Brasileiro vai trabalhar na Índia, viaja 8 países e olha o vídeo que fez

Sim, o título é sobre exatamente a minha pessoa e o vídeo está no final da página.

Eu sei que ainda estou contando sobre a Índia aqui no blog e nem comecei a falei sobre o mochilão que fiz depois de morar lá mas a questão é que a aventura já acabou e eu preciso postar a retrospectiva disso tudo aqui.

Então vamos lá, a minha experiência em dados:

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  • Ao total foram 01 ano e 04 meses, 16 meses, saí em maio de 2016 e voltei em outubro de 2017.
  • Foram 08 meses trabalhando e 08 viajando sozinho à “low cost”.
  • Trabalhei em um call center na Índia, fiz bico em um restaurante em Auroville e fui voluntário em um hospital no Mianmar.
  • 12 pessoas passaram pelo apartamento que morei. 04 do Brasil, 01 da Indonésia, 01 da Bolívia, 01 da Noruega, 02 do Egito, 01 do Senegal, 01 da Argentina e 01 da Botswana. 04 eram muçulmanos.
  • Li Drucker, Gandhi, Einstein, Hesse e Fukuoka, nessa ordem. Ok, também li Paulo Coelho vai (vou ficar devendo as resenhas).
  • Passei por 08 países: Índia, Nepal, Tailândia, Mianmar, Laos, Vietnã, Indonésia e Malásia. Foram 11 meses na Índia, 40 dias no Nepal, 20 dias no Mianmar, 02 semanas no Laos, 20 dias no Vietnã, 03 meses na Tailândia, 25 dias na Indonésia onde passei por 06 ilhas e 03 dias na Malásia.
  • “Ganhei” 04 adesivos e 20 carimbos no passaporte.
  • Subi 01 montanha na Índia, fiz uma trilha de 08 dias nos Himalaias do Nepal e subi 03 vulcões na Indonésia.
  • Fiz 03 retiros espirituais, 02 na Índia e 01 no Nepal. 02 budistas e 01 hindu. Em um deles, fiquei 10 dias sem falar, com 09 sessões de uma hora de meditação todos os dias.
  • A meditação entrou pra valer na minha vida.
  • Parei de comer carne.
  • Reduzi drasticamente meu consumo de álcool.
  • Aprendi as principais palavras chave em hindi, aprendi a falar “oi” e “obrigado” em 04 línguas do sudeste asiático, “brinde” em algumas língua européias e me esforcei pra aprender espanhol em todos as oportunidades que tive mesmo sem nunca ter estudado, hoje já consigo interagir bem nesse idioma.
  • Conheci não só os países que passei mas pude aprender muito com pessoas de todo o mundo que cruzaram meu caminho, estando sozinho, aberto e com um olhar observador. Fiz amigos do mundo inteiro, procurei enxergar as semelhanças no próximo, respeitei as diferenças, pude entender muito das diversas culturas, problemas e características dos povos. Hoje me entendo enquanto cidadão do mundo. Enquanto latino. Enquanto brasileiro. Enquanto nativo em português brasileiro. E… Enquanto um Cosmopolita.

Ok, fiz tudo isso e saiu esse vídeo:

É… Toda esse experiência foi muito intensa e relevante para mim… De fato, mudou minha vida.

Claro que ainda tenho MUITA estória pra contar dessa aventura toda, então se preparem pra surra de postagens do O Cosmopolita ano quem vem!

Bom fim de ano

O Cosmopolita

 

 

 

 

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Goa: o berço do trance

Todo festival de música eletrônica no Brasil tem um “palco Goa” e muito se fala da origem do trance em Goa. Mas afinal, onde fica Goa? E como é?

Goa é um estado-cidade da Índia localizado na costa oeste (mar arábico), ao sul de Mumbai. Assim como outros lugares da Índia da costa oeste como Diu e Mumbai, os portugueses também se estabeleceram por lá durante o período das grandes navegações. Alguns resquícios são: igrejas católicas, fortes, e os indianos dizem que alguns idosos ainda falam português mas eu não cheguei a conhecer nenhum.

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Coqueiros para todo lado, sol se pondo no mar e muita festa, fazem de Goa, o principal destino no litoral da Índia. Tanto para indianos quanto para estrangeiros. A quantidade de pessoas do norte da Europa e da Rússia que vai para a Índia só pra curtir uma praia em Goa não é pouca coisa.

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Por do sol em Anjuna Beach

Enfim, Goa é dividida em 2 distritos: Goa norte e Goa sul.

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O norte de Goa é muito conhecida pelas festas e pela música eletrônica e o sul de Goa é mais conhecido pelo sossego e praias tranquilas.

A história do trance em Goa

No final dos anos 80 (assim como hoje), muitos estrangeiros ligados à contra-cultura viajaram à Goa. Muitos já eram envolvidos com a produção de música eletrônica e desenvolveram de forma intuitiva um novo estilo com sons da natureza e elementos orientais como mantras indianos. Assim, surgiram as festas de trance em Goa que ficaram grandes e concretizaram o Goa trance.

A minha experiência

Infelizmente não tive a oportunidade de conhecer a parte sul de Goa nem de fazer os passeios turísticos. Fui pra lá no revéllion, alta temporada, com um grupo grande de amigos que queria ficar na mesma praia o dia inteiro tomando cerveja, o que dificultou qualquer iniciativa de conhecer o resto de Goa já que é muito difícil se locomover em Goa porque os lugares são muito longe um do outro e os taxistas cobram preços absurdos.

Por exemplo, para ir do norte para o sul de Goa leva DUAS HORAS de táxi e custa 3500 rúpias, equivalente a R$178, o que torna inviável andar de táxi sozinho.

Então só conheci duas praias: Anjuna e Vagator. Que creio ser as mais frequentadas do norte de Goa.

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Amigos pedindo cerveja em um quiosque em Anjuna Beach

Anjuna Beach

De longe a mais badalada, cheia de quiosques com música eletrônica alta, passeios de jet ski, banana split (rs!) e coisas do tipo. Além de ter uma feirinha cheia de roupas, lembranças e artesanato.

 

Vagator Beach

Pouco mais ao norte de Anjuna, é uma praia menor, com uma extensão de areia mais larga, com algumas pedras pelo mar, MUITO mais vazia que Anjuna e consequentemente mais sossegado. Também têm alguns mirantes que permitem uma vista panorâmica da praia.

 

Ok… Vamos às baladas:

1) Curlie’s

Localizado no canto esquerdo da praia de Anjuna, é um quiosque normal durante o dia e durante a noite, vira uma balada de eletrônico cobrando entrada. Com um palco decorado psicodelicamente com luzes negras, a brincadeira vai até o sol nascer.

O Curlie’s não é exatamente na areia, tem uma arquibancada para chegar na praia. A proporção de homem/mulher é bem desequilibrada para o lado dos homens, o que pode deixar as mulheres desconfortáveis, principalmente por ali é um lugar que dá de tudo, desde de transexual se prostituindo até indiano dando o golpe de pintar seu rosto com tinta que brilha na luz negra e cobra dinheiro no final sem avisar.

Claro que vai de você saber aproveitar.

 

Entrada: 500 rúpias = R$25 (se você estiver por lá durante o dia e ir ficando, não é cobrado)

2) Club Cabana

Localizado à uma meia hora de táxi de Anjuna no topo de uma montanha, essa é tipo aquelas baladas de Porto Seguro, sabe?! Se não me engano tem 4 ou 5 ambientes com ótima estrutura. Lugar aberto, fechado, piscina, trance, deep house… E ainda é open bar (whiskey, tequila e a porra toda) e open food, mas o preço……

 

Entrada: 4000 rúpias = R$200 (open bar + open food)

3) Sunburn Festival

É a versão indiana do Tomorrowland, rs! É um festival eletrônico mais com música comercial, mas é bem grande e bem famoso. Com direito a bungee jump, roda gigante e passeio de balão. Costuma ser religiosamente em Goa no Vagator Beach durante alguns dias no revéllion e justamente na sua comemoração de 10 anos, quando estávamos lá (2016-17), o festival foi em Pune, perto de Mumbai.

Achei bem mal organizado e mal divulgado, meus amigos que organizaram nossa viagem já estavam de olho nesse festival desde outubro, o festival estava confirmando algumas atrações e não liberava a compra de ingressos. Até que chegou em dezembro e anunciaram que o festival seria em Pune (e não em Goa) pela primeira vez. Fico imaginando os estrangeiros que compraram passagem de avião e se planjearam para ter ido lá.

Minha opinião sobre Goa

Sobre a “cena” do eletrônico: Tudo bem que eu não fui muito atrás mas pelo que se fala de Goa, esperava que a cena underground fosse fortíssima, evento de eletrônico pra todo canto e sinceramente não é assim. Então se você é do trance e for para Goa não crie expectativa para não se frustrar.

Sobre a minha experiência: Essa foi uma das poucas viagem que fiz na Índia e não gostei. Gosto de chegar em um lugar e conhecer tudo o que tenho interesse, lá em Goa tem um monte de praia, cachoeira, passeio de elefante e eu fiquei preso na mesma praia durante uns 5 dias. Mas claro que vai de você saber aproveitar da sua forma e ir atrás do que você gosta de fazer. Muita gente vai lá e curte muito.

Sobre Goa: Sou da opinião de que Índia não é lugar para ir atrás de praia. Brasileiro adora praia, afinal, temos uma das praias mais bonitas do mundo e vejo que o pessoal costuma muito buscar praia e é muito comum colocar Goa no roteiro. Estando na Índia, acho muito mais válido ir atrás de coisas que não têm no Brasil, explorar a cultura indiana, ir nos fortes, palácios, templos, cavernas e montanhas. Deixem praia pro BRASIL! Ou pro sudeste asiático…

Mais informação

Passeios turísticos (que perdi): *cachoeira Dudhsagar (uma das maiores da Índia), *passeio de elefante (Jungle Book ou Sahakari Spice Farm), praias do sul, fortes e igrejas católicas (Old Goa).

 

*Eu vi uns pacotes de day tour que incluía transporte, alimentação, passeio nas cachoeiras e de elefante por 4000 rúpias (R$200)

Outras baladas: Nyex Beach Club, Chronicle, Hill Top.

(amigos me enviaram vídeos da Hill Top depois de lerem minha crítica nesse post, parece que lá é um lugar conhecido mundialmente conhecido pelo trance)

Dica de hostel (em Anjuna): “The Prison”

 

Esse foi o hostel mais animado que vi em Anjuna. Não cheguei a ficar lá mas fui para tomar umas cervejas. O hostel desdobrou a questão das janelas terem barras de ferro e fez uma decoração de prisão, além de ter um ônibus na entrada, que é um bar.

O Cosmopolita

A feira de camelos de Pushkar

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Grupo de camelos para passeio. Lente 18-55m Exposição 1/1000s Abertura f/4.5 ISO 500

Distrito da cidade de Ajmer no Rajastão e destino de muitos mochileiros pela Índia, Pushkar é sede de uma feira anual de camelos que acontece todo ano durante uma semana durante o período de outubro-novembro.

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Localizado entre Jaipur e Jodhpur, não existe ônibus/trem desses lugares direto para Pushkar, somente Ajmer, de onde sai ônibus circular a cada 15min-30min que leva algo entre 30min e 40min até Pushkar.

Apesar de ser uma cidade pequena (principalmente no padrão Índia) com uma população de 14 mil habitantes, Pushkar é uma das cidades mais antigas da Índia, não se sabe exatamente quando foi sua origem mas é considerada uma cidade sagrada devido à lenda hindu que diz que o lago principal foi criado a partir de lágrimas de Shiva, deus hindu, depois que sua esposa morreu. 

O fato da cidade ser sagrada torna a venda de bebidas alcoólicas proibida. Porém, a venda de bolos e shakes (bhang lassi) feito com maconha é liberada nos restaurantes e cafés, já que como disse aqui, Shiva fazia uso de cannabis.

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Lago de Pushkar. Lente 18-55mm Exposição 1/3200s Abertura f/8 ISO 500

Não há muito o que fazer em Pushkar, tirando dois templos, Pushkar se resume basicamente em ficar relaxando nos restaurantes e hostels (albergues) com rooftop (cobertura) com vista para o lago e fazer compras, já que a rua que contorna o lago é cheia de lojas com roupas e artesanatos para turistas.

Por isso, entre os mochileiros, Pushkar é conhecido como aquele lugar para sossego e descanso. Além de ser o principal destino para celebrar o Holi (o festival das cores) na região noroeste da Índia.

A feira de camelos

A feira de camelos acontece anualmente em um período de uma semana entre os meses de outubro e novembro, a data vai de acordo com o calendário hindu que segue a lua. Durante essa feira, além de camelos, outros animais como cavalos são levados a Pushkar para serem negociados, onde são enfeitados para chamar atenção e tudo mais. É como se fosse a famosa exposição de animais que acontece em muitas cidades do interior do Brasil.

Além disso, teoricamente, durante essa feira, acontece uma série de atividades como corrida de camelos, show de dança e música, passeio de balão, competição de melhor barba (barba e bigode são muito valorizados entre os homens no Rajastão) e por aí vai…

A experiência do Cosmopolita

Tive uma experiência negativa.

Fui com um grupo de amigos para Pushkar apenas em um final de semana para a feira de camelos. Resolvemos ir em cima da hora sem hostel reservado nem nada. No caminho pesquisamos lugar para ficar e devido ao grande evento, a diária dos hostels estava super inflacionada então optamos por ficar em um hotel bem meia boca em Ajmer, cidade que não merece uma parada, é feia, cheia de mendigo, e não há nada lá que não se vê nos outros lugares da Índia.

Ter que ir e voltar de Ajmer para Pushkar todo o dia foi cansativo e a feira de camelos não é nada daquilo que esperava, não achamos nada do que tinha na programação (shows, corrida de camelos, passeio de balão, competições peculiares), apenas os shows que começaram a noite.

O que vimos foi a cidade extremamente lotada e o evento em si se resumia em um parque de diversões que foi feito para as famílias. Nada de muitos camelos, apenas uns grupos isolados indianos tentando negociar um passeio de camelo até um local com uma vista para pôr-do-sol onde é possível chegar a pé, incomparável com o passeio de camelo de Jaisalmer.

Porém…

Depois de experiência, mochilei pelo Rajastão e pude perceber que os mochileiros adoram Pushkar porque como disse acima, é um bom lugar para sossego e descanso, e repito: é o  melhor lugar para celebrar o Holi na região noroeste da Índia.

Então, apesar da minha experiência negativa, ainda recomendo uma passada em Pushkar (que não seja durante a feira de camelos!!! rs!) para quem estiver mochilando pelo Rajastão pois pelo que ouço do pessoal, todos adoram.

Além disso

Além disso, ainda encontrei algumas personalidades interessantes pelo caminho e fiz uns registros com a 50mm (que não entraram para o Projeto Retratos), olha aí:

O Cosmopolita

Elephanta Caves – Mumbai

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Guardiões da Elephanta Caves. Lente 50mm Exposição: 1/100s Abertura: f/2.8 ISO 2000

Considerado um patrimônio mundial da Unesco, as Elephanta Caves formam um conjunto de 7 cavernas localizado no sul de Mumbai na Elephanta Island, ilha que leva o mesmo nome.

Para chegar lá precisa pegar uma balsa que leva cerca de 1h a partir do Gate of India, cartão postal de Mumbai. O serviço das balsas começa as 9 horas da manhã, funciona de 10 em 10 minutos e a última balsa volta 5:30 da tarde. Considerando que se gasta umas horinhas lá, é bom chegar cedo.

A balsa te leva até o cais e as cavernas ficam no topo da ilha, no caminho tem uma boa escadaria com comerciantes vendendo todo tipo de lembrança.

As cavernas de Elephanta Caves são impressionantes porque são montanhas de pedras onde escavaram a caverna através de “cortes” precisos (wtf!?) e esculpiram pilastras e grandes esculturas contando a história de Shiva, deus da religião hindu.

Para ser mais claro: fizeram uma(s) caverna(s) gigante, com teto e pilastras regulares, além de grandes esculturas, ISSO TUDO EM UMA SÓ PEDRA, e à muito tempo atrás:

Deu para entender porque é patrimônio da Unesco?

História

Não se sabe ao certo quem nem quando as cavernas foram feitas. Existem algumas teorias sobre o povo autor das cavernas e determinaram sua data em algo entre os séculos 5 e 8 D.C.

Esse conjunto de cavernas leva esse nome porque durante as grandes navegações dos portugueses (os livros de história dizem que eles foram parar no Brasil por causa das especiarias da Índia, lembra?), eles dominaram essa região aproximadamente em 1534 e na frente de uma das cavernas tinha uma estátua de um elefante.

Por algum motivo, essa estátua foi levada à um parque/zoológico chamado Jijamata Udyaan em Mumbai:

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Estátua do elefante que deu nome às cavernas no zoológico Jijamata Udyann

Vale ressaltar que diferente de Alexandre, o Grande, entre os portugueses não havia respeito perante as outras religiões e muitas das esculturas dentro das cavernas estão danificas por tiros de portugueses.

A caverna principal

A caverna principal é a que se dá de cara logo que passa pela compra do ticket de entrada. Ela tem um saguão enorme com muitas pilastras, uma sala com uma representação de Shiva e da fertilidade, 9 esculturas nas paredes de cerca de 5m de altura contando a história de Shiva, além dos “guardiões” esculpidos.

Detalhe: tudo isso esculpido na mesma pedra.

Tive a sensação de estar em filme do Indiana Jones andando no meio daquelas esculturas.

Trimurti

Localizada de frente para a entrada principal dessa caverna está a escultura de Trimurti, que chama muita atenção. Trimurti é a tríade de 3 deuses hindus: Brahma, Vishnu e Shiva, que significam respectivamente a criação, a conservação e a destruição.

Gastos

Trem da linha oeste até a estação Gateaway: 10 rúpias = R$0,50

Balsa até Elephanta Island: 180 rúpias = 9 reais

Entrada na Elephanta Caves para estrangeiro: 500 rúpias = 25 reais

O Cosmopolita

Kheer Ganga: acampando nos Himalaias

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Lente 55-200mm Exposição: 1/500s Diafragma: f/6.3 ISO: 400

A decisão

Eu já estava na Índia há 8 meses e como um bom montanhista, já estava mordido pra fazer uma trilha, especialmente estando tão perto dos Himalaias. Foi então que sentei com meu companheiro de trabalho, Chris, da Alemanha, para bater o martelo em onde seria nosso destino. Considerando que a melhor época para fazer trilha nas montanhas no norte da Índia é de agosto à outubro, concordamos em pedir uma folga na primeira semana de outubro.

Desconsiderando o estado da Caxemira (que tem várias travessias famosas) devido aos conflitos entre Paquistão e Índia, a região de Parvati Valley no estado de Himachal Pradesh (na tradução: território Himalaia) é muito famosa entre os indianos, principalmente as cidades de Kasol e Manali de onde partem algumas trilhas.

Através de indicações, resolvemos fazer uma trilha famosa até a vila de Kheer Ganga à 2.960 m acima da altura do mar. O que foi ideal já que se chega lá em apenas um dia e não tínhamos tempo para encarar nenhuma travessia.

Transporte

Feito, lá fomos eu e o Chris. Avião até Delhi, ônibus de 10h saindo Delhi para Bhuntar varando a noite. De manhã, taxi de 1h de Bunthar para Kasol e outro de Kasol até a boca da trilha do Kheer Ganga, passando pela vila de Manikaran.

Curiosidade: Kasol é tipo Trindade/RJ ou São Tomé das Letras/MG no Brasil, é aquela cidadezinha próximo à natureza famosa pela banalização do uso da cannabis (nesse caso, haxixe), a diferença é que lá praticamente só tinha estrangeiro.

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A trilha

Ok. Chegamos, era 14h, considerando que a trilha demorava em cerca de 4h e estava escurecendo em torno de 18h, não podíamos perder tempo. Alongamos e fomos. A trilha basicamente é dividida em 2 partes, 2h em um terreno mais seco com muito sobe e desce e bastante exposição ao sol, sempre com o rio Parvati à direita, sendo que em cerca de 40min se chega em uma vilinha muito charmosa chamada Nakthan.

Depois se cruza o Parvati River em uma ponte com vista para uma cachoeira muito forte (cuja força da natureza é um espetáculo a parte), se entra em uma floresta de coníferas (pinheiros) onde devido às sombras e às árvores, o clima é bem mais úmido ajuda muito já que daí pra frente muda a pegada da trilha: são 2h só de subida até a vila de Kheer Ganga. Confesso que tive certa dificuldade já que levei uma mochila pesada (com 2 lentes pra máquina, tripé e tudo mais) e não estava em boa condição física.

Detalhe: Mesmo depois da vila de Nakthan, a trilha é cheio de quiosques onde é possível comprar água, comida ou simplesmente sentar pra dar uma descansada.

Feito! Exaustos mas inteiros, cerca de 18h chegamos à vila de Kheer Ganga!

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Placa de boas vindas da vila do Kheer Ganga! Esse foto é meramente ilustrativa! Rs! Tirei no dia seguinte, quando cheguei lá estava acabado!

Esse camping teve 3 peculiaridades em relação aos que eu já fiz no Brasil:

1) Estrutura

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Desse ponto de vista, parece uma favela mas juro que é um lugar muito gostoso!!! Exposição: 1/2000s Diafragma: f/5.6 ISO: 200

Todas as trilhas de montanhismo que havia feito no Brasil, você chega no cume e lá não tem nada, só você e o seu grupo. Nesse caso, chegamos numa vila. Tinha toda uma estrutura de lugar pra ficar e comer, o que poupou peso na mochila de barraca e comida.

2) A vista

Todas as trilhas de montanhismo que havia feito no Brasil, você chega no cume e a vista está abaixo de você. Nesse caso, a vila leva o nome da montanha que está na frente e no alto! E o Kheer Ganga é GI-GAN-TE. Sabe quando você senta na areia da praia e fica horas observando as ondas? Então, com a grandiosidade do Kheer Ganga também tem esse efeito! Até que todos os restaurantes e guest-houses tem deck virado para a montanha e o pessoal fica o dia inteiro hipnotizado olhando pra montanha.

3) Águas termais

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(foto de GoPro)

Último, mais inusitado e encantador. Lá em cima, à 2.960 m de altitude, tem uma piscina de águas termais. Com vista pro Kheer Ganga ainda! Acredite, é demais!

Lugar sagrado

Reza a lenda que Shiva, um dos deuses hindu, meditou ali por 3.000 anos e os locais consideram que as águas termais tem um poder de cura. Então, logo acima da piscina termal tem um pequeno templo de devoção à Shiva com um ancião da vila que mantém a ordem ali, não deixa o pessoal ficar gritando nem mergulhando na piscina.

De acordo com a mitologia Hindu, Shiva fazia uso de cannabis. Isso mesmo, Shiva era maconheiro! Brincadeiras a parte, com todo respeito à religião hindu, isso explica a banalização do haxixe nessa região da Índia.

Continuando com a viagem…

Pausa pra comemorar e recuperar o fôlego. Já fomos atrás de alugar uma barraca (que já ficam montadas) e fomos direto pra piscina termal até escurecer. Depois trocamos de roupa e fomos comer em um restaurante bem rústico e bem legal, tava frio, eles acenderam as lareiras, todas as mesas eram baixas com colchão pra sentar, senti um clima aconchegante.

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Tirei essa foto no segundo dia. No primeiro, esse restaurante estava bem cheio. Fiquei impressionado com o cardápio, comida do mundo inteiro: Israel, Itália, Espanha, Índia (claro) e por aí vai…

Curiosidade 2: Por algum motivo, essa região de Parvati Valley atrai muitos israelenses, eles andam em grandes grupos de 5-10 pessoas. Quando um indiano vê um estrangeiro nessa região já tenta adivinhar perguntando se você é israelense.

Ficamos duas noites lá, pra ter um dia inteiro livre e aproveitar o lugar já que foi maior função chegar até lá. Nesse dia livre, exploramos todo o lugar e passamos bastante tempo na piscina termal. Saiu essas fotos:

Também rolou essas fotos noturnas:

Gastos:

Ônibus ida e volta de Delhi para Bunthar: 2.619 rúpias = 130 reais

*Táxi ida e volta de Bunthar para Kasol: 755 rúpias = 38 reais

*Táxi ida e volta Kasol para a boca da trilha do Kheer Ganga: 1000 rúpias = 50 reais

Diária na barraca no Kheer Ganga: 125 rúpias = 6 reais!!!

Custo médio de uma refeição na vila do Kheer Ganga: 300 rúpias = 15 reais

*Esses dois trechos dá para fazer de ônibus circular, fica baratíssimo mas requer tempo para esperar ônibus. Coisa que eu e o Chris não tínhamos.

Himalaia, nos vemos no Nepal!

O Cosmopolita

As cidades coloridas do Rajastão 1/3: Jaisalmer

A cidade dourada

Primeiro post da série “cidades coloridas do Rajastão”. Jaisalmer, é a cidade “dourada” por ter um forte de tijolo e as casas ao redor também serem feitas por tijolos.

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Exposição: 1/2000 Diafragma: f/4 ISO 100 Horário: 12h-13h
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Jaisalmer está ali, bem próximo da fronteira com o Paquistão

Destino clássico de turistas na Índia devido a sua peculiaridade, Jaisalmer foi fundada em 1156 quando foi construído um forte para um rei chamado Jaisal. Logo, Jaisalmer significa “o forte do monte de Jaisal”.

Atualmente, 1/4 da população da cidade ainda vive dentro das muralhas, sendo o total da população da cidade cerca de 78.000 pessoas.

Jaisalmer hoje em dia gira basicamente ao redor do turismo. Dentro do forte, além de restaurantes nos rooftop’s (cobertura) com vista para a cidade e diversas lojas com artigos interessantes, tem um passeio dentro do palácio que o rei morava antigamente que tem até um serviço de guia em fone de ouvido para ouvir em inglês, espanhol e outras línguas falando sobre o palácio e o forte.

Entrada no palácio: 500 rúpias = 25 reais

Liberação para tirar fotos: 500 rúpias = 25 reais

O deserto Thar

Jaisalmer fica bem no meio do deserto de Thar que ocupa metade to Rajastão e praticamente delimita a divisa com o Paquistão.

O que atrai os turistas para Jaisalmer além do forte, é um passeio de camelo até o deserto para passar a noite lá, muito parecido com o que eu vejo o pessoal fazendo no Marrocos.

Uma noite no deserto

Esse é o tipo de passeio para fazer em grupo.

A agência do passeio busca o pessoal, e depois de fazer uma pausa nas ruínas de um antigo vilarejo, leva até um determinado ponto onde os camelos e os caras que guiam eles (é, não é você que guia o camelo, rs!) estão esperando e depois de um passeio de 1h chega até umas dunas pouco antes do pôr do sol.

Depois do astro rei se retirar, é servido uma janta, também é possível levar bebida. Em seguida tem uma apresentação de um grupo musical e se dorme em colchões na areia.

No dia seguinte, acordamos naturalmente com o sol, um dando risada do outro já que cada um acordou mais coberto de areia que o outro. Depois, é servido um café da manhã seguido do passeio de volta de camelo (outra uma hora) e o transporte até o hostel.

Ter contato por tanto tempo com os camelos foi definitivamente uma experiência singular e muito interessante. E estar em um grupo grande de jovens amigos, não teve tempo ruim mas vou fazer duas considerações negativas:

  • Grande maioria das mulheres do nosso grupo reclamaram do desconforto do banco do camelo depois de 15min (o passeio é de 1h)
  • Supostamente eles iam armar tendas para a gente dormir, mas era só colchão no chão, durante a noite ventou muita areia no rosto e todos tiveram que dormir com o rosto coberto igual a foto.

Passeio: 1500 rúpias = 75 reais

Incluso: transporte de carro + passeio de camelo + jantar + apresentação de música + café da manhã

Além disso

Vistei mais dois lugares:

  1.  Bada Bagh: tumba antiga
  2.  Gadsisar Sagar Lake: lago escavado em 1367 para abastecer a demanda de água da cidade

 

O Cosmopolita

Diu: uma antiga colônia portuguesa na Índia

Dando início a categoria turismo aqui do blog. Já era hora de começar a falar de viagens, né?! É que demorei 2 meses para fazer essa primeira viagem e achei legal compartilhar algumas vivências e choques culturais antes de começar a falar de turismo.

Apesar do litoral extenso, o forte da Índia realmente não é praia mas apareceu um convite, e abracei a oportunidade de ir dar um mergulho no mar arábico. Fui com um grupo grande de amigos para Diu, no litoral do estado de Gujarat, onde moro.

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Além de Goa (que devo fazer um post mais para frente), Diu é uma praia bem conhecida pelos indianos aqui de Gujarat. Assim como Goa, foi colônia portuguesa na época das grandes navegações, então uma curiosidade é que muitos estabelecimentos tem nome em português.

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Rua da praia, muito simpática entre os coqueiros e barracas

Lente 18-55mm Exposição: 1/640s Diafragma: f/9 ISO: 500 Horário: 12h 

A praia em si não é nada demais (para os padrões brasileiros), mas foi válido um final de semana na praia entre amigos e um banho de água salgada para curar.

Demos um pulo no forte feito pelos portugueses, confere aí os registros:

O Cosmopolita