações, vou desdobrar alguns deuses hindu, gurus e religiões!

O Cosmopolita

Diálogo ao nascer do sol

É muito louco isso. Voltei do trabalho 4h da manhã, varei a noite no escritório, fui alocado pro turno da madrugada nessas próximas semanas. Sempre chego em casa sem sono e fico acordado varadão até umas 7h. Fui tomar uma água e dei de cara com Udin, o cara da Indonésia que mora comigo, achei estranho porque ele só entra no trabalho mais tarde. Já havia percebido que ele tinha esse hábito matutino e foi ali, no silêncio das primeiras horas iluminadas de um dia aleatório que resolvi interrogar o cara. Aí que ele me explicou que de acordo com a religião muçulmana, é preciso fazer umas orações bem cedo, logo entramos na conversa de religião e em 10min já estávamos filosofando sobre provações de vida e a vida após a morte, interessante que tínhamos algumas opiniões em comum só que em uma perspectiva diferente.

Enfim, admiro sua determinação na espiritualidade pra acordar tão cedo pra orar, um grande exemplo e muito bom ter o cara por perto, me contagia. Voltando pro Brasil quero estar meditando todos os dias depois de acordar e antes de dormir para encarar cada situação com a mente equilibrada. Amanhã chegando do trampo já vou meditar e quando o Udin acordar pra orar eu já vou estar bem zen servindo uma água pra ele.

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Udin, em uma viagem que fizemos para o deserto de Thar, em Jaisalmer no estado do Rajastão

O Cosmopolita