“Cada quilômetro percorrido está me levando de volta ao meu reino”

O Aleph

“Não foi por acaso que tomei a decisão de viajar quando notei que minha vida não estava mais fluindo como um rio em direção ao mar (p.183). (…) As grandes lições que aprendi foram justamente aquelas que as viagens me ensinaram” p.18

Paulo Coelho

Não que minha vida não estivesse fluindo antes dessa viagem, mas queria garantir que meu rio tomasse a direção certa. Pegando um gancho no post anterior, resolvi fazer o segundo post da série resenhas de livros. O segundo livro que li nessa experiência no oriente foi “O Aleph” de Paulo Coelho.

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Paulo Coelho e como escreveu o livro

Fiquei com um pé atrás antes de fazer esse post porque Paulo Coelho é o tipo do autor que muitos amam mas muitos odeiam. Eu, particularmente, gosto das suas mensagens e esse livro não poderia cair em minhas mãos em melhor hora.

Esse livro de 2010 tem uma pegada bem parecida com o clássico O Alquimista escrito em 1988 pelo mesmo autor (um dos livros mais lidos do mundo, que por acaso já até vi vendendo aqui na Índia) já que conta toda uma história onde o personagem principal faz uma viagem, encara determinadas situações e mergulha no auto conhecimento.

A diferença é que neste livro, diferente do Alquimista, não é sobre um personagem fictício, Paulo Coelho narra uma experiência pessoal que teve (isso mesmo, o livro é sobre ele!) onde o autor se encontra em uma crise de meia idade e apesar de já ser um escritor consolidado internacionalmente, se vê estagnado e resolve fazer uma viagem que sempre teve vontade em busca de respostas e se reconectar consigo mesmo.

Nessa experiência, ele atravessa a Rússia em 2 semanas na ferrovia Transiberiana que vai de Moscou até o mar do Japão, fazendo uma turnê de autógrafos e roda de debates sobre seus livros.

A nota que justifica uma sinfonia inteira

Como o próprio autor diz, ele sai em busca do “passo que falta para chegar ao cume da montanha, a nota que justifica uma sinfonia inteira, a letra que resume o livro”.

Me identifiquei com o livro porque como disse aqui, vim parar na Índia para fazer uma espécie de sabático trabalhando, assim como Paulo Coelho no livro. E como estava (estou!) em uma transição de fases entre faculdade e mercado de trabalho, creio que seria uma boa hora para buscar aquela nota que justifica uma sinfonia inteira para entender melhor qual música deve tocar a minha vida.

A leitura

Com vocabulário simples assim como de O Alquimista, se lê devorando as 256 páginas desse livro. Em tom bem pessoal e sensível, e se tratando de espiritualidade com doses de espiritismo, budismo e xamanismo, o autor conta os eventos que desencadearam na decisão de fazer a turnê pela Rússia, e como foi a turnê estação após estação acompanhado de sua fã Hilal, jovem russa que além de violinista prodígio, é muito teimosa.

Durante a viagem, Paulo Coelho reflete sobre diversas questões, separei algumas abaixo.

As mensagens

  • O tempo

“O ser humano tem uma gigantesca dificuldade em se concentrar no presente, está sempre pensando no que fez, em como poderia ter feito melhor, quais as consequências dos seus atos, por que não agiu como deveria ter agido. Ou então se preocupa com o futuro, o que vai fazer amanhã, que providências devem ser tomadas, qual o perigo que o espera na esquina, como evitar o que não deseja e como conseguir o que sempre sonhou. (…) Não param para pensar: sou resultado de tudo o que aconteceu e acontecerá, mas estou aqui. Se fiz algo errado, posso corrigir ou pelo menos pedir perdão. Se fiz algo correto, isso me deixa mais feliz e conectado com o agora” p.16

“Aprendemos no passado, mas não somos fruto disso. Sofremos no passado, amamos no passado, choramos e sorrimos no passado. Mas isso não serve para o presente. O presente tem seus desafios, seu mal e seu bem. Não podemos culpar ou agradecer o passado pelo que está acontecendo agora. Cada nova experiência de amor não tem absolutamente nada com as experiências passada: é sempre nova” p.114

 

  • Os encontros:

“Confirmaram aquilo que eu sentia: as pessoas se encontram quando precisam se encontrar” p.127

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Cena do documentário “O Caminho a Santiago”
  • Confronto

“Saber apreciar e honrar nossos oponentes é uma atitude totalmente distinta da dos aduladores, dos fracos ou dos traidores” p.195

“Só um tolo ameaça. Só outro tolo sente-se ameaçado” P.190

“Na vingança o máximo que pode acontecer é nos igualarmos aos nossos inimigos, enquanto no perdão mostramos mais sabedoria e inteligência” p.68

  • Relacionamentos

 

“Minha opinião sobre ele começa a mudar. Deve saber algumas coisas, eu sei outras, e podemos continuar nos ensinando mutuamente (p.92). Nossas mãos unidas na fé de que podemos fazer a diferença neste mundo. Cada um colabora com uma palavra, uma frase, uma imagem” p.27

“Não estou casado há mais de duas décadas com a mesma pessoa. É mentira. Nem ela nem eu somos os mesmos, por isso nossa relação continua mais viva que nunca” p.114

  • Conflitos

“Porque então tantos conflitos? Para que o Universo caminhe. Para que o corpo se mova” p.117

  • Paz

“A arte da paz é imbatível, porque ninguém está lutando contra ninguém, apenas consigo mesmo. Vença você mesmo, e vencerá o mundo” p.131

“O caminho da Paz parece uma luta, mas não é. Ele é a arte de preencher aquilo que está faltando e de esvaziar aquilo que está sobrando” p.132

“Viver é treinar. Quando treinamos, nos preparamos para o que está adiante. Vida e morte perdem o significado, existem apenas os desafios que são recebidos com alegria e superados com tranquilidade” p.133

  • Lei da atração:

“Se buscamos alguma coisa, essa coisa também está nos buscando (p.51) (…). As coisas começam a se encaixar com perfeição absoluta quando estamos concentrados no que queremos” p.147

O Cosmopolita

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O que você está fazendo para alcançar seu sonho?

Pausa na Índia para dica de livro.

Afinal, estimular a leitura é uma causa justa. Certo?

Acho que é mais que um consenso que ler é um bom hábito. Uma pessoa precisa de inspiração, informação de qualidade e não é diferente com O Cosmopolita. Viciado em livros, trouxe muitos livros para ler nessa viagem e resolvi abrir espaço para compartilhar umas resenhas aqui. “Manual para jovens sonhadores: algumas verdades que você sempre quis ouvir” da Nathalie Trutmann é um livro para inspirar a seguir seu sonho, viajar e empreender. Todos assuntos de meu interesse.

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Comecei a ler no Brasil por indicação de uma pessoa muito querida que me deu essa versão PDF impressa e terminei nas minhas primeiras semanas aqui. Apesar de ter um pézinho de livro profissional por se falar de carreira e empreendedorismo, confesso que antes de ler, julguei ser esses livros meio bobos que envolve conceito de introdução à administração.

Engano meu. Acabou que foi um dos livros que mais me inspirou e me identifiquei 100% com a autora. Com 132 páginas, uma linguagem bem fácil de compreender e muito didático, é aquele tipo de livro que você devora.

E não teve melhor hora para esse livro cair em minhas mãos do que algumas semanas antes de me mudar para a Índia, tipo coisa do destino. Confirmei que estava no caminho certo e me motivei mais ainda para segui-lo.

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Amante de viagem, a autora conta um pouco da sua história, sua saga e obstáculos para descobrir seu sonho que é ser escritora. Nascida e criada na Guatemala, fez faculdade na Califórnia, MBA na França, já trabalhou no Sri Lanka, Nova Zelândia e hoje é casada com um brasileiro e mora no Brasil. Nathalie Trutmann é, sem dúvida, uma cosmopolita.

Ela conta como encarou aquele dilema que todos nós passamos:

o que eu realmente quero fazer da vida x o que vão pensar de mim

A autora diz que tentamos ser iguais aos outros, que também estão tentando ser aceitos e na verdade não há muito espaço para valorizar e atender as nossas diversidades. Além da falta de informação para conhecer as profissões, requer muita coragem para peitar os pais e a sociedade caso a profissão que você quer ter seja menos prestigiada ou tenha menor retorno financeiro.

“Se ainda não sabemos do que gostamos, precisamos, segundo Jobs, continuar procurando incansavelmente até descobrir a nossa paixão. Por nenhuma razão devemos nos conformar com qualquer coisa. A verdade é que nosso trabalho é uma extensão de nós mesmos, e vamos passar grande parte dos nossos dias trabalhando. Não podemos simplesmente nos conformar com algo que pague as contas” p.38

 A paixão de trabalhar com o que gosta

Ela explica melhor que eu:

“A diferença é que quem começa o caminho fazendo algo de que realmente gosta, encarando o medo e a insegurança que podem surgir, (…) desenvolve o que de mais importante podemos ter dentro de nós para conseguir realizar os sonhos: a autoconfiança de saber que, apesar de não podermos enxergar aonde a nossa decisão vai nos levar, estamos seguros de estarmos seguindo a nossa verdade, e não a verdade de alguém mais” p.41

“A única coisa que vai segurá-lo em sua jornada é a paixão pelo que faz: a felicidade e o ânimo que sente ao acordar, a emoção com cada pequeno passo que dá. (…) Isso tem um sentido, e não vai existir relógio, fim de semana ou fim do mês, já que seu trabalho é uma direta expressão de quem ele é” p.25

Para finalizar:

“Alguém que realizou seu sonho tem outro tipo de energia, de felicidade e não precisa demonstrar ou se vangloriar das suas conquistas. Alguém que conquistou seus sonhos deu o sentido para sua vida que queria dar e não se deixou influenciar pelas verdades dos demais” p.130

Ok. Onde viajar entra nisso tudo?

No livro diz que ao viajar, conhecer e entender novos costumes percebe-se que nossa forma de viver e/ou pensar são aleatórias e consequência da cultura que nascemos e carregamos.

Percebendo que certas coisas que valorizamos não valem NADA em outras partes do mundo, é que nos livramos de certas expectativas que a sociedade que nascemos nos impõe e aprendemos a ser “LIVRES para o que quisermos ser, já que tudo é válido nesse mundo tão diverso e maluco” (p.84).

O Cosmopolita